COMPETIÇÃO »

Jovens talentos da neurociência

Estudantes de ensino médio do DF participaram da etapa nacional de olimpíada sobre esse campo do saber no Rio

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/05/2017 17:55 / atualizado em 16/05/2017 16:31

ODN/Divulgação

 

 

No último fim de semana, três estudantes do 3º ano do ensino médio do Colégio Militar Dom Pedro II (CMDP II), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) e do Centro de Ensino Médio (CEM) 9 de Ceilândia representaram o Distrito Federal na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Neurociências (OBN), em São Fidélis (RJ). Isabelle da Silva dos Santos, 16 anos, do CMBDP II, se classificou em terceiro lugar na prova. Fabiana Caroline, do IFB, e Kaleb Damarcena, do CEM 9, não tiveram a posição revelada, pois a organização só divulgou os nomes dos cinco primeiros colocados. Nenhum dos três se classificou para a competição internacional (nos Estados Unidos, em agosto), pois essa vaga ficou restrita à estudante que conquistou o primeiro lugar:


Hellen Valério Chaves, do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.


Os brasilienses não se desanimaram com isso: ter chegado à final foi uma recompensa. Isabelle, Fabiana e Kaleb foram, respectivamente, a primeira, a segunda e o terceiro colocados da etapa local, iniciada em abril. “Fiquei muito feliz com a minha colocação. Tive a oportunidade de ver que outras escolas tinham um trabalho lindo sobre neurociência”, comenta Isabelle. Fabiana também está satisfeita. “Vi que muitos ali tinham um conhecimento mais amplo sobre o tema, enquanto eu me interessei em saber sobre isso há poucos meses”, conta. “A experiência valeu muito a pena, eu me apaixonei pela área”, revela Kaleb.


O evento teve diversas atividades além das provas, como uma sessão de cinema e uma gincana. “Queríamos que não fosse só uma competição. Vimos os alunos (que são de escolas públicas e particulares) fazendo cafés, discutindo e estudando juntos. Houve uma grande colaboração”, conta Alfred Sholl, um dos organizadores da OBN. Professor de biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em neurociência pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ele comenta que existe uma carência por neurocientistas no Brasil. “Precisamos de mais gente na área. A neurociência está presente no nosso dia a dia: há várias doenças do sistema nervoso no nosso cotidiano (como epilepsia e esclerose múltipla).” Para ele, a realização da OBN pode fomentar o interesse de jovens pelo ramo.

 

Área do saber
Campo científico que estuda o sistema neurológico, que inclui o cérebro, a coluna vertebral e células nervosas*Estagiário sob supervisão  de Ana Paula Lisboa

 

Provas

Competição de neurociência para estudantes do ensino médio.

 

Memória

Em 2016, diversas pessoas se mobilizaram para ajudar a estudante Lorrayne Isidoro, que passou em primeiro lugar na OBN e conquistou a chance de participar da competição internacional na Dinamarca. A aluna do Colégio Pedro II não tinha recursos para viajar e fez uma vaquinha virtual em que arrecadou mais de 400% do valor pretendido. Ela viajou com um passaporte de emergência e terminou a competição em 18º lugar.

 

Evento na UnB

A Editora Leya Alumnus promove na sexta-feira (19), das 8h às 12h, no Auditório 3 da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), o 2º Simpósio de Neurociências e Aprendizagem do DF. O evento marcará o lançamento do livro A neurobiologia do aprendizado na prática. Informações: neuroaprendizagem.unyleya.edu.br/simposio.

 

Pratas da casa  / Conheça os jovens do DF que chegaram à final da prova

 

Veterano na olimpíada
Kaleb Damarcena, 17 anos, participou da etapa nacional da OBN pela segunda vez. O aluno do CEM 9 se envolver com a iniciativa por gostar da área de saúde. “Pretendo cursar medicina”, diz. “Neste ano, consegui uma vaga num preparatório da Escs (Escola Superior de Ciências da Saúde) para a OBN”, conta. Em 2016, a ajuda veio de  Ivaldo Jesus Lima, professor de biologia do CEM 9. “Logo quando vi o Kaleb, percebi que ele se destacava: sempre participava das aulas e respondia as questões propostas”, lembra. Mestre em neurociência e doutor em neuropsicologia, o professor deu aulas no turno contrário do ensino regular para prepará-lo.


“Ele foi muito bem. A OBN é difícil”, analisa. Kaleb achou a edição da OBN de 2017 mais difícil, porém, mais interativa. Filho de um empresário do ramo de camisetas e uma dona de casa, ele faz cursinho para garantir a realização do sonho de estudar medicina na Universidade de Brasília (UnB) ou na Escs. “Caso eu não consiga, tentarei fora. Para mim, a medicina é a forma mais eficaz e palpável de ajudar e salvar vidas”, pontua.

Novata na área
Fabiana de Lima Ferreira, 16 anos, aluna do curso técnico em informática integrado ao ensino médio do IFB, sonha fazer medicina ou engenharia mecatrônica e estudou por conta própria para as provas da OBN. No começo, ela não sabia o que é neurociência. “Comecei a estudar e gostei muito da ideia de entender mais sobre o sistema nervoso”, conta. Filha de um padeiro e de uma dona de casa, ela não tinha recursos suficientes para financiar a viagem para o Rio de Janeiro e organizou uma vaquinha por meio de um site de financiamento coletivo. O objetivo era arrecadar R$ 4 mil e 98% do total foi obtido por meio de doações on-line.


“Gostei do evento. Foi diferente porque, geralmente, nas olimpíadas, você chega e todos ao redor são concorrentes. Nessa, houve integração e companheirismo entre os competidores”, conta. Professora de língua portuguesa no IFB, Cleide da Silva Cruz considera a adolescente uma estudante esforçada. “Ela é excelente aluna, superdedicada, uma menina de família simples que aproveita tudo que o instituto tem a oferecer”, percebe.

Pequenacientista

Isabelle da Silva dos Santos resolveu participar da OBN por ser fã de ciência desde criança. “Valeu a pena estudar. Tive a oportunidade de conhecer professores incríveis”, revela a aluna do Colégio Militar Dom Pedro II. Moradora de Sobradinho, a jovem estuda na instituição desde a 6ª série do ensino fundamental, quando passou no processo seletivo do colégio. Os pais dela trabalham em uma oficina de carros, a mãe na gerência e o pai como mecânico. A preparação para as provas foi intensa, pesquisando em sites e livros.


“Gostei muito, essa experiência fez com que eu me apaixonasse pela área.” Isabelle espera cursar medicina ou relações internacionais. Professor de biologia e supervisor do ensino médio no Colégio Militar Dom Pedro II, Adilson Bessa, elogia o esforço da aluna. “Ela se destaca e sempre busca conhecimento. A Isabelle é um exemplo a ser seguido”, comenta, citando a participação da jovem no projeto Jovem Senador (que seleciona, por meio de um concurso de redação, 27 estudantes para vivenciarem o trabalho de parlamentares) no ano passado.

 

 

 

*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa