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Correio Braziliense

Professores do DF radicalizam greve

Categoria decidiu manter a paralisação mesmo após a Justiça considerar o movimento ilegal. Durante protesto, o Eixo Monumental ficou bloqueado e um grupo tentou invadir o Buriti. Governador exigiu a liberação do trânsito para receber os grevistas hoje

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Antonio Cunha/CB/D.A Press

O impasse nas negociações com o governo levou os professores da rede pública a radicalizarem o movimento grevista. Depois de uma assembleia, realizada ontem, em frente ao Palácio do Buriti, eles fecharam o Eixo Monumental durante toda a tarde, provocando caos no trânsito da área central. Os profissionais da rede pública de ensino exigiam uma reunião com o governador Rodrigo Rollemberg para apresentar as reivindicações, mas o chefe do Executivo informou que só receberia o grupo depois que os servidores liberassem o tráfego. O grupo aceitou a proposta e deixou a pista à noite, depois de mais de seis horas. A reunião do governador com os servidores está marcada para a tarde de hoje. De acordo com o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), cerca de 10 mil pessoas participaram do protesto. A Polícia Militar contou 1 mil participantes na assembleia.


 

Mais de 100 policiais militares acompanharam o movimento e, no fim da manhã, houve confronto com os professores. Os servidores fecharam o Eixo Monumental e um grupo tentou invadir o Palácio do Buriti. A PM conteve os profissionais de ensino com o uso de spray de pimenta. Pelo menos um professor precisou de atendimento de brigadistas. Logo depois, a PM recebeu reforços de militares do Batalhão de Choque, que se posicionaram ao longo da entrada do palácio. Durante a tarde, o movimento continuou pacificamente. Nem mesmo o temporal inibiu os servidores do GDF, que dançaram envoltos em bandeiras. A chuva e o bloqueio da pista deram um nó no trânsito de toda a área central, com desvios montados em várias vias. Hoje, haverá um novo protesto do Sinpro, previsto para ocorrer na Praça do Relógio, em Taguatinga.

 

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 

 

Pelas redes sociais, o governador comentou o movimento da categoria. “Mesmo após decisão da Justiça, que considerou ilegal a paralisação dos professores no DF, grevistas tentaram invadir o Palácio do Buriti nesta quarta-feira. Um princípio de tumulto foi controlado pela Polícia Militar e, felizmente, ninguém ficou ferido. É lamentável que educadores adotem esse tipo de postura, desrespeitando a livre circulação de milhares de pessoas com a interrupção do trânsito”, comentou Rodrigo Rollemberg.

Samuel Fernandes, diretor do Sinpro, explicou que as principais causas do movimento são lutar contra a Reforma da Previdência, cobrar o pagamento da última parcela do reajuste aprovado em 2013 e exigir o pagamento das licenças-prêmio atrasadas (veja o quadro). “Além disso, o governo não vem colocando em prática a Meta 17 do Plano Distrital de Educação, que prevê a equiparação dos salários dos professores à média dos demais servidores. Mas, entre as 29 carreiras de nível superior do GDF, os professores têm o pior salário”, reclamou Samuel.

 

No fim da tarde, os deputados distritais Chico Vigilante (PT), Ricardo Vale (PT) e Reginaldo Veras (PDT) se reuniram com o governador e pediram que Rollemberg recebesse os servidores grevistas para negociar. O chefe do Executivo local aceitou se reunir com os professores hoje, às 14h, com a condição de que os manifestantes desocupassem completamente o Eixo Monumental. A proposta foi levada à assembleia, que decidiu desobstruir a pista. Segundo a diretora do Sinpro Rosilene Corrêa, na última reunião com representantes do governo, que ocorreu na sexta-feira, não foi apresentada nenhuma proposta. “Falaram que iam discutir entre eles as nossas propostas e nos dariam a resposta na terça-feira. Mas, até agora, não conversaram conosco.”

Durante coletiva de imprensa concedida após a liberação do trânsito ontem, o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, informou que, na reunião de hoje com a categoria, várias pautas serão discutidas, mas adiantou que aquelas que tratam de reajuste não devem ser atendidas. “O governo não produz riqueza nem gera recurso. A sociedade precisa estar muito bem-informada que ela vai precisar tirar mais dinheiro do bolso, que os impostos vão ter que aumentar para se conceder reajuste salarial em um momento em que não há margem para isso.”

Em 27 de março, a Justiça determinou o fim da greve, sob pena de multa diária de R$ 100 mil e corte de ponto. A ação contra a paralisação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral do DF. O Sindicato dos Professores já entrou com recurso. “Estamos tentando provar que a greve é legítima, já que nossa reivindicação é para que paguem os professores temporários, que estão sem receber desde fevereiro”, explicou Lucas Mori, advogado do sindicato.


Antonio Cunha/CB/D.A Press


Performance
Durante os protestos de ontem, professores de artes prepararam uma performance inspirada no conto O artista da fome, de Franz Kafka. Uma jaula foi instalada no meio da Praça do Buriti, com uma faixa em que se lia “Não alimente o professor”. “A privação dos nossos direitos é uma analogia à fome. Tudo isso é um desestímulo para os trabalhadores, que lutaram durante tanto tempo por esses direitos”, explicou João Camargo, professor do Centro de Ensino Fundamental 5 do Gama.

Alunos de pelo menos quatro cidades participaram da assembleia. Estudantes dos centros de ensino médio 2 e 3 de Ceilândia se organizaram em grupos que já contam com 650 pessoas. “Apoiamos nossos professores na luta contra a Reforma da Previdência, que também interfere no nosso futuro. Vamos a outras escolas mobilizar mais alunos e tentar organizar uma possível greve estudantil”, disse uma estudante do 3º ano. O grupo, que participou da performance da jaula no meio da praça, prometeu parar as aulas por tempo indeterminado.

Sobre o engajamento dos alunos, a diretora Rosilene Corrêa pontuou a importância do movimento estudantil para os professores. “Aprenderam muito bem que a Reforma na Previdência mexe com os direitos deles também”, destacou. O movimento grevista dos professores começou há duas semanas.

Reivindicações

Veja quais são os motivos para a paralisação dos professores:

» Contra a Reforma Previdência enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional;
» Exigir o pagamento da última parcela do reajuste salarial, pendente desde outubro de 2015
» Reclamar o atraso no pagamento de licenças-prêmio de professores aposentados em 2016 e 2017
» Para cobrar o pagamento dos salários atrasados dos professores temporários
» Em defesa do cumprimento da Meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), que prevê a valorização de profissionais da educação, “de forma a equiparar seu vencimento básico, no mínimo, à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do Distrito Federal, com nível de escolaridade equivalente”
 

» Colaborou Ana Carolina Alves, estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer