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Arte

O ritmo do funk e do rap chega à sala de aula para jovens

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postado em 30/09/2016 18:18

Portal MEC /MEC

Uma iniciativa tem transformado a realidade de jovens e adultos estudantes das escolas públicas de São Paulo. A partir da experiência vivida pelo músico Alex dos Santos, mais conhecido como Lemaestro, os ritmos do funk e do rap invadiram a sala de aula, com um novo conceito: a educação da ostentação. Lemaestro encontrou na semelhança com o funk ostentação a alternativa para criar rimas que falam da importância de frequentar a escola, por exemplo.

 

“A gente criou esse conceito, já que hoje, no meio dos jovens, principalmente jovens de periferia, tem muito essa coisa de ostentar o cordão, o tênis de R$ 1 mil”, diz o músico. “Mas, a gente acredita que, para o jovem ter uma vida de qualidade no futuro, ele precisa ostentar a melhor nota na escola, o melhor comportamento, os melhores projetos e empreender para que, um dia, ele consiga ter todas essas coisas e uma vida de dignidade.”

 

Lemaestro, 28 anos, fala com total propriedade das situações que narra em seus versos. Vindo de uma família que enfrentou o uso de drogas e o alcoolismo, ele parte de sua história para alcançar a juventude. “Com 16 anos, no ensino médio, entrei no mundo das drogas, fiquei oito anos dependente de cocaína e fui hospitalizado algumas vezes”, diz. “Até que resolvi buscar ajuda, em uma casa de recuperação. Lá, com a música, com o rap, pensei em usar esse talento para causar transformação quando estivesse aqui, do lado de fora.”

 

Foi exatamente isso que Lemaestro fez. O primeiro passo uniu música e esporte, ao ritmo do rap. Depois, os projetos cresceram e novas oportunidades foram surgindo. “Do lado de fora, então, comecei um projeto com o skate, de rap. Aí, encontrei o Eduardo Lyra, que na época estava fundando o projeto Gerando Falcões”, explica. “Começamos a caminhar juntos, criamos os MCs pela Educação e, a partir daí, começamos a levar essa proposta para dentro das escolas.”

 

Eduardo Lyra, jornalista, é autor do livro Jovens Falcões, um dos roteiristas do filme Na Quebrada, de Fernando Grostein Andrade, e fundador do Instituto Gerando Falcões, que inspira jovens de periferia por meio da arte, música e literatura. No livro, Lyra entrevista jovens brasileiros que superaram dificuldades e conseguiram se destacar no meio profissional.

 

Nas palestras aos estudantes, Lemaestro conta sua história e reforça a importância de o jovem estudar. “Quando começamos a valorizar a educação, entendemos o valor que ela tem e seu poder de transformação”, afirma. “Fui para faculdade para fazer sociologia e vou aprender inglês.’’

 

Influência

Hoje, efetivamente, Lemaestro cursa sociologia. Ele exerce tanta influência com os jovens que, em 2014, foi escolhido, em iniciativa do Fórum Econômico Mundial, como um dos jovens paulistas de até 30 anos com potencial para mudar o mundo. Ele segue no grupo MCs pela Educação, um dos eixos do Instituto Gerando Falcões, no qual atua como coordenador de arte e cultura. O instituto tem sede no município de Poá (114,6 mil habitantes), na Grande São Paulo, onde o músico nasceu e cresceu.

 

“Acho que é possível mudar nossa realidade, planejar nosso futuro e garantir um lugar de sucesso na sociedade a partir da valorização da educação”, diz. “Então, a inspiração vem de querer transmitir essa mensagem, com mais clareza possível. E eu penso muito no outro, penso muito nos jovens. Penso muito naquilo que ele pode ser e para onde ele pode ir.”

 

Para Lemaestro, o caminho é a educação. Ela é a motivação para que todos busquem seus objetivos e comemorem suas realizações. “Eu tento colocar nas letras informações que vão deixar esses jovens antenados para que eles possam correr atrás do sonho deles, daquilo que eles querem a partir da letra daquela música”, afirma. “Minha inspiração são os jovens, querer ver o bem, a inspiração no amor pela causa.”

 

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