Faltam livros em pelo menos 105 escolas da rede pública do DF

Segundo a Secretaria de Educação houve roubo de uma carga com aproximadamente 6 mil livros didáticos que seriam distribuídos nas escolas e ainda não há previsão de entrega

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Ed Alves/CB/D.A Press
Após mais de um mês de aulas, alunos de pelo menos 105 escolas da rede pública de ensino do DF ainda não receberam todo o material didático. A previsão era de que os livros estivessem disponíveis para distribuição nos centros de ensino em 28 de fevereiro. Duas semanas depois do prazo, no entanto, os estudantes precisam fazer duplas para dividirem os exemplares e fazer as atividades de casa em sala de aula.

No Centro de Ensino Fundamental 12, em Taguatinga Norte, a falta de livros se deu por conta do número de reprovações no 7º ano, maior do que o esperado pela escola. Além disso, chegaram 42 alunos que migraram da rede privada. Para suprir a demanda, faltam pelo menos 20 kits, um total de 140 livros. “Nós fizemos a previsão de livros para o próximo triênio no primeiro semestre do ano anterior. No nosso caso, não previmos que 72 alunos ficariam retidos no 7º ano”, contou o vice-diretor, Luciano Resende. Em outra escola de ensino fundamental, na QNL, os alunos dos 6º e 7º anos do turno vespertino receberam apenas os livros de ciências, de inglês e de português.

Segundo a Secretaria de Educação (SEDF), os livros deveriam ter sido entregues de acordo com o cronograma dos Correios. Em nota, a pasta informou que houve roubo de uma carga com aproximadamente 6 mil livros didáticos que seriam distribuídos nas escolas e ainda não há previsão de entrega.

Outro problema enfrentado deveu-se ao atraso na remessa de livros por parte da Editora Ibep, sediada em São Paulo. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), 36 escolas do DF foram prejudicadas com o atraso de 1.628 livros, do total de cerca de 80 mil. A previsão é de que até 30 de março todos os livros sejam entregues. A empresa não se pronunciou sobre o ocorrido após contato por telefone. Em nota, o FNDE informou que está adotando todas as providências administrativas para que sejam cobradas da editora as multas previstas em contrato.

Para estudantes ouvidos pelo Correio, a maior dificuldade relatada é acompanhar o conteúdo que precisa ser copiado do quadro e não poder levar o livro para revisar a matéria em casa. A empresária Adriana Correia Andrade, 46 anos, mãe de um aluno do 6º ano do CEF 410, na Asa Norte, disse que a previsão de entrega é hoje. “A escola não justificou o motivo do atraso. O pior é que algumas escolas têm, outras, não. Meu filho não recebeu nenhum livro ainda”, reclamou.
 
Para o Presidente da Associação de Pais do Plano Piloto, Luis Claudio Megiorin, a solução pode estar na tecnologia. “O governo poderia disponibilizar esses materiais didáticos de forma on-line ou permitir que os livros fossem copiados. O que não pode é ter esse atraso. É lamentável, com tantos problemas, já começarem o ano sem livros e com uma greve”, concluiu.
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer