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Correio Braziliense

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Secundaristas têm dia de reflexão em fórum sobre gestão de escolar

Com análise profunda de dados e ajuda de profissionais na área, estudantes do ES produzem peças artísticas que definem posicionamentos no ambiente estudantil

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postado em 22/11/2016 18:47 / atualizado em 23/11/2016 10:29

Talita de Souza *

Durante o fórum Diálogo sobre gestão escolar, que começou na última segunda-feira (21) e termina nesta terça-feira (22) em Guarapari, no Espírito Santo, 300 alunos capixabas ganharam a oportunidade de ouvir, refletir, compartilhar experiências e opinar sobre medidas que afetam o ambiente escolar. Os estudantes de ensino médio participantes são líderes de grêmios ou novatos em política escolar debateram sobre as dificuldades e criaram trabalhos artísticos que expressam soluções

 

Na tentativa de buscar meios para extinguir problemas, os alunos precisaram analisar as dificuldades que as propostas poderiam trazer. Para ajudar nesse processo, os alunos participaram de uma oficina de cartografia afetiva, na qual uma planta baixa de uma escola fictícia foi apresentada aos grupos de alunos, divididos de acordo com a oficina em que se interessaram -- letra e rima, carta-documento, cartaz, vídeo-reportagem, rádio e fanzine. Os espaços apresentados no mapa da escola são analisados pelos alunos: sala de aula, portaria, quadras, laboratório, biblioteca, banheiros, pátio, refeitório, sala do grêmio, secretaria, sala de professores. Adesivos com reações do Facebook são distribuídos, e cada um deve analisar um local de acordo com a realidade da escola em que estuda, colar o adesivo e justificar a escolha.

 

"Eu coloquei a reação de raiva, bolado, no laboratório da escola, porque é para fazer experiências científicas, de química e física, e só tem livro e projeto antigo para exposição, não uso para nada", conta João Vitor, 19 anos, aluno do 3º ano da Escola de Ensino Fundamental e Médio Ari Parreiras. João afirma que a atividade abriu a visão dele para entender o colégio onde estuda escola e imaginar o ambiente ideal. "Acho que todos da escola tinham que estar aqui ouvindo isso, isso dá uma ideia muito grande sobre relação estudante-escola, faz entender que a escola é feita por nós. Que devemos entender o que está ruim e correr atrás de melhorias, seja falando com a diretoria, seja direto com o governo", conta João.

 

Com as dificuldades reconhecidas, os alunos formulam o desafio principal da escola e debatem entre si medidas para solucioná-lo. Os alunos escrevem no mapa a solução usando algum dos valores presentes em uma gestão escolar participativa; são eles: transparência sobre gastos e decisões tomadas, liderança que ouve a todos, equidade que trata o diferente como diferente para todos terem o mesmo nível de aprendizagem, atitude de corresponsabilização para conservar o ambiente escolar e participação diária de estudantes com opinião.

 

O grupo de Rayssa Nascimento, 16 anos, aluna do 1º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio São João Batista, escolheu os valores de participação e liderança para solucionar as barreiras na gestão. "Nosso grupo viu que o pior problema de nossas escolas é a comunicação. Minha escola tem um grande defeito de não ouvir as pessoas e resolver tudo entre eles, então é preciso uma iniciativa de liderança nossa. Minha professora de química entrou de licença-maternidade e deixou um trabalho para nós. Eu precisava de um material que faltava, uma tabela periódica, e ninguém pôde me dar nem resolver meu problema. Foi horrível", desabafa Rayssa. A aluna faz um balanço positivo do encontro. "Foi a melhor experiência que a escola me proporcionou. Em cinco anos na mesma escola, nunca tive um lugar em que fosse ouvida e levada a sério, sempre foi uma gestão que não valorizava minha voz. Espero que, de agora em diante, seja diferente", conclui.

 

Oficinas
Isabella Morais Rosa, 16 anos e Laís Vanielly, 16, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Florentino Andosi, participaram da oficina de cartaz. "A gente faz cartaz sempre, na escola para apresentar um trabalho ou em outra situação, por isso escolhemos, para nos capacitar", conta Isabella. A oficina superou as expectativas delas. "Pensava que viria aqui e faria um cartaz de acordo com o que eles falaram, mas eles nos deixam escolher, só ensinam a técnica, que é escrever desenhar carimbando com borrachas. Somos livres", afirma Laís, sorrindo.

 

Os amigos do 2º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria Penedo optaram por fazer a atividade de criação de fanzines. "Não sabíamos o que era, o fácil não me interessa, vi que tinha pouca procura e me inscrevi. Achei muito legal registrar meus pensamentos em um livro feito por nós", conta Iuri Bruno de Oliveira, 15 anos. Eles revelam que pensaram que o evento seria chato, mas foram surpreendidos. "Hoje tivemos vários eventos para nos conhecer melhor e debater pensamentos, nos reunir com pessoas que não conhecemos e decidir. Vi que não é fácil ser diretor, mas percebi que há muitos erros, como não ter porta na sala, nem uma voz ativa nossa, vamos voltar e mudar", diz Nathália Santana, 16 anos. "Eu também, pensava que seria só palestra, mas 'uau '. Isso aqui será inesquecível. Foi muito legal o que vivemos aqui", afirma Anna Beatriz Senna, 16 anos. Juntos, os alunos planejam mudanças na escola. "Vamos voltar e marcar uma reunião para começar a organização do grêmio estudantil, que não temos ainda", antecipa Carolina Corrêa, 17 anos.

 

 

 

Jovem de Futuro

O encontro no Espírito Santo é o último do ciclo de fóruns realizados nos estados parceiros do projeto Jovem de Futuro (JF) – os outros quatro são Piauí, Pará, Ceará e Goiás. Essa é a primeira ação da iniciativa JF direta com estudantes. Os alunos que participaram foram escolhidos de maneira especial. “Aqui, a Secretaria de Educação teve um processo de escolha diferente e buscou selecionar de forma a reunir a maior diversidade possível, de raça, gênero e orientação sexual. Nos outros estados, as secretarias receberam sugestões dos diretores das escolas. Para nós, o importante é os alunos estarem aqui e se proporem a ter o diálogo conosco”, conta Deusiane Paiva, coordenadora da área de Formação e Aprendizagem do Instituto Unibanco, responsável pelo projeto.

O JF tem foco em formação de gestores e é uma ferramenta educacional desenvolvida para estimular o aprimoramento contínuo da gestão escolar, a fim de melhores resultados na aprendizagem dos alunos e reduzir as desigualdades educacionais de escolas públicas de ensino médio. Oferece diferentes instrumentos para dar suporte ao trabalho de gestão das escolas, como assessoria técnica, formação, análises educacionais, tecnologias, metodologias pedagógicas.

Professores, diretores, coordenadores, regionais de ensino e secretarias de educação passam por uma formação de um ano para que sejam agentes ativos no processo educacional. O modelo de gestão tem cinco princípios e valores: participação, altas expectativas e valorização, respeito a contextos diversos, necessidade de inovar e equidade. A ideia é que cada escola exerça uma gestão de acordo com aprópria realidade, sem receitas prontas.

Para participar, os estados interessados procuram o instituto e firmada a parceria. “Geralmente, são formados dois grupos de escolas: de controle e de intervenção. Em sorteio público com a presença dos gestores educacionais, são sorteadas as escolas que farão parte de cada grupo. As escolas de controle não recebem uma intervenção direta do projeto, mas são monitoradas e estudadas, até que, depois de dois anos, entrem para o grupo de intervenção. "Queremos que as secretarias se apropriem do método e continuem a procurar uma gestão cada vez melhor, independentemente da ação do instituto", conclui Deusiane Paiva.

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa

 
* Viajou a convite do Instituto Unibanco

 

 

Tags: educação

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