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Correio Braziliense

GDF nega pedido para suspender mudança nas escolas parques

Atendimento vai diminuir de 3,9 mil para 2,8 mil alunos, de 17 escolas

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postado em 26/12/2016 19:59 / atualizado em 26/12/2016 23:19

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 

Pais, conselheiros escolares e representantes de entidades ligadas à educação pediram, nesta segunda-feira (26), a suspensão da decisão da política de atendimento das escolas em tempo integral utilizando as cinco escolas parques do Plano Piloto, para que a comunidade escolar possa discutir com o governo o novo modelo. Em reunião com o grupo, o secretário de Educação, Júlio Gregório, negou o pedido. A mudança dessa rede, que complementa a educação nas escolas classe atende atualmente a 12 mil crianças, reduzirá o atendimento apenas para crianças no primeiro ciclo do ensino fundamental atendidas em tempo integral.

Clara Machado, mãe de uma aluna, disse que durante a reunião o secretário e outros responsáveis foram “bem inflexíveis”. “O secretário, inclusive, sugeriu que a gente procurasse a Justiça, pois voluntariamente nada seria mudado. E esse é o caminho que buscaremos agora”, informou. Clara relatou que o grupo quer que a medida seja suspensa para que possa ser discutida e ajustada com a comunidade escolar, “de acordo com uma gestão democrática”. A filha de Clara tem seis anos e terminou o primeiro ano na Escola Classe da 304 Sul. Com as mudanças, não terá mais acesso a atividades da escola parque.

 

Em novembro deste ano, a Secretaria de Educação anunciou as mudanças que visam o início do ensino integral em algumas escolas classes. No entanto, o atendimento vai diminuir de 3,9 mil para 2,8 mil alunos, de 17 escolas. “A previsão é que em 2017 sejam atendidas 17 escolas, cinco dias por semana e no turno contrário ao das aulas, sob o regime da educação integral”, informou a pasta, em nota.

O Sindicato dos Professores, conselheiros educacionais, a Associação de Arte-Educadores e pais de alunos se uniram contra as mudanças. Eles alegam que o modelo proposto pelo GDF não atende aos requisitos de educação pública integral de qualidade “por excluir muitas crianças e não oferecer alternativas à formação com arte e educação física”.

Os pais alegam, ainda, que o GDF não apresentou os critérios de escolha, nem estudos de vulnerabilidade social ou dados que embasassem os motivos da mudança. O grupo afirma também que os alunos excluídos da escola parque estarão sem acesso a bens culturais do DF e à formação com professores especializados, com perda de qualidade para o ensino.

 

Veja a íntegra da nota da secretaria:

 

"A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informa que funcionam no Plano Piloto 5 unidades da Escola Parque.

 

A pasta ressalta que, em 2016, foram atendidas 36 Escolas Classes nas Escolas Parques, tendo essas unidades escolares recebido essas atividades em um dia na semana, no horário de aula, embora não estivessem sob o regime de Educação Integral. A previsão é de que em 2017 sejam atendidas 17 escolas, 5 dias por semana e no turno contrário ao das aulas, sob o regime da Educação Integral.

 

Em 2016, 12 Escolas Classes ofereceram atendimento integral aos estudantes, sendo seis delas recebendo diariamente todos os alunos, com  períodos de 10h diárias, e outras seis para apenas parte de seus estudantes, entre 7h e 9h diárias. Para 2017, a previsão é de que 17 Escolas Classes ofereçam o atendimento integral, com a criação da Rede Integrada de Educação Integral da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro. Em 2016, a integração atendeu 1,6 mil estudantes. Em 2017, a previsão é que sejam atendidas 2,8 mil crianças em Educação Integral.

 

Dentro dessa perspectiva, as novas políticas públicas de ampliação e democratização do acesso permitiram que a Escola Parque despontasse novamente no cenário da cidade, referenciando a proposta inicial criada pelo educador Anísio Teixeira, como espaço formativo de direito, uma escola integrada socialmente à comunidade que dela necessita e que possa fazer a diferença na vida dos estudantes."