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Educação básica

Base busca um novo caminho para o ensino da matemática

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postado em 09/03/2016 18:44

Portal MEC

A proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNC) de construção horizontal do conteúdo de matemática para a educação básica contribui para solucionar um problema histórico da área: dar mais sentido ao mundo dos números no dia a dia dos alunos.

 

Equacionar essa questão é fundamental. Pois, em algum momento da vida, todo mundo passa pela experiência de ter de calcular juros, saber quanto vai pagar no supermercado, conciliar remuneração com gastos, pensar de forma lógica, precisar ler tabelas e gráficos.

 

Esse é o princípio da BNC para os próximos anos. Fixar conteúdos para o ensino de maneira a assegurar formação básica comum e aprendizados nacionais e regionais. Dessa forma a BNC contribui para a equidade, ou seja, garante a todos os brasileiros o acesso a um conjunto de conhecimentos considerados essenciais para concretizar seus projetos de vida, além de organizar e dar mais coerência ao sistema educacional.

 

O matemático Ruben Klein, do Movimento pela Base, defende que o componente curricular da área avance já na educação infantil. “A criança precisa conhecer números e formas geométricas, triângulo e quadrado”, opina. Para Ruben, fração e reta numérica são conteúdos que também devem ser conhecidos mais cedo pelos estudantes. “Matemática se aprende fazendo.

 

Ao conseguir visualizar, o aluno aprende muito mais”, sugere.

 

“Ler é uma questão essencial para a matemática”. Quem ensina é a estudante Eduarda Vieira Cardoso, 14 anos. Ela cursa o primeiro ano do ensino médio na Escola de Ensino Médio Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves, Piauí, e acredita que essa é a fórmula para romper a dificuldade dos alunos com a matéria. “Leio o conteúdo antes da aula para entender melhor.

 

Estudo um pouquinho em casa e encaro o aprendizado de matemática como um desafio que posso vencer”, explica.

 

Os integrantes das sociedades científicas de matemática também estão opinando. Inclusive, já realizaram alguns debates entre seus associados, a partir do texto preliminar da Base. Cálculo foi um dos temas mais lembrados pelo grupo como elemento ausente das discussões da Base, até o momento.

 

Sobre o grau de complexidade dos objetivos de aprendizagem, o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, Manuel Palacios, pondera a necessidade de se definir qual o perfil pretendido do estudante que conclui a trajetória escolar.

 

“Até onde vai a matemática na educação básica? Essa é uma pergunta cuja resposta pode nos orientar nesse trabalho”, pontua.

 

Logaritmo – A especificidade da área exige reflexão que aponte para a integração da matéria nas diferentes etapas da vida escolar, além de gestão compartilhada do conhecimento. “Muitas vezes aprendemos uma operação matemática sem nos darmos conta de que estamos aprendendo uma linguagem”, observa o professor Luiz Carlos Menezes, da Universidade de São Paulo (USP).

 

Menezes lembra o caso do modelo da escala de Richter, que mede a magnitude de um tremor de terra. “Terremoto 8 na escala Richter não é o dobro de um que registrou 4. Neste caso, a diferença de intensidade é de dez mil vezes porque se trata de uma escala logarítmica, que trabalha com potência. Ou seja, um tem intensidade dez mil vezes superior ao outro.

 

Sem incorporar o aprendizado de logaritmo, não se entende isso”, ensina.

 

A lógica do professor Menezes é reforçada por especialistas. “A matemática serve pra compreender a realidade”, reforça o professor Marcelo Câmara, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Marcelo está à frente da equipe de especialistas que trabalharam a redação da proposta preliminar da BNC para a matemática.

 

Ao acompanhar a consulta pública da Base, o especialista tem percebido que um caso marcante nas contribuições nessa área tem sido a sugestão para o aprendizado do conteúdo de estatística e probabilidade. “O desenvolvimento da forma de pensar estatisticamente desde o primeiro ano (do fundamental)”, esclarece.

 

Marcelo considera a sugestão positiva para a aprendizagem em matemática e acredita que esse exercício, mais tarde, vai permitir, por exemplo, que a pessoa olhe um gráfico no jornal e seja capaz de fazer uma leitura crítica da notícia. Saber se o texto tem intenção de induzir o leitor a uma opinião específica ou não. “A matemática na escola deve servir para desenvolver formas de pensar e não para acumular conhecimentos que muitas vezes não têm relação com a realidade do sujeito. A Base pode ser esse caminho”, conclui.

 

Conheça as propostas para a área de matemática no Portal da Base

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