EDUCAÇÃO

DF é o segundo lugar em ciências no Pisa no Brasil

Resultado de todas as unidades da Federação em avaliação internacional foi divulgado ontem, e a capital federal ficou atrás apenas do Espírito Santo. A Secretaria de Educação, no entanto, vê necessidade de melhorar o desempenho nos próximos anos

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postado em 06/12/2016 20:02 / atualizado em 06/12/2016 20:45

Entre as 27 unidades da Federação, o Distrito Federal ficou na segunda colocação na avaliação de ciências do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), atrás apenas do Espírito Santo. Essa foi a área em que o exame, aplicado a cada três anos, focou nas provas de 2015. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) e mostraram que o Brasil caiu no ranking do teste, que inclui 35 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), coordenadora do estudo.

No Brasil, mais de 23 mil estudantes de 841 escolas em todas as unidades da Federação fizeram as provas. Representaram o Distrito Federal 28 escolas, com 907 alunos aptos a fazerem a avaliação. A coordenação nacional é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que divulgou os dados locais.

A pontuação média do DF em ciências foi de 426 pontos — 25 acima da média nacional, mas ainda abaixo do escore bruto médio alcançado pelos países da OCDE, de 493 pontos. Em leitura, os estudantes brasilienses ficaram com 430 pontos, contra 407 na média nacional, o que equivale à quarta colocação no país. A pior colocação da capital federal foi em matemática, o quinto lugar entra as unidades da Federação: 396 pontos, comparados a 377 da média nacional. Brasília também teve a segunda maior média de acertos do país, foram 35.8%. A média do Brasil ficou em 30,6%.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Para o subsecretário de Educação Básica do DF, Fábio Pereira de Sousa, apesar da boa colocação nacional dos estudantes de Brasília, ainda há muito a melhorar. Na avaliação dele, os índices elevados de distorção idade-série afetam o desempenho no teste internacional, uma vez que o recorte do Pisa não é por etapa do ensino mas, sim, por faixa etária.


Participam do levantamento estudantes de 15 anos e três meses a 16 anos e dois meses de idade, matriculados a partir da 7º ano do ensino fundamental. Isso significa que estudantes que acumularam defasagens ao longo da trajetória escolar e não estão na série adequada para a idade também responderam o teste. “Nós temos alunos muito defasados. O nosso objetivo, agora, é trabalhar justamente nesse avanço de aprendizagens para o próximo ano”, revela Sousa.

Mudanças

O Conselho de Educação do Distrito Federal aprovou, segundo o subsecretário, o programa de avanço de aprendizagens proposto pela Secretaria de Educação do DF. A partir de 2017, estudantes com dois anos ou mais de defasagem de idade em relação à série poderão se matricular em um curso específico para recuperar o aprendizado que não tivr sido obtido pelos mais diversos motivos. Entre eles, Fábio Pereira de Sousa elenca o abandono escolar, a dificuldade de se matricular e de chegar à escola, principalmente para os estudantes que vêm do Entorno.

Outro ponto que o subsecretário de Educação Básica acredita que poderá impactar positivamente o desempenho do DF na próxima avaliação internacional, em 2018, é o incentivo da participação dos estudantes nas olimpíadas do conhecimento e no Circuito de Ciências das escolas da rede pública de ensino do DF, que ocorreu na última semana, no Parque da Cidade. Este ano, alunos da capital federal garantiram 13 medalhas de ouro na 11ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

A intenção do Pisa com foco em ciências era avaliar conhecimento de conceitos e teorias e de procedimentos e práticas comuns associadas à investigação científica. A avaliação internacional levou em consideração ainda que um jovem letrado cientificamente demonstra capacidade de refletir e de se envolver num diálogo crítico sobre assuntos relacionados a ciência e tecnologia, bem como de ter a compreensão de como a ciência é construída.

Os resultados nacionais não foram animadores. “Os resultados do Pisa 2015 mostram uma realidade aguardada por muitos sobre a atual situação do ensino em nosso país: o Brasil continua na rabeira da educação mundial”, avalia Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, logo após a divulgação dos primeiros dados da avaliação. “Assim como nas edições anteriores, ficamos bem abaixo da média dos países da OCDE, com pouca evolução ao longo das últimas edições da prova. O desempenho em leitura e ciências simplesmente não se alterou e, em matemática, houve inclusive uma queda na performance dos estudantes brasileiros em comparação com a avaliação feita em 2012.


Nem mesmo a comparação com outros países da América Latina é positiva. “Colômbia, México e Uruguai alcançaram, em 2015, resultados melhores que o do Brasil, mesmo apresentando investimento médio por aluno menor que o nosso. Portanto, o Pisa nos dá uma bela lição. Colocar mais recursos é necessário, mas não basta. É preciso ter foco e geri-los adequadamente. E investir na qualidade do professor é, de longe, o maior diferencial”, finalizou Mozart.

Dados do Pisa

Confira o desempenho do DF em comparação com a média nacional e a dos países da OCDE

Pontuação média na avaliação de ciências


401 pontos - Brasil

493 pontos - OCDE

426 pontos - DF



Pontuação média na avaliação de leitura

407 pontos - Brasil

493 pontos - OCDE

430 pontos – DF


Pontuação média na avaliação de matemática

377 pontos - Brasil

490 pontos - OCDE

396 pontos - DF