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Lutadores de MMA defendem ensino de artes marciais nas escolas

Em debate na Subcomissão de MMA da Comissão do Esporte, deputados divergiram sobre a inclusão desse tipo de luta no currículo escolar

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postado em 01/12/2016 18:49

Lutadores de MMA (Mixed Martial Arts ou Artes Marciais Mistas, em português) defenderam nesta quinta-feira (1º) a inserção do ensino de artes marciais nas escolas. Durante audiência pública da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, o lutador Antônio Nogueira, conhecido como Minotauro, afirmou que a prática das artes marciais traz valores como educação, disciplina e competitividade, que serão cobrados no mercado de trabalho.

 

Minotauro também afirmou que a prática de lutas cresce muito nas comunidades. Ele disse que dirige um projeto em uma comunidade carioca que conta com 950 participantes. E citou o caso de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, onde o jiu jitsu é uma disciplina nas escolas públicas. “Lá eles trabalham isso com as crianças, mesmo sendo uma luta mais desenvolvida no Brasil. Há mais de mil professores dessa arte marcial trabalhando lá”, disse.

 

O ex-lutador Carlos Barreto, que agora é comentarista do canal Combate, considerou que o MMA tem aptidão para ser um esporte praticado em todo o País, porém ele ressaltou que é “preciso ter um olhar mais técnico para que essa prática seja saudável”. Ele concordou que a prática da atividade influencia na formação do caráter dos praticantes. “Com a inclusão dessas lutas nas escolas, estaremos formando campeões, não do tatame, mas da vida”, concluiu.

 

Valores do MMA Um dos autores do requerimento da audiência, o deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), disse estar procurando formas de desvincular o MMA do conceito de violência. “Precisamos reconscientizar a população. Mostrar os valores passados, os treinos, o outro lado. E não só as lutas. Há um preconceito com o MMA que não se tem com o caratê e o judô, por exemplo”, afirmou.

Segundo o deputado, o motivo pelo qual os Estados Unidos é uma potência olímpica é a existência do esporte na grade estudantil das crianças. Mitidieri disse que o Brasil precisa mudar sua tradição de investir em clubes e passar a investir nas escolas.

 

Porém, o deputado José Mentor (PT-SP) é contrário à proposta de que se ensine o MMA nas escolas. Para ele, isso seria um incentivo à violência. “Defendo o caratê nas escolas, judô nas escolas, mas o MMA, não”, disse. O deputado afirmou que a modalidade não pode ser considerada um esporte por não garantir a integridade física sensorial dos praticantes.

 

“As artes marciais prezam o respeito, o autocontrole. Já o MMA preza a velocidade, a habilidade, a força. Não acho que pode ser considerado um mix de artes marciais. Na verdade, eles juntam todas as proibições das artes marciais. O judô, por exemplo, proíbe agressões no rosto”, disse Mentor.

 

Ele também destacou os casos de lutadores que quebraram ossos ou ficaram paraplégicos devido à prática da luta. “Ou machuca quem deu o golpe, ou quem recebeu, mas machuca alguém”, afirmou o deputado.

 

 

Por outro lado, o lutador Minotauro disse que é muito maior o número de casos de fratura no futebol do que no MMA, e que nem por isso o futebol é considerado um esporte violento. “Não é um esporte violento, é um esporte extremo. Comparo ele ao surf. Tem os que se arriscam a surfar as ondas grandes, e tem o surfista normal que faz por lazer”, declarou.

 

Requisitos para professores
O deputado Fábio Mitidieri propôs um debate para avaliar se um lutador, graduado em alguma arte marcial, precisaria ou não de diploma em educação física para poder dar aulas. “Às vezes, ele entende da luta, mas não sabe de fisiologia. Não sabe quanta atividade física uma pessoa pode fazer”, disse.

 

O relator da comissão, deputado João Derly (Rede-RS), que já foi campeão de judô, disse que o profissional de educação física pode trabalhar também com as artes marciais. “Ainda não está bem definido a carga horária da educação física. As artes marciais poderiam ser um grande complemento, devido às questões morais que elas ensinam”, afirmou.

 

João Derly contou que, em 2005, quando foi campeão, falou em entrevista que sonhava com o dia em que o judô fosse ensinado nas escolas. “Comecei quando era criança. O judô transformou minha vida”, disse.

 

O coordenador de Inclusão Social do Ministério do Esporte, Célio Rene, concordou com o deputado. “As artes marciais possuem um elemento educador, mas não conseguimos fazer com que enxerguem esse potencial que elas têm”, considerou. Ele também disse que é preciso articular com o Ministério da Educação para que se viabilize essa inserção.

 

Agência Câmara

 

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