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Governo fará mudanças na Escola Parque

Secretaria pretende ampliar o período de atendimento no contraturno a partir do próximo ano no Plano Piloto. No entanto, número de estudantes atendidos cairá de 3,9 mil para 2,8 mil. Apenas 17 escolas classes estão na lista organizada pela pasta

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postado em 30/11/2016 18:41

Douglas Carvalho , Thiago Soares

Marcelo Ferreira

Idealizadas para complementar a educação básica no Distrito Federal com atividades no contraturno, a tradicional Escola Parque passará por mudanças a partir do próximo ano. O objetivo, segundo a Secretaria de Educação do DF (SEDF), é que os estudantes das escolas classe sejam atendidos em atividades durante mais dias na semana. No entanto, o atendimento vai diminuir de 3,9 mil para 2,8 mil alunos, de 17 escolas (veja a lista).

O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da SEDF, Fábio Pereira de Souza, explica que, das 38 escolas classes atendidas por atividades das escolas parque, apenas alunos de 17 instituições passarão a ser contemplados. Ele alega que essa é uma maneira de retomar o plano original desenvolvido por Anísio Teixeira, pois, dessa forma, os estudantes passarão a ter aulas no contraturno diariamente. “Estamos resgatando a política da escola no DF. Com o tempo, ela passou a atender em um único dia da semana e no mesmo horário de aula. Os estudantes passaram a perder as atividades regulares, e essa não é a intenção do plano de educação do DF”, detalha.

Ele defende que a redução do número de discentes atendidos não prejudicará a rede, uma vez que esse atendimento ocorrerá de forma integrada e com a garantia de as atividades serem mantidas no turno oposto ao das aulas regulares. O modelo seguiria o que já é praticado nas unidades parques de Ceilândia e de Brazlândia. “Lá, os pais de alunos optam por inscrevê-los. No Plano Piloto, será da mesma forma. Teremos a garantia de vagas no contraturno e os responsáveis poderão escolher se os filhos serão matriculados na Escola Classe”, afirma. “Acreditamos que, com o aluno indo todos os dias da semana, teremos mais oportunidades de trabalhar as habilidades dele”, completa.

Pais e escolas ainda não foram informados oficialmente das mudanças. Questionados sobre a possibilidade de alteração do modelo no ano que vem, eles mostraram ter opiniões diferentes. A mãe de Calebe, 8 anos, a empregada doméstica Leidiana Nunes Almeida, 39, aprovou a medida em razão da correção do choque de horários. “As atividades ocorrem no horário de aula normal, ou seja, às terças ele só estuda na Escola Parque. Seria muito melhor se as atividades fossem diárias e no horário oposto ao da Escola Classe”, opina. O menino é aluno da Escola Classe 411 Norte e tem atividades na Escola Parque 210/211 Norte, atendimento que será mantido no ano que vem.

A catadora de materiais recicláveis Maria Aparecida Bezerra, 30, acredita que o fim das atividades poderá prejudicar a filha Maria Clara dos Santos, 9, que estuda na Escola Classe 115 Norte. A instituição não será contemplada na mudança. “Minha filha adora as aulas de educação física e artes. São uma ótima ocupação e ela se diverte bastante”, lamenta. O presidente do Conselho Escolar da unidade, Federico Vazquez, 45, endossa o discurso e reclama da falta de diálogo da Secretaria de Educação com a comunidade. “A secretaria sempre impõe as decisões, não há diálogo. Nem mesmo repassou aos docentes como vão ocorrer as transformações ou se haverá período de transição”, diz o dirigente, também pai de uma aluna do 5º ano da escola.

Também empregada doméstica, Maria Isolândia, 42, afirma que o fim das aulas não será ruim, isso porque ela desembolsa R$ 70 todo mês pelo transporte escolar do filho. “Se acabar a Escola Parque, não mudará muita coisa na vida dele. O valor representa uma parte importante do que eu ganho. Não compensa pagá-lo se pouco acrescenta à formação do meu filho.”

História
A modelo de Escola Parque foi idealizado pelo educador Anísio Teixeira. Nos planos do especialista, a escolarização da capital do país começaria no jardim de infância, para crianças de 4 a 6 anos, e continuaria na Escola Classe, frequentada por alunos de até 14 anos. Nesse período, as atividades letivas seriam complementadas nessas unidades denominadas Parque. A proposta era de um sistema de contraturno em que os estudantes praticariam atividades artísticas, culturais e esportivas.

O nome Parque foi usado de forma estratégica para que a unidade fosse considerada um local de recreação. O projeto também se insere no modelo de unidade de vizinhança do Plano Piloto de Brasília, onde uma quadra comportaria escolas, igrejas e postos de saúde. “A ideia de Anísio Teixeira deveria se adequar ao plano urbanístico de Lucio Costa. A cada quatro quadras, deveria haver uma escola parque para as classes mais próximas”, detalha a professora emérita de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB) Eva Waisros, pesquisadora da história da educação no DF. O que ocorre hoje, segundo ela, é diferente do modelo proposto por Anísio Teixeira. Nas cinco escolas parques espalhadas pelo Plano Piloto, nem sempre os alunos são assistidos diariamente ou no horário contrário ao da aula. “Há alunos que têm somente uma ou duas horas por semana de aulas complementares. Além disso, o plano original previa a contemplação de estudantes de todo o DF”, explica Eva.

Atendimento em 2017

Veja quais escolas classes terão alunos atendidos nas cinco escolas
parque do Plano Piloto

» Escola Parque 210/211 Norte — Escola Classe Aspalha; E.C. da Vila do RCG; E.C. 411 Norte; E.C. 405 Norte
» Escola Parque 303/304 Norte — Escola Classe 407 Norte; E.C. 403 Norte; E.C. 302 Norte; E.C. 5 do Cruzeiro
» Escola Parque 210 Sul — Escola Classe 204 Sul; E.C. 305 Sul
» Escola Parque 308 Sul — E.C. 413 Sul; E.C. 111 Sul; E.C. 209 Sul; E.C. 308 Sul
» Escola Parque 313/314 Sul — E.C. 314 Sul; E.C. 114 Sul; E.C. 8 do Cruzeiro

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