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Alimentação escolar

Merendeira inclui criatividade e amor ao elaborar as receitas

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postado em 15/01/2016 19:05

Portal MEC

Se há um ingrediente que não falta no prato dos alunos da Escola Mundo Infantil, em Parauapebas, Pará, é amor. Quem garante é Vanusa do Nascimento Sousa da Costa, 37 anos, que há cinco trocou a cozinha dos restaurantes pela rotina das escolas municipais. “Tem criancinha que só se alimenta lá”, diz a merendeira, emocionada. “Você nem imagina como é gratificante ver os meninos comendo, depois brincando, correndo, pulando.”

 

Quando soube do concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Ministério da Educação e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o desejo de participar veio logo. A receita do escondidinho de frango, que Vanusa já fazia em casa, foi adaptada ao paladar das crianças de 4 a 6 anos. O prato fez tanto sucesso que chegou à final da competição, que recebeu mais de 2.433 inscrições de profissionais da merenda todo o país.

 

O segredo, ela diz, foi o aproveitamento de um legume não muito popular entre as crianças. “Elas não gostam muito de couve. Quando a gente coloca na salada, deixa bem arrumadinho, corta o talo, pra ver se eles comem”, revela. Como o talo tem a mesma vitamina das folhas, Vanusa experimentou juntá-lo com o frango, na esperança de as crianças não notarem. “Deu certo, e ficou supergostoso”, diz. A mesma coisa ela fez com a batata e a mandioca que restaram de outras receitas. “Pegando um pouquinho de um e um pouquinho de outro fica gostoso e nada se estraga.”

 

A merendeira fala com propriedade sobre a importância da qualidade da comida servida nas escolas, especialmente a que é servida às 278 crianças que ela atende na Mundo Infantil, ainda em fase de construção dos hábitos alimentares. A receita classificada, por exemplo, leva menos sal, dispensa o queijo e inclui a couve quando pensada para os pequenos.

Mãe de seis filhos e avó de um menino de um ano e meio, Vanusa diz que a experiência da escola a ajudou a melhorar o que é servido em casa. “Tenho o maior cuidado agora”, afirma. “Não dou mais doce, nem enlatado; os nutricionistas dizem que não pode.”

 

Horta — Essa consciência sobre o valor dos alimentos, além do jeito certo de higienizá-los e aproveitá-los, é parte do aprendizado que Vanusa adquiriu no dia a dia e nas formações periódicas oferecidas pela equipe de nutricionistas de Parauapebas. Além disso, toda semana, cada escola recebe a visita de um profissional de nutrição, que orienta as merendeiras e passa o cardápio do que deve ser servido.

 

Para dar mais qualidade à alimentação das crianças, que fazem duas refeições por turno, o município desenvolve projeto em que cada escola cultiva a própria horta. Merendeiras, funcionários de outros setores e os alunos ajudam a cuidar da pequena plantação orgânica. “A gente já tem cheiro-verde, couve, uns pés de cenoura, pepino, abóbora, cebolinha, jambu, chicória; é linda a nossa horta”, orgulha-se Vanusa.

 

Maranhense, há dez anos no Pará, ela conta os dias para a final do concurso Melhores Receitas, este mês, em Brasília. Embora concorra a um prêmio de R$ 5 mil e uma viagem, Vanusa já considera uma vitória o fato de representar a escola. Mas o grande prêmio é recebido todos os dias, “quando os alunos gostam da comida e pedem pra repetir”.

A receita de escondidinho de frango de Vanusa pode ser conferida na página do prêmio na internet.

 

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