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Atenção aos sinais de desânimo

Resistência em voltar para a sala de aula deve ser avaliada com cuidado pelos pais. A recusa pode ter causas simples, como muito apego à família, ou mais graves, como ofensas por parte dos colegas

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postado em 20/01/2017 19:13 / atualizado em 20/01/2017 19:25

Jhonatan Vieira
Crianças e adolescentes têm diferentes motivações para frequentar a escola. Os menores são movidos pela novidade, pelo convívio com os colegas e até mesmo pela vontade de usar pela primeira vez o material escolar. Já os adolescentes costumam ser influenciados pelo contato com grupos sociais diferentes. Procuram estar próximo de pessoas com as quais se identificam e, por isso, aguardam a volta às aulas para rever amigos. Existem os casos, no entanto, de estudantes que rejeitam o ambiente escolar. Seja no fim das férias ou ao longo do ano, o desânimo para estudar, a recusa em ir para a escola e a criação de motivos para ficar em casa às vezes aparecem. Esses fatores são sinais importantes para acender o alerta aos pais, que precisam analisar o que está ocorrendo.

Os sinais variam dependendo da idade do estudante. Crianças pequenas deixam claro quando não gostam da escola. Choro, pedidos para ir para casa e recusa em seguir para a escola são alguns dos sinais. Já entre os adolescentes, a oposição em frequentar a escola pode vir por meio de faltas não informadas aos pais, fuga durante o horário de atividade ou evasão. O fato de o estudante demonstrar não ter interesse em frequentar a instituição de ensino é um indício de que algo está errado. A psicóloga Alba Lúcia Martins, professora do Centro Universitário Iesb, afirma que os fatores que levam à rejeição à escola podem ser explicados por casos mais simples, como apego aos pais, ou podem ter como origem problemas mais sérios, como a hostilização por parte dos colegas, por isso, sempre é importante averiguar as causas.
 

“Não é comum que os estudantes rejeitem a escola. Quando se fala em crianças, essa rejeição é ainda mais rara, pois elas vão em busca de ambientes novos. Os pais devem acompanhar o filho na escola o tempo todo. Não se deve esperar o ano seguinte para saber como o estudante está se relacionando na instituição”, explica a especialista.

Nas primeiras séries do ensino fundamental, as escolas investem em jogos, músicas e desenhos. Essas atividades têm como objetivo acolher o estudante e repassar a mensagem de que a escola é um ambiente divertido e acolhedor. Mas nem tudo depende do professor. Além da escola, a família tem um papel importante na independência das crianças e no gosto pelos estudos. A autônoma Raiane Oliveira e o marido, Wesley de Paula Xavier, ambos de 28 anos, buscaram um ambiente acolhedor para matricular o filho, Állex Carlos de Paula, 6. Eles conseguiram uma vaga para o menino em uma creche pública em Samambaia, mas, ao chegar no local, o pequeno começou a chorar e durante vários meses se recusou a frequentar a instituição. “Assim que o colocamos lá, enfrentamos muita resistência. Ele chorava muito e não queria ficar. Os primeiros meses foram bem difíceis, mas com um tempo ele foi se adaptando”, conta Raiane.

Incluir Állex no processo de preparação para o início da aula é uma das estratégias que os pais usaram para a adaptação. “Sempre o levo para comprar o material escolar e isso ajuda na expectativa pelas aulas. Todos os anos ele escolhe uma mochila de um desenho que está na moda entre as crianças. Hoje, ele já convive bem com todos e, segundo a professora, até lidera a bagunça”, completa a mãe.

Maturidade
Na adolescência, os sinais são diferentes. Os estudantes conversam mais a partir do 5º ano do ensino fundamental e essa interação com os colegas aumenta à medida que as séries avançam. No entanto, em diversos momentos, as conversas podem ser um problema e motivar até mesmo faltas na escola. A estudante Nátali Danielly, 16, cursa o 2º ano do ensino médio e conta que já foi prejudicada por desviar o foco dos estudos. “Houve uma época em que eu tinha muitas amizades na escola. Eu faltava aula direto para ficar conversando, mas, com o tempo, criei mais responsabilidade”, conta. “Tive sorte de nunca ter reprovado na escola. Hoje, estou mais próxima dos professores e tenho os estudos como prioridade, até mesmo porque preciso me preparar para o vestibular.”

A professora Francimeire Rodrigues dá aulas de ciências para estudantes do 5º ano do ensino fundamental no Centro de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima, em Planaltina. A educadora destaca que o maior desafio em sala é lidar com os diferentes grupos. “Os adolescentes procuram pessoas com personalidades parecidas e formam grupos. Quem quer focar nos estudos procura pessoas que também têm esse objetivo. Já aqueles mais dispersos formam os grupos que atrapalham a aula. Nesses casos, eu procuro separar os estudantes que formam grupos que não focam nos estudos”, afirma. Para evitar que os estudantes se dispersem, ela procura ministrar aulas que exijam mais participação, seja para continuar a leitura que ela começou, seja para responder perguntas sobre o assunto abordado na aula. “Quem participa mais, ganha mais nota”, destaca Francimeire.

 

Para enfrentar o bullying


Quando mesmo diante do esforço dos pais e dos professores os estudantes continuam rejeitando a escola, é hora de investigar mais a fundo o que está acontecendo. Nos casos de bullying, por exemplo, muitas vezes a criança ou adolescente sofrem em silêncio, com medo de contar aos pais. Esse receio decorre do constrangimento de levar o problema para dentro de casa ou até mesmo de temer não ser compreendido pelos familiares.

Acompanhar a vida escolar dos filhos de forma frequente é importante para evitar o bullying. Essas situações normalmente levam à mudança de escola. Caso a família opte por manter o estudante na instituição, é importante um trabalho em consonância com a direção e o corpo docente. “Se o estudante permanece na escola em que sofreu hostilidade, deve haver um trabalho conjunto com os professores e alunos. Mas é papel dos pais conversarem sempre com os filhos e identificarem possíveis problemas do tipo”, alerta a psicóloga Alba Lúcia Martins.

A mudança de comportamento em casa pode dar dicas. A criança que não quer comer, fica triste durante o dia e conversa pouco pode estar sendo vítima de comentários ofensivos dos colegas. Se os pais notarem mudança de comportamento de crianças e adolescentes, é importante entrar em contato com o colégio, mesmo que por telefone. O ideal é falar com os professores, que conhecem a rotina de sala de aula.