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Correio Braziliense

Estudantes marcam presença em votação da Câmara Legislativa sobre passagens

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postado em 12/01/2017 17:49 / atualizado em 16/01/2017 18:30

A tão aguardada votação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que poderia barrar o aumento no preço das passagens, definido pelo governador Rodrigo Rollemberg, ocorreu na tarde desta quinta-feira (12), e foi marcada pela presença de estudantes entre os manifestantes que ocuparam a galeria da CLDF e se concentraram também no exterior do prédio. No fim da tarde, o resultado veio a contento: por 18x0, os distritais derrubaram o aumento.

 

Amarildo Castro/CB/D.A Press

 

Estudantes comemoram no local pacificamente. O Movimento Passe Livre fez uma intervenção artística em que um jovem carregou uma pesada catraca, que simboliza a cruz que pesa sobre os ombros da população brasiliense: o alto preço das passagens do transporte público. 

 

O homem que carrega a catraca sobre os ombros na encenação é o professor de artes Marco Paulo Lima, que também integra o Movimento Passe Livre. Ele explica que a performance faz parte da manifestação que reinvindica, além da diminuição do valor das passagens, melhorias gerais no transporte público. "Quando o governo decide aumentar a tarifa em R$ 2 no período de dois anos, ele está prejudicando a classe C, D e E. Nunca parei de trabalhar, então não tenho que pagar por essa crise", protesta. Segundo o professor, o decreto foi derrubado com ajuda da pressão de estudantes e trabalhadores. "O posiciomaneto da Câmera é resuldado da mobilização popular", diz.

 

Wenderson Oliveira/Esp. CB/D.A Press
 

 

"A luta contra o aumento do preço das passagens é antiga. O Movimento Passe Livre vem, há mais de 10 anos, pautando a tarifa zero e o transporte livre de verdade. Com o aumento recente, a luta se espalhou pela sociedade e aconteceu, muitas vezes, sem o Movimento Passe Livre tomar a frente. As pessoas começaram a convocar atos nas cidades. O aumento é ruim para todo mundo, porque a população não tem condição de pagar", comenta Bianca, estudante associada ao Movimento Passe Livre que prefere não revelar o sobrenome.

 

"A articulação foi feita para levar as demandas de cada cidade ao transporte público. Foi a partir disso que as pessoas se uniram para comparecer hoje no dia da votação para barrar o aumento. A Câmara Legislativa rapidamente se posicionou contra o aumento, mas a gente observa que os interesses desse pessoal são diferentes dos interesses da população, a medida em que a Câmara propõe o corte do passe livre dos estudantes da rede particular e dos idosos. São medidas que vão no sentido de corte de direitos", afirma Bianca.

 

 

Apesar de os jovens comemorarem a decisão dos distritais, cobram mudanças e melhorias. "O passe livre estudantil é uma conquista, que o governo vem tratando como esmola, como algo a oferecer como moeda de troca por voto, mas é um direito que a gente tem. Como está atualmente, não é algo que nos contempla, pois é um direito, mas é restrito: tem restrição de acesso, de número de linhas, dos dias de uso. Nesse sentido, falta muito ainda para ter um passe livre estudantil que seja livre de verdade", observa Bianca.

 

"Faço uso do passe livre, mas, muitas vezes, no fim do mês falta, ou o cartão dá problema, ou é bloqueado e preciso completar. Além disso, o processo de atualização desse cartão é muito problemático. A forma como ele funciona mostra como o governo tem necessidade de dificultar o acesso da população a direitos. Não é fácil conseguir o passe livre, e vir com essa proposta de barrar esse direito para pessoas de escolas particulares não resolve. As pessoas que pegam fila para atualizar o cartão são pobres. Gente rica, que não precisa disso, não vai atrás de passe livre. Quem utiliza é porque precisa mesmo", diz a filha de uma funcionária terceirizada e de um comerciante, que passam três horas no ônibus todos os dias para chegar ao trabalho.

 

Ela também reclamou da qualidade do transporte. "Passamos uma humilhação dentro de uma lata de sardinha que, muitas vezes, quebra e nos faz nos atrasar para estudar ou trabalhar."

 

A expectativa de que a Câmara Legislativa ficasse lotada de manifestantes não se cumpriu. Um dos motivos pode ter sido a forte chuva que caiu na tarde desta quinta-feira (12). Apesar do reforço policial no local, não houve confusão.

 

 

 

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa