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Correio Braziliense

O que tem na lancheira?

Saiba como levar um lanche equilibrado para a escola evitando excessos

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postado em 04/03/2017 11:42 / atualizado em 06/03/2017 11:59

Gabriela Studart

Como bem diz aquela música da turma do Balão Mágico — sem dúvida, comer é o melhor para poder crescer! Mas não é só isso: mais importante do que devorar o prato inteiro é se alimentar bem. Você  parou para pensar nisso? A alimentação é a maior fonte de nutrientes para garantir o desenvolvimento da garotada e prevenir problemas futuros.  Por isso, o lanche que as crianças levam de casa ou que compram na escola precisa ter equilíbrio entre os nutrientes, como carboidatos, proteínas e gorduras, para que meninos e  meninas cresçam com saúde.


Todo mundo sabe que batata frita, refrigerante e chocolate são uma delícia, mas não dá para ficar comendo isso o tempo todo. Uma dieta à base de frituras, alimentos gordurosos e açúcares pode atrapalhar o desenvolvimento da criançada, como explica a nutróloga e pediatra da clínica Dr Caputo - Nutrologia esportiva e nutrição humana Hila Beatriz Caputo.
— Comer muitos alimentos industrializados, com baixo teor nutricional, ricos em açúcares, gorduras e conservantes aumenta o risco de obesidade e de problemas cardiovasculares, assim como pode causar cáries e diabetes.


Mas ninguém precisa comer o que não gosta. Existe uma variedade de alimentos ricos em nutrientes que são gostosos, então, nada de dizer que é ruim sem provar. Faça uma forcinha para comer a salada que está no prato. Em pouco tempo, você nem vai mais estranhar o gosto dela.


— O ideal é a criança participar da montagem da lancheira, os pais devem dar opções de escolher um lanche com o que os pequenos estão acostumados. Incentivar a alimentação saudável e ser um exemplo é essencial. Não adianta preparar uma refeição saudável para a escola se, em casa, a garotada come alimentos calóricos, indica a Dra. Hila.

Lanche na escola
Para crescer forte e com saúde, deixar o hambúrguer de lado e comer verduras e legumes são esforços que valem a pena. Segundo Maria Luiza Barcellos Caio, 7 anos, a boa nutrição é um hábito que se adquire com o tempo.


— Meus pais sempre me falaram para colocar verduras e legumes no prato e eu acho gostoso! Fico o dia todo no colégio e sempre como o que a tia me pede para comer. Até repito! O que eu lancho e almoço na escola é parecido com a minha alimentação de casa, por isso, me acostumei.


A garota, que passa o dia inteiro no Colégio do Sol, conta com o auxílio da nutricionista Beatriz Aranha, que acompanha a alimentação dos alunos.


— Eu e minha equipe (formada por estagiários de nutrição) ficamos aqui no refeitório com as crianças na hora das refeições e orientamos: cuidado com o desperdício, não exagere na quantidade, cadê a verdura e a salada... Enfim, estamos sempre acompanhando de perto. Além disso, elaboramos informativos enviados para os pais de seis em seis semanas e acompanhamos o que as crianças trazem nas lancheiras, explica a nutricionista.


Maria Clara Veiga, 8 anos, também faz as refeições do dia na escola.
— Eu como mais coisa aqui do que em casa.  A tia Bia pega bastante no pé dos alunos. A comida da escola é bem gostosa e é divertido lanchar com os meus amigos. Além disso, a gente tem várias opções de frutas para sobremesa, é muito bom.


João Pedro Fialho Campos, 9, não é muito fã de verduras e legumes. Ele almoça em casa todos os dias e compra o lanche da manhã na cantina do colégio.


— Tenho o hábito de comer enroladinho de queijo e, às vezes, pizza. Escolho o que vou comer de acordo com a vontade e, como não gosto de salada, mesmo que meus pais me peçam, eu não tenho o hábito de comer folhas. Mas minha mãe briga comigo quando como muito salgadinho ou biscoito, revela.

Merenda que vem de casa

Miguel Martino, 8, traz o lanche de casa e gosta de manter uma dieta balanceada.
— A minha mãe quase sempre manda o lanche: um sanduíche com presunto, queijo e pão integral. Gosto de comer legumes e verduras. O cardápio do almoço de casa é um pouco diferente do da escola. Aqui, como carne, mas em casa não gosto muito, porque a comida tem muita gordura. Eu me esforço para comer salada durante a semana porque eu e minha irmã ganhamos doce nos fins de semana. Como também porque é importante ser saudável, ninguém gosta de ficar doente, esclarece.

 

Lei das cantinas
Para garantir que as crianças se alimentem de forma saudável no colégio, o Decreto nº 36.900/2015, que regulamenta a Lei nº 5.146/213, estabelece que as cantinas escolares devem promover alimentação saudável entre os estudantes. De acordo com a legislação, está proibida a venda de balas, pirulitos, chicletes, biscoitos recheados, chocolates, algodão-doce, refrigerantes, refrescos artificiais, bebidas achocolatadas, salgadinhos industrializados, frituras, pipoca industrializada, pipoca com corantes artificiais e bebidas energéticas. Parece bastante coisa, mas é tudo para cuidar da saúde dos estudantes.



Siga essas orientações

» A qualidade dos alimentos e o cuidado com a higiene são essenciais na montagem da lancheira;

» É importante a presença de vegetais, hortaliças, frutas, lácteos e carboidratos no lanche

» Prefira alimentos frescos, naturais, integrais e variados;

» Suco de fruta deve ser refrigerado corretamente, preferencialmente maracujá e limão, que demoram mais para oxidar. Ao optar por um suco pronto, dê preferência para os de uva integral, pois não têm adição de açúcar;

» Caso não tenha tempo de fazer um suco, coloque água e fruta dentro da lancheira (a fruta é ainda mais saudável e menos perecível que o suco;

» Utilize recipientes adequados para o armazenamento dos alimentos;

» Evite produtos industrializados e embutidos;

» Consulte um nutricionista para montar um dia alimentar correto e adequado às necessidades da criança;

 

Ana Rayssa
 

Reforço para a merenda escolar

Júlia da Silva Passos, 10 anos, e Isabela Flores dos Santos, 10, são prevenidas: elas sempre levam uma alternativa de lanche na mochila para garantir que vão comer algo que gostam mesmo quando a merenda oferecida pela escola não agrada. Elas estudam na Escola Classe 3 do Guará I.


— Minha família tem doenças no sangue por causa do açúcar. Eu sempre tomo muito cuidado. Por exemplo, lá em casa só tem açúcar mascavo, e a minha avó também faz receitas gostosas com alimentos saudáveis. Antes eu não gostava de rabanete, mas ela colocou um tempero e ficou bem gostoso. Aprendi a gostar e aqui na escola, ultimamente, está vindo bastante salada na merenda, o que não acontecia antes. Agora tem verduras e legumes e bastante beterraba também, conta Isabela.


— A minha mãe costuma mandar sanduíches e tapioca, que são coisas mais saudáveis, como alternativa. Meu pai não deixa que eu traga salgadinho e coisas muito industrializadas, só posso trazer em dias especiais, como quando tem passeio. É importante cuidar da saúde desde criança, porque corremos o risco de ter diabetes, obesidade e outras coisas que podem prejudicar a saúde, completa Júlia.


Eduardo Maciel Rodrigues Portela, 10, levou frutas e suco natural para o lanche nos dias da semana passada, mas ele diz que nem sempre traz comida saudável para o lanche da escola.


— A minha avó tem uma lojinha perto de casa e eu pego o meu lanche lá. Eu costumo trazer palitinho de chocolate, salgadinho e refrigerante e como de tudo: a merenda da escola e o que eu trago de casa. A minha professora briga comigo quando eu como muita besteira, mas o pessoal da turma sempre pede um pouco quando eu trago coisas doces. Quando é comida saudável, ninguém liga muito!
Pedro Henrique Carvalho, 9, mudou de hábitos há pouco tempo.


— Antes, o meu pai comprava um monte de salgadinhos e comidas de saquinho, mas aí ele percebeu que não era saudável para mim e agora ele está mandando frutas e sanduíches. Sempre peço para ela colocar banana, porque eu gosto bastante. Na hora de escolher, eu me preocupo se é gostoso e se faz bem para a úde, os dois são importantes. 

 

Fonte: professora Cristini Savi, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Católica de Brasília (UCB).

 

*Estagiária sob supervisão de Ana  Sá