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Especialistas confirmam necessidade de reforma no ensino médio

Para Ricardo Falzetta, do Todos Pela Educação, e Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco, dados do Ideb confirmam alertas dados pela própria sociedade

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postado em 09/09/2016 14:49 / atualizado em 12/09/2016 19:52

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que a educação brasileira avança a passos em mais lentos que o esperado. O quadro é ruim, sobretudo no ensino médio, que está estagnado desde 2011. Para o gerente de Conteúdo da fundação Todos Pela Educação (TPE), Ricardo Falzetta, os dados consolidam tendências que haviam sido observadas em anos anteriores. “O resultado reafirmou o alerta: os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio precisam de reformulações e de uma grande melhora”, afirma.

 

Segundo ele, existem políticas públicas eficazes, mas elas precisam ser ampliadas. “O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), por exemplo, é uma política eficaz que precisa ser intensificada. A gente pode entender quais são as políticas que vêm funcionando e replicá-las para a realidade das diferentes regiões do país”, explica.

 

Falzetta ressaltou ainda a relevância de indicadores como o Ideb. “É um instrumento essencial para fazer a avaliação do ensino. É como um termômetro, se você quer medir a sua saúde. A conclusão do estudo não causa uma mudança imediata prática, mas é uma forma de controle social. É importante para a sociedade, que passa a ter insumos para cobrar do governo, e aí sim a gente consegue alcançar melhores resultados”, argumenta.


O superintendente do Instituto Unibanco Ricardo Henriques concorda que é importante reestruturar o ensino médio no país. Segundo Henriques, o Estado deve agir de três formas para melhorar os índices.

 

“Primeiro, a educação precisa ter uma base comum, com conhecimentos que todos os estudantes devem dominar: de português, matemática, química e física. E a partir disso, construir uma trajetória flexível. Estudantes que tenham interesse em atuar nas áreas humanas, terem um ensino mais focado nisso, assim como nas áreas exatas. Segundo, é preciso uma nova estratégia de gestão da aprendizagem que facilite o processo. Devemos entender como os estudantes aprendem e adequar o nosso ensino, de forma que esse aprendizado seja efetivo. E por último, melhorar a qualificação dos professores: eles têm uma bagagem técnica, mas muitas vezes falta didática”, afirma.

Cálculo da nota
O Ideb é um indicador de desempenho divulgado a cada dois anos. O cálculo leva em consideração o desempenho dos estudantes em avaliações de larga escala - calculado pela Prova Brasil/Saeb - e a taxa aprovação - verificados a partir do Censo Escolar da Educação Básica. O índice varia de 0 a 10. Quanto maior for o desempenho dos alunos e o número de alunos promovidos, maior será o Ideb.

Os números do ensino
Ensino fundamental – anos iniciais (1º ao 5º ano)

  • 117,9 mil escolas oferecem os anos iniciais nas redes pública e privada;
  • 15,5 milhões de alunos estão matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental;
  • 10,5 milhões (68,1%) estão matriculados em escolas municipais. Esse total representa 82,5% das matrículas na rede pública;


Ensino fundamental – anos finais (6º ao 9º ano)

  • 62,4 mil escolas oferecem os anos finais nas redes pública e privada;
  • 12,4 milhões de alunos estão matriculados nos anos finais do ensino fundamental;
  • 41,7% deles estão na rede municipal;
  • 43,6% deles estão na rede estadual;


Ensino médio

  • 28 mil escolas oferecem o ensino médio nas redes pública e privada;
  • 8 milhões de alunos estão matriculados no ensino médio;
  • 23,6 % desses estudam no período noturno;
  • 84,4% estão na rede estadual, que concentra 97,1% das matrículas da rede pública


Casos de destaque nacional
Veja algumas das escolas de ensino fundamental com melhor desempenho no Ideb 2015


Anos Iniciais/Rede Municipal

Emilio Sendim - Sobral/CE - 9,8
Francisco Severo de Araujo (EEF)- Massapê/CE - 9,6
Francisco Rufino (EEF) - Novo Oriente/CE - 9,5
Escola Municipal Adolpho Bartsch - Joinville/SC - 8,9
Álvaro de Almeida Professor (EMEF) - Valparaíso/SP - 8,6

Anos Iniciais/Rede Estadual
Engenheiro Marcio Aguiar da Cunha (EE) - Ipatinga/MG - 8,4
Doutor Arthur Bernardes (EE) - Sete Lagoas/MG - 8,3
Teodomiro Caldeira Leão (EE)- Aricanduva/MG - 8,3
Professora Carlota de Negreiros Rocha - Marília/SP - 8,3
Escola Estadual Professor Gilberto Mestrinho - Beruri/AM - 8,2

Anos Finais/Rede Municipal
Coração de Jesus (EMEIF) - Coreaú/CE - 7,4
Antônio de Paula Pessoa Figueiredo (EEF) - Massapê/CE - 7,3
Escola Municipal Pastor Hans Muller - Joinville/SC - 7,2
Santa Cruz (EMEF) - Farroupilha/RS - 7,2
Professora Maria Glaucineide Firmiano da Silva (EEIF) - Pentecoste/CE - 7,0
Francisco Alvares Florence (EMEF) - Novo Horizonte/SP - 7,0

Anos Finais/Rede Estadual

Escola de Aplicação do Recife (Fcap-UPE) - Recife/PE - 8,5
Colégio Tiradentes Polícia Militar de Minas Gerais - Patos De Minas/MG - 7,2
Colégio da Polícia Militar de Goiás - Unidade Dr. Cezar Toledo - Anápolis/GO - 7,2
Escola de Aplicação Professor Chaves Nazaré da Mata/PE - 6,9
Escola de Aplicação Professora Ivonita Alves Guerra - Garanhuns/PE - 6,9%u200B

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