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Correio Braziliense

MATERIAL ESCOLAR

Atenção na hora da compra

Alta nos preços dos itens pode chegar a 10%. Uma lista dos anos finais do ensino fundamental varia de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil. Para economizar, brasilienses organizam compras coletivas ou procuram sebos

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postado em 23/01/2017 20:21 / atualizado em 23/01/2017 20:55

Helio Montferre


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A poucos dias do início das aulas nas escolas particulares, entre 23 e 30 de janeiro,é momento de preparar o material escolar para a volta às aulas. Em época de crise, muitos pais e responsáveis se organizam para gastar menos. Este ano, os materiais sofreram reajuste de 5% a 7% se comparado a 2016. Os derivados de papel e produtos importados, como cadernos, mochilas e lancheiras, ficaram de 8% a 10% mais caros. Os dados são do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do Distrito Federal (Sindipel-DF). O preço médio de uma lista de material escolar para um aluno do 5º ao 9º ano do ensino fundamental varia de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil. Já os pais dos estudantes do 1º ano do ensino médio chegam a gastar em torno de R$ 2 mil. As divergências entre os produtos também chama a atenção e os preços podem variar até 20% dependendo da marca, segundo a Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa)

A servidora pública Wilma dos Santos, 47 anos, tem o costume de fazer um orçamento inicial e, depois, comparar com as ofertas dos sebos. Ela já conse- guiu descontos de até 60%. A de informações compartilhadas entre pais nas redes sociais, Wilma participou de feiras de troca e venda de livros neste ano. A aula da filha Wanessa dos Santos Vieira de Araújo, 14, co- meça em 30 de janeiro e a mãe se para concluir as compras. “Como sempre tento comprar livro usado, vou atrás de se- bos.

 

Tem um rapaz que conheço que também revende livros de forma itinerante. Às vezes, fica até mais barato que os próprios . Acredito que vou ter cerca de 50% de desconto”, afirma

Helio Montferre

No ano passado, Ana Cristina do Nascimento economizou cerca de R$ 650 com a compra de 10 livros didáticos em um sebo. Este ano, ela não pensou duas ve- zes. Moradora de Samambaia, a dona de casa levou a lista de material escola r e o filho Hélvio Júnior, 14, para ajudar a negociar os exemplares. Ana Cristina de- R$ 80 pelos livros de português e matemática, quando o valor atual de cada exem- plar é de R$ 280. “Vou deixar a lista aqui e depois ficar telefonando para ver se apareceram os outros livros. Vale muito a pena exemplares usados. Dá para fazer uma economia boa.”

Everaldo José Silva dos Santos, dono do sebo Casarão dos Livros há 11 anos, se esforça para conseguir os exemplares exi- gidos pelas escolas e vê a clientela aumentar a cada dia, principalmente entre os meses de outubro e fevereiro, período em que contrata até vendedores para dar conta da demanda. “A rotatividade é muito grande, não dá nem tempo de avisar que apareceu determinado livro. Eles (os pais) têm que ficar telefonando, até mais de uma vez por dia”, detalha.

Nesses locais, é possível negociar créditos a partir dos livros de anos anteriores em bom estado de conservação. Foi o que a funcionária pública Nanny Araujo fez. Ela saiu de Vicente Pires na tarde de terça-feira em dire- ção a Taguatinga para a jornada em busca dos livros escolares da filha, Maria Luiza, 13. Entrou no dos Livros com uma caixa contendo 16 exemplares didáticos usados e uma lista de compra de 14 livros. Saiu do sebo feliz, depois de negociar os exemplares antigos em troca dos semi-novos. “Agora, só faltam dois livros da lista”, comemora. “Eles são bem conservados e a maioria está escrito a lápis, que dá para apagar”, complementa. O fato de alguns livros conterem trechos marcados não preocupa mãe e filha. “Isso não influencia em nada. Se estiver rabiscado a caneta dá para fazer os exercí- cios em folha separada”, argu- menta Ana Luiza.

No entanto, para o presidente da Aspa-DF, Luis Claudio Me- giorin, é importante ter aten- ção às trocas de livros. Ele ava- lia a medida como temporária, porque, muitas vezes, pode acontecer uma revisão de con- teúdo dos títulos. “A editora re- pagina e revisa o livro, fazendo uma mudança de conceito e atualização , e o exemplar se transforma em outro. É impor- tante os pais irem a uma livraria, verem o novo, e compararem com o antigo, porque, depois, pode causar pequenos transtor- nos para o aluno”, destaca.

Em grupo Alternativa para negociar os valores dos itens de material escolar é a união de um grupo de pais de uma determinada escola. Entre 10 e 15 pessoas se organizam e escolhem um representante que faz a intermediação do contato com uma livraria ou papelaria. Segundo Luis Claudio Megiorin, é possível conseguir descontos de até 20%. “É tam- bém uma forma de otimizar o trabalho. Um deles (dos pais) vai até a papelaria, organiza tudo, e a empresa faz os lotes e aplica o desconto. Depois, os demais só se deslocam para pagar e pegar a sacola”, explica. Para Megiorin, da pechincha, uma das di- cas para economizar é observar se não existe nenhum pedido de item de material coletivo ou de expediente, como resma de papel ou objetos de decoração, cobran- ça proibida pela legislação.

Para o presidente do Sindipel- DF, José Aparecido da Costa Freire, a postura de pais recorrerem aos sebos e procurarem preços mais baratos é comum, mas, se- gundo ele, a divulgação se tornou mais efetiva a partir das redes sociais. No entanto, ele também alertou para as mudanças nos li- vros. Há editoras que fazem reformulações para adequar os conteúdos aos vestibulares de universidades federais e ao Exa- me Nacional do Ensino Médio (Enem). “Também tem muitos professores que vendem o livro e alguns pais acabam comprando o exemplar, o que é ilegal. Cada um precisa procurar o que é melhor para si, mas, quando existe uma lista, há especificação do livro e da edição. Se o pai compra fora dessa regra, está correndo o risco por conta própria”, alerta.