De mãos dadas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 28/03/2017 15:15 / atualizado em 28/03/2017 16:05

Parceria é a palavra-chave. Diante do fracasso do modelo de educação brasileira, impõe-se buscar caminhos. O Estado assinou o atestado de incapacidade. Não dá conta, sozinho, de enfrentar os desafios apresentados pelas aceleradas transformações por que passa o mundo.


A escola do século 19 respondeu às urgências da época. Preparou o estudante para atender as exigências da revolução industrial. O professor, detentor do saber, transmitia os conhecimentos para alunos uniformizados, sentados de costas uns para os outros, numa sala de aula fechada, em que o quadro-negro era o grande auxiliar.

 

No século 21, a história mudou de enredo. Ninguém precisa de mestres para passar informações que estão na palma da mão ou ao alcance de um clique. Precisa deles para organizar e dar sentido ao universo que se oferece. Para tanto, a sala fechada, a lousa e o exército de crianças ouvintes perdeu o sentido. São extemporâneos. Mas teimam em permanecer.

 

Sugestões para mudanças aparecem aqui e ali. Uma delas — Itaú-Unicef — vem ao encontro da realidade de um país continental, com abissais desigualdades e carente de rumos para dar o salto qualitativo por que ansiamos. Trata-se das parcerias. Organizações da sociedade civil (OSCs) dão as mãos à escola pública com um objetivo comum: a educação integral.

 

Em bom português: ampliam-se tempo, espaços e conteúdos de aprendizagem para crianças e adolescentes. Dados da Prova Brasil mostram o hiato existente e o potencial para ampliar a oferta de atividades extracurriculares na rede pública. Só 43% das escolas oferecem esporte; 37%, artes. Mais: 49% dos alunos do 9º ano nunca foram a museu, teatro, espetáculo de dança ou música. “As organizações na comunidade podem cumprir papel importante em ajudar a escola a ampliar esse tipo de oferta para os alunos”, diz Angela Danneman, superintendente da Fundação Itaú Social. E completa: “É importante promover essas parcerias, ausentes em muitas escolas”. Só 15% dos diretores recebem apoio frequente da comunidade em trabalhos voluntários e 39% nunca conseguiram colaboração.

 

A 12ª edição do Prêmio Itaú-Unicef põe o dedo nessa ferida. Reconhece e estimula as boas parcerias entre OSCs e escolas públicas. Premia com dinheiro, além dos vencedores nacionais e regionais, os 96 finalistas. E convoca a sociedade civil a arregaçar as mangas e a dar as mãos ao governo para somar esforços e deixar a nota vermelha no passado.

 

Inscrições

Para participar, as OSCs devem se inscrever, até 17 de maio, pelo site e indicar a escola parceira e as atividades que, juntas, desenvolvem. Os projetos inscritos serão analisados por agentes públicos das áreas de educação e de assistência social, e agrupados por localidade — serão oito regionais: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e São Paulo. A avaliação de cada projeto inscrito é baseada no mérito das ações e em aspectos de gestão.