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Correio Braziliense

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Ocupação de escolas prejudicará avaliação do ensino paulista, diz sindicato

Segundo a Secretaria da Educação, as avaliações tiveram de ser canceladas nas 151 escolas ocupadas por alunos que protestam contra a reorganização escolar que levará ao fechamento de 93 unidades de ensino

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postado em 25/11/2015 19:55

Parte dos estudantes e professores paulistas mostrou-se contrária à aplicação das provas do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar de São Paulo (Saresp), que ocorre desde ontem (24) no estado. Segundo a Secretaria da Educação, as avaliações tiveram de ser canceladas nas 151 escolas ocupadas por alunos que protestam contra a reorganização escolar que levará ao fechamento de 93 unidades de ensino. Nas demais escolas, as provas estão sendo aplicadas normalmente. No total, há 5,3 mil escolas no estado.

De acordo com a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel de Azevedo Noronha, o ambiente conturbado e a existência das ocupações prejudicarão a correta avaliação do desempenho das escolas. O sindicato estima que 163 unidades estejam ocupadas.

O Saresp mede o nível de aprendizado em linguagens e matemática em dois dias prova. Professores das melhores escolas na avaliação recebem um bônus por resultado em dinheiro. O valor não integra o salário-base e deixa de ser incorporado à aposentadoria e benefícios da carreira. “O bônus não tem uma série histórica, e os critérios não são objetivos", disse. "Em alguns casos de professores nas mesmas condições, uns tiveram bônus e outros não”, acrescentou.

Panfletagem de alunos

Estudantes que participam dos movimentos de ocupação das escolas em São Paulo têm feito panfletagens e postagens nas redes sociais para convencer os colegas a boicotar as provas do Saresp. “É uma forma de o governo avaliar apenas por números como está a situação das escolas, daí vem investimento. Não é um teste pedagógico para nós alunos”, conta Luana Narde, de 15 anos, estudante do 1º ano do ensino médio.

Luana e outros alunos ocupam a Escola Fernão Dias Paes, no bairro de Pinheiros. Eles têm se sustentado com a ajuda de doações de mantimentos de vizinhos e apoiadores, como Graça Cremon, dona de uma produtora de vídeos. Além de levar os alimentos para os alunos, Graça doa filmes e oferece aulas e oficinas culturais.

“Parece que o governo quer dar funcionalidade à educação. A pessoa que estuda na escola pública só pode ser funcionária. Ela nunca vai ser um criador, um filósofo do livre pensar. Eles querem um ensino técnico, eu sou contra. Sou a favor do ensino universalista: primeiro eu sei das coisas, depois eu escolho o que quero da minha vida”, disse Graça.

A Secretaria Estadual da Educação reiterou que os aspectos relacionados ao pagamento do bônus por resultado, que tem no Saresp elemento central para fins de cálculo, serão estudados do ponto de vista legal e comunicados posteriormente. “Vale lembrar que a pasta protocolou junto ao Tribunal de Justiça propostas de negociação com estudantes para desocupação das escolas, mas mais uma vez não obteve acordo. Mesmo assim, o canal para diálogo mantém-se aberto”. A expectativa é que 1,2 milhão de alunos façam as provas.

Fuvest

Em um dos colégios ocupados, a escola Conselheiro Crispiniano, em Guarulhos, seriam aplicadas as provas da primeira fase do vestibular da Universidade de São Paulo, a Fuvest, no próximo domingo (29). Segundo a assessoria de imprensa da instituição, a aplicação do exame será transferida para o Prédio U da Universidade de Guarulhos. Os candidatos receberão a confirmação do local de prova por e-mail, SMS ou ligação telefônica.

A Fuvest tem 121 locais de prova, dez são escolas públicas estaduais. Por enquanto, apenas a de Guarulhos está ocupada. Segundo a assessoria de imprensa da Fuvest, a instituição dispõe de outras opções para aplicar as provas, caso mais unidades sejam ocupadas.

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