No Dia Nacional de Combate ao Bullying, alunos debatem o assunto

Estudantes falam sobre experiências com casos de agressão física ou psicológica que continua presente nas escolas do Brasil

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postado em 07/04/2017 18:44 / atualizado em 12/04/2017 14:39

Netflix/Reprodução

 

O Dia Nacional de Combate ao Bullying é comemorado nesta sexta-feira (7) em memória das vítimas do massacre na escola de Realengo, no Rio de Janeiro. Em 7 de abril de 2011, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, invadiu a instituição armado com dois revólveres, disparou contra os alunos e depois se suicidou. Doze vítimas morreram e treze foram deixadas feridas. A notícia de suicídio de Wellington apontou que o principal motivo para ele ter cometido o crime foi o bullying que sofreu. O crime tomou repercussão e comoveu e revoltou o país.



O tema voltou a tomar conta das redes sociais com o lançamento, pela plataforma de streaming Netflix, da série 13 reasons why (Os treze porquês, em português) em 31 de março. Composto por 13 episódios, o seriado norte-americano acompanha a jornada de Hannah Baker, uma aluna de ensino médio que, após uma série de situações de agressão por parte de colegas da escola, acabou se matando. O programa é baseado no livro de mesmo nome, de autoria de Jay Asher. A hashtag #nãosejaumdosporques têm se tornando popular nas redes sociais por causa da série.

Falem, alunos

Apontar aspectos físicos, excluir por aparência e humilhar pessoas com brincadeiras de mau gosto são alguns aspectos da agressão em pauta. Confira experiências e opiniões de alunos do Distrito Federal:

 

Gabriela Studart
Yasmin Andrade, 16 anos, aluna do 2º ano do ensino médio do Centro Educacional Asa Norte (Cean)

"Presenciei o bullying várias vezes, praticado principalmente entre crianças, que são um pouco maldosas, levam tudo na brincadeira e não sabem direito o quão grave é. Algumas coisas, mesmo quando se fala brincando, causam um efeito muito negativo na vida de alguém. Quando era criança, eu tinha um pouco de pelos no braço e ficavam me zoando. Acho que tem gente que quer ferir o sentimento do próximo e aqueles que se deixam levar por preconceito espalham essa prática."

Gabriela Studart
Amanda Laíz, 17 anos, aluna do 3º ano do ensino médio do Cean

Já sofri bullying, na época em que estudava em uma escola de freiras. Na época, eu passava por uma confusão de orientação sexual e, na minha cabeça, o que os colegas falavam era certo. Eu acreditava que precisava mudar e me encaixar nos padrões que eles colocavam. Foi depois que me aceitei que as coisas melhoraram. Estar bem com você mesmo é importante para não se abalar e deixar que até poucas coisas se tornem grandes para abalar seu lado emocional."

 

 

 

Gabriela Studart
Rebeca Vergara, 18 anos, aluna do Centro Universitário de Brasília (UniCeub)

"Já sofri bullying de vários modos. Primeiro, quando eu era criança, jogava futebol e me olhavam diferente por não fazer coisas mais femininas. Implicavam com meu modo de me vestir, porque eu me vestia do jeito que eu queria e pela minha orientação sexual. Cheguei a ser expulsa de um colégio por que eu era diferente, tinha um jeito mais masculino. Em vez de falarem comigo, apenas me mandaram sair de lá."

 

Gabriela Studart
Thiago Coelho Veloso, 15 anos, aluno do 2º ano do Centro Educacional Sigma, unidade Asa Sul

"Houve uma época em que vi meus amigos fazerem bullying com um colega da escola, mas acreditava que fosse apenas zoação, só revendo que entendo que aquilo foi errado. No colégio, houve até palestras sobre isso, mas não acho que tenham tido um grande impacto. Foram educativas, mas pouco eficazes."

 

 

>> Entrevista

 

Loise Rizzieri, consultora educacional do Sistema de Ensino Poliedro, formada em pedagogia pela Universidade de São Francisco e com mestrado na área de formação de professores pela Universidade Federal de Mato Grosso, fala sobre o assunto

 

Como identificar alguém que sofre bullying?

 

A família e os professores precisam observar a criança. Quando elas estão sendo intimidadas, costumam se fechar, então abrir o diálogo se torna um caminho importante. É preciso perguntar para o jovem o que está acontecendo, mas não em forma de cobrança, mas tentando compreender e dialogar, sem buscar culpados ou fazer exigências de modo a pressioná-la.

 

O que o colégio deve fazer a respeito?

 

A escola precisa discutir o tema e trazê-lo para a formação dos professores. Ela precisa estabelecer limites e regras, o professor tem que ser uma pessoa respeitosa e responsável, não pode ser conivente com uma brincadeira de mau gosto ou deixar passar uma situação em que a criança é coagida. Ele precisa estar atento ao que acontece na sala de aula e saber agir nesse tipo de situação.

 

Quem pratica também pode ter sofrido bullying?

 

O agressor também pode ser uma das vítimas. Historicamente, ele também já pode ter sofrido algum tipo de bullying e alimenta um ciclo que se repete inúmeras vezes. O agressor vai procurar o momento para poder extravasar sua raiva e seu medo em outra pessoa.

 

O bullying pode levar ao suicídio?

 

Sim, pode porque, durante o desenvolvimento neurológico do jovem, existe uma série de possibilidades e podem acometer as crianças e jovens. Existe um grande número de crianças com depressão, é algo comum entre o quinto e o sexto ano escolar, uma fase sensível. O suicídio não necessariamente acontece com pessoas que sofrem bullying, mas ocorre em pessoas com depressão. É importante identificar essa depressão para saber como o comportamento está relacionado. O jovem acaba pedindo ajuda em situações de desespero, quando chega ao extremo da dor. Muitos não falam nada por medo também da reação do agressor, por isso é preciso criar situações confortáveis para o jovem falar e tentar ajudá-lo a enfrentar esse momento. 

 

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Confira alguns livros que abordam o bullying

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Os treze porquês
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A playlist de Hayden
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Mais do que isso 

 

*Estagiário sob a supervisão de Ana Paula Lisboa