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Faltam livros em pelo menos 105 escolas da rede pública

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postado em 14/03/2017 18:47

Ed Alves

Após mais de um mês de aulas, alunos de pelo menos 105 escolas da rede pública de ensino do DF ainda não receberam todo o material didático. A previsão era de que os livros estivessem disponíveis para distribuição nos centros de ensino em 28 de fevereiro. Duas semanas depois do prazo, no entanto, os estudantes precisam fazer duplas para dividirem os exemplares e fazer as atividades de casa em sala de aula.

No Centro de Ensino Fundamental 12, em Taguatinga Norte, a falta de livros se deu por conta do número de reprovações no 7º ano, maior do que o esperado pela escola. Além disso, chegaram 42 alunos que migraram da rede privada. Para suprir a demanda, faltam pelo menos 20 kits, um total de 140 livros. “Nós fizemos a previsão de livros para o próximo triênio no primeiro semestre do ano anterior. No nosso caso, não previmos que 72 alunos ficariam retidos no 7º ano”, contou o vice-diretor, Luciano Resende. Em outra escola de ensino fundamental, na QNL, os alunos dos 6º e 7º anos do turno vespertino receberam apenas os livros de ciências, de inglês e de português.

Segundo a Secretaria de Educação (SEDF), os livros deveriam ter sido entregues de acordo com o cronograma dos Correios. Em nota, a pasta informou que houve roubo de uma carga com aproximadamente 6 mil livros didáticos que seriam distribuídos nas escolas e ainda não há previsão de entrega.

Outro problema enfrentado deveu-se ao atraso na remessa de livros por parte da Editora Ibep, sediada em São Paulo. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), 36 escolas do DF foram prejudicadas com o atraso de 1.628 livros, do total de cerca de 80 mil. A previsão é de que até 30 de março todos os livros sejam entregues. A empresa não se pronunciou sobre o ocorrido após contato por telefone. Em nota, o FNDE informou que está adotando todas as providências administrativas para que sejam cobradas da editora as multas previstas em contrato.

Para estudantes ouvidos pelo Correio, a maior dificuldade relatada é acompanhar o conteúdo que precisa ser copiado do quadro e não poder levar o livro para revisar a matéria em casa. A empresária Adriana Correia Andrade, 46 anos, mãe de um aluno do 6º ano do CEF 410, na Asa Norte, disse que a previsão de entrega é hoje. “A escola não justificou o motivo do atraso. O pior é que algumas escolas têm, outras, não. Meu filho não recebeu nenhum livro ainda”, reclamou. Para o Presidente da Associação de Pais do Plano Piloto, Luis Claudio Megiorin, a solução pode estar na tecnologia. “O governo poderia disponibilizar esses materiais didáticos de forma on-line ou permitir que os livros fossem copiados. O que não pode é ter esse atraso. É lamentável, com tantos problemas, já começarem o ano sem livros e com uma greve”, concluiu.

Greve geral

Os 450 mil alunos matriculados na rede pública do Distrito Federal também enfrentarão uma greve por tempo indeterminado. O ato fará parte de uma série de manifestações, agendadas pelos profissionais da educação em todo o país, contra a Proposta de Emenda Constitucional nº 287/2016 (PEC da Previdência). O documento estabelece novas regras para a aposentadoria, como a exigência de idade mínima de 65 anos para o recebimento integral do benefício, além de 49 anos de contribuição com a Previdência Social.

O ato foi proposto pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e teve adesão da categoria no DF durante assembleia geral em 13 de fevereiro. Além da pauta nacional, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) delimitou outras questões como tema para a mobilização. Entre elas, está o cumprimento do Plano Distrital de Educação (PDE) e a reivindicação do pagamento de valores e benefícios ainda não recebidos ou atrasados. Uma nova assembleia geral dos professores do DF está prevista para 21 de março, para decidir sobre a continuidade do movimento.

Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer


Para saber mais

Regionais de ensino onde faltam livros: Brazlândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Paranoá, Planaltina, Plano Piloto e Cruzeiro, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho e Taguatinga.

Livros em falta: geografia (6º ao 9º ano); história (6º ao 9º ano); língua portuguesa (6º ao 9º ano); alfabetização linguística (1º ao 3º ano); alfabetização matemática (1º ao 3º ano); ciências (2º ao 5º ano); geografia (2º ao 5º ano); história (2º ao 5º ano); língua portuguesa (4º e 5º ano); e artes (ensino médio).


Notas de corte do PAS
A Universidade de Brasília (UnB) divulgou balanço do Subprograma 2014 do Programa de Avaliação Seriada (PAS). Os três cursos com maior nota de corte no Sistema Universal são: medicina (171,465), direito (144,302) e engenharia elétrica (137.666). Medicina é a mais disputada em quase todos os sistemas do processo. Nas cotas para negros, o curso tem a nota de corte de 161,346, enquanto as Cotas para Escolas Públicas para pessoas com renda inferior a 1,5 salário-mínimo tem a nota de 106,837. Na última semana, a universidade divulgou ainda a lista de aprovados na quinta chamada do PAS, a primeira chamada para seleções de vagas remanescentes e a quarta chamada do Sisu e dos cursos de habilidades específicas.