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Início do ensino fundamental avança, mas anos finais não alcançam meta

Para o MEC, solução é a reforma urgente do modelo de ensino médio e fomentar a parceria entre estados e municípios

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postado em 08/09/2016 14:18 / atualizado em 09/09/2016 14:54

Jéssica Gotlib /Especial para o Correio , Agência Brasil

Daeb/Inep
Por três vezes consecutivas o ensino médio brasileiro foi avaliado abaixo da meta do Ministério da Educação, com nota de 3,7 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O quadro também é ruim nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º) cuja nota cresce a passos lentos e não alcança a meta desde 2011, quando foi registrado o índice 4,1. Em 2013, a meta era 4,4 e o registrado foi 4,2 e, em 2015, a meta era 4,7 e o alcançado foi 4,5. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (8) pelo Ministério da Educação (MEC).

Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, os resultados demonstram um quadro caótico para a educação brasileira. “Não é para se celebrar, muito pelo contrário. Apenas os anos iniciais cumpriram as metas e elas não podem ser consideradas ousadas. No que diz respeito ao ensino médio, acho que os dados casam com o discurso que temos aqui no MEC e mostram a necessidade de uma grande reforma no ensino médio. A evasão escolar é um quadro gravíssimo que temos aqui. A falta de perspectiva da escola em encontro aos sonhos dos jovens está os expulsando”, argumenta.

Ele informou que não é possível encontrar ao certo a causa para os dados, mas apontou que a integração entre estados, municípios e as políticas públicas federais podem ser um caminho para melhorar. “É difícil a gente traçar uma causa única para esses índices, mas é preciso que haja uma maior integração entre as políticas públicas definidas pelo ministério e uma participação maior dos estados e municípios na efetivação das políticas. Nos anos iniciais o Brasil alcançou a meta, mas quando você vai para os anos finais é bastante complicado. Taxa de evasão escolar, repetência, você não consegue o desempenho esperado pelo aluno naquela idade série e você tem que trabalhar para que ele alcance os índices desejados para a idade/série em que está. Isso significa mais gasto para o estado e mais tempo perdido para o aluno”, comentou.

 

Daeb/Inep


Reformulação do ensino médio

O ministro ressaltou que é preciso consolidar a reforma do ensino médio e disse que, caso o Projeto de Lei 6840/13 do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), não seja aprovado ainda neste ano, o MEC pedirá que as leis sejam mudadas por meio de medida provisória do presidente Michel Temer para que, a partir de 2017, grupos de trabalho possam ser montados.

“A reforma do ensino médio e a proposta de tempo integral são coisas complementares. Vamos buscar maior flexibilidade e enxugar o universo de conteúdos ensinados nas salas de aula do Brasil numa integração maior com a definição de vida do estudante. No ensino médio o jovem começa a sonhar com sua vida profissional, mas não é isso que a escola entrega a ele. O jovem entende que muitos dos conteúdos mostrados nas salas de aula não são importantes para sua vida profissional. Se a aprovação não acontecer ainda neste ano, vamos conversar com o presidente para que se edite uma medida provisória. Não podemos ficar aguardando uma janela de oportunidade no Congresso para que a reforma seja votada. Queremos que a partir de 2017 possamos preparar a implementação do novo modelo de ensino médio. Muita gente pode fazer uma leitura crítica, mas os resultados falam por si”, concluiu.

Daeb/Inep

Mendonça Filho não deixou claro como será o novo modelo, mas, para ele, tudo parte da mudança legislativa e, depois, será levado para a discussão e criação de uma nova base nacional comum curricular para o ensino médio.


“Decidimos que a base comum curricular [que está em curso] vai focar no ensino fundamental até, no máximo, o primeiro ano do ensino médio. A discussão sobre os anos finais do ensino médio ficará para uma segunda etapa. A estrutura legal [que o MEC quer que seja mudada] não compromete a base futura. Ela será recepcionará a base futuramente. Os conteúdos não estarão na lei, mas na base que será construída em comum com os profissionais que estão em contato com os professores”, esclarece.


Enem
O modelo atual do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também foi alvo de críticas, especialmente por parte da presidente do Inep, Maria Inês Fini. “O Enem está construído com base em um acordo feito com as universidades em 2009. Ele não é, como está no nome, um exame de autoavaliação para o ensino médio. E isso deverá ser mudado”, comentou.

Matemática
As notas dos estudantes brasileiros de ensino médio em matemática também caíram e são as menores desde 2005, segundo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – um dos componentes do Ideb. “Esse quadro mostra a falência do ensino médio brasileiro. A proficiência em matemática caiu 21 pontos entre 1997 e 2015. Quer dizer, um estudante brasileiro hoje sabe menos matemática do que um aluno que estudava em 1997. Isso é inadmissível”, argumentou.

 

Desempenho dos estados
Mendonça filho ressaltou que, em um estado federativo como o Brasil, é normal haver avanço maior em algumas regiões que em outras. E os índices refletem essas diferenças. Com relação aos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º, apenas Distrito Federal, Rio de Janeiro e Amapá ficaram abaixo da meta estipulada.

Nos anos finais, do 6º ao 9º, apenas Pernambuco, Amazonas, Mato Grosso, Ceará e Goiás cumpriram a faixa de nota esperada pelo Ministério da Educação. Já no ensino médio, o desempenho ideal foi alcançado por dois estados: Piauí e Goiás.

 

Distrito Federal

O Distrito Federal (DF) não atende as metas para os primeiros anos do ensino fundamental desde 2015, para as séries finais desde 2013 e para o ensino médio desde 2011. Quando isolados os dados da rede particular, o quadro é ainda pior. A meta nunca foi alcançada pelas escolas privadas do DF desde que os resultados começaram a ser acompanhados, em 2005.

 

Daeb/Inep

Daeb/Inep

Daeb/Inep
 

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