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Mais um ano de dificuldades

Com vagas aquém da demanda e falta de professores, ano letivo terá de enfrentar reforma em 152 dos 657 centros de ensino da rede pública

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postado em 16/02/2016 18:16

Nathália Cardim / , Maryna Lacerda

Rodrigo Nunes

Acatorze dias do início do ano letivo na rede pública de ensino, em 29 de fevereiro, ainda há o que ajustar para a recepção dos estudantes. São problemas como falta de professores e necessidade de investir em infraestrutura que se somam às dificuldades enfrentadas pelos pais e responsáveis para conseguir vagas remanescentes nas unidades. Desde sexta-feira, pessoas dormem na fila para tentar uma matrícula. O prazo para quem busca uma das cerca de 4 mil vagas não confirmadas por meio do Telematrícula vai até sexta-feira. Enquanto isso, 152 dos 657 centros de ensino do sistema passam por reforma, que vai desde reparos na parte elétrica a limpeza dos pátios. 

Para os serviços de manutenção em parte das escolas da rede, estão previstos R$ 5 milhões em recursos da Secretaria de Educação do DF. Além disso, outros R$ 1,2 milhão em parcela emergencial foram repassados para as 14 regionais de ensino. Os recursos devem ser aplicados em intervenções estruturais. A expectativa da pasta é de que, no início da próxima semana, a verba do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf), chegue para as escolas. São R$ 25 milhões, a serem empregados em despesas de custeio, como manutenção de equipamentos, execução de projetos pedagógicos e compra de material didático.

"Educação é
direito de todos.
É um absurdo você querer estudar
e não conseguir”

Cláudio Cézar Vieira, militar


A balconista Maria Nilda Machado, 63 anos, mora em Santo Antônio do Descoberto (GO) e esperou a data de abertura das vagas remanescentes para matricular o neto de 14 anos no DF. “Em  Santo Antônio é muito perigoso. O meu neto disse que, se tiver que estudar lá, ele prefere perder o ano. Estou desesperada. Preciso conseguir essa matricula. Estou com os documentos necessários e ficarei o tempo que for preciso na fila”, afirma.

Direito

As filas em busca das vagas remanescentes devem permanecer até o fim da semana. “Não temos como evitá-las. As vagas remanescentes só existem porque os alunos que foram contemplados não confirmaram o interesse no período previsto”, afirmou o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Sousa. Segundo ele, o critério para conseguir uma matrícula  é a ordem de chegada.

Para tentar uma vaga para a sobrinha Rafaela Oliveira Campos, 16 anos, que vai fazer o 2º ano do ensino médio, em 2016, Henrique César Oliveira Silva, 34, chegou cedo, ontem, ao Centro de Ensino Médio 3, na QSE 5, em Taguatinga Sul. “Esperamos mais de quatro horas na fila para conseguir o atendimento. A minha sobrinha veio da Bahia para estudar em Brasília e precisamos da vaga. Moramos em Samambaia e não conseguimos matricula nas escolas da região. A Rafaela não pode ficar sem estudar”, destacou.

 

Rodrigo  Nunes
 

 

Para o militar Cláudio Cézar Vieira de Souza, 20 anos, a quantidade de vagas oferecidas está aquém da demanda do DF. Ele acompanhou a mulher Layanne Rodrigues Silva, 18, que buscava uma vaga para o 1º ano do ensino médio, também no Centro nº3 de Taguatinga. O casal saiu de lá frustrado. “Educação é direito de todos. É um absurdo você querer estudar e não conseguir. Vamos tentar a matrícula em outra unidade de ensino”, afirmou o militar.

Desfalque

O déeficit de professores na rede é uma das questões que preocupa o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF). De acordo com o diretor Samuel Fernandes, a rede precisaria de mais 3,5 mil profissionais para atender a demanda. “E o governo só convocou 159 professores”, destaca Fernandes. As nomeações não suprem sequer as aposentadorias ocorridas em 2015. “No ano passado, 860 professores se aposentaram. E o governo não pode colocar professores temporários para preencher as vagas por aposentadoria ou falecimento”, afirma. Fernandes também ressalta a falta de orientadores educacionais para atender às escolas. “Em 2014, teve concurso e nenhum foi nomeado. O orientador educacional é de fundamental importância para a mediação de conflitos, como diminuição da violência escolar, do bullying”, defende.
 

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