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Correio Braziliense

Desafios na volta às aulas

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Antonio Cunha
A volta às aulas na rede pública de ensino do DF, marcada para amanhã, deve começar conturbada.  Os professores ameaçam deflagrar greve geral a partir da próxima segunda-feira. O assunto será discutido em assembleia geral prevista para a manhã do mesmo dia. Enquanto isso, merendeiras e funcionários que atuam na limpeza das unidades de ensino estão de braços cruzados e há ainda a polêmica envolvendo as mudanças implementadas nas Escolas Parque, que desagradaram a alguns pais.

A diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) Rosilene Corrêa afirma que há uma lista de motivos que justificam o ato. A categoria pede que a remuneração acompanhe os índices de inflação. “Tudo está aumentando e ficando mais caro, e nós estamos com o salário congelado há dois anos”, diz. Rosilene afirma que os professores também vão aderir à pauta nacional contra a reforma da previdência.

Outro desafio a ser enfrentado nesse início de ano letivo são as greves dos servidores da limpeza e das merendeiras — ambas começaram este ano. A primeira categoria reivindica o pagamento de salários atrasados, 13º terceiro e auxílios transporte e alimentação. A outra, pede a quitação do 13º salário. O Sindicato dos Trabalhadores Terceirizados (Sindiserviços) informou que promove assembleias e participa de negociações com o objetivo de regularizar as duas situações. “São trabalhadores que ganham pouco, muitos estão passando necessidade, alguns estão sendo despejados”, denuncia a secretária-geral do sindicato, Andrea Cristina da Silva.

Segundo a Secretaria de Educação (SEDF), no entanto, os pagamentos feitos às empresas terceirizadas responsáveis pelos serviços de merenda não estão em atraso. Ainda de acordo com a pasta, os contratos de terceirização preveem repasses em até 60 dias após a apresentação da fatura.

O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da SEDF, Fábio Pereira de Sousa, afirma que a pasta aguardará definição dos professores e que manteve negociações com a categoria mesmo durante as férias, em reuniões quinzenais. Uma das prioridades da secretaria, no momento, é a elaboração de um plano de emergência para atender as escolas públicas que não têm caixa d’água e que estão nas regiões abastecidas pela Bacia do Rio Descoberto, atingidas pelo racionamento. De acordo com o subsecretário, a pasta vai instalar caixas d’água provisórias e promover campanhas de conscientização dos estudantes sobre o uso do recurso.

Escolas Parque
Débora Cruz, 35 anos, inscreveu a filha, Sofia, 8, no 3º ano do ensino fundamental da Escola Classe 314 Sul. O colégio é um dos que será afetado pela mudança no funcionamento das Escolas Parque. A menina está matriculada à tarde, o que garante vaga na Escola Parque. No entanto, com a mudança, as atividades extras dessas unidades serão ministradas todos os dias, para atender à integralidade, e a mãe quer que a menina estude apenas no período parcial. Para isso, precisaria matriculá-la pela manhã, mas a escola não tem vagas. “Se eu quiser que ela estude apenas no período parcial, tenho que procurar outra escola.”