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Gênios da robótica com Lego

Estudantes do Sesi Gama representam o Distrito Federal em torneio internacional na Inglaterra nesta semana e pretendem encantar os jurados com um projeto que providencia órteses feitas com impressora 3D para animais com deficiência

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postado em 18/06/2017 14:57 / atualizado em 18/06/2017 15:06

Cristiano Costa

Sete jovens dedicados e criativos representarão o DF no Campeonato Aberto Internacional de Robótica da First Lego League (FLL), no Reino Unido, a partir da próxima quarta-feira. Eles são alunos da escola do Sesi (Serviço Social da Indústria) no Gama, formam a equipe Lego Field e tiveram de passar por etapas interescolares, regionais e nacional antes de garantir vaga na fase internacional da competição. Em todas as provas, o objetivo é desenvolver robôs utilizando como matéria-prima peças de Lego — o tradicional brinquedo de montar — e conhecimentos em programação. Nesta edição, o tema é “Animal allies” (aliados animais), que estimula a cooperação entre humanos e bichos. Gabriel Álex de Almeida Serejo, 17 anos, Wallesca Maysa Pessoa Borges, 16, Catharina Farias de Lima, Lucas Alves Sampaio, Matheus Queiroz de Assis, 15, Ana Claudia Alves Negri, 14, e Isabelle Silva Rocha, 11, embarcaram, na última sexta-feira (16), para Bath, cidade da Inglaterra, que sediará o torneio.


Eles estarão entre os 700 competidores a partir de 9 anos de idade de todo o mundo no evento. No total, 100 equipes disputarão entre si durante cinco dias, entre elas sete do Brasil (uma do DF, uma de GO, uma de MG, uma de AL e três de SP, ). Os adolescentes precisarão se esforçar para mostrar habilidades em programação e resolução de problemas. Cada grupo viaja acompanhado de professores e monitores. O time brasiliense se classificou para a final por ter desenvolvido o projeto The Walking Pets, voltado a garantir órteses feitas em impressora 3D para animais com deficiência. A iniciativa consiste numa plataforma virtual que conecta donos de bichos com dificuldade de locomoção e voluntários dispostos a fabricar as peças. Uma das integrantes, Isabelle acredita que a ideia se destacou entre as demais. “Muitos dos projetos mostravam como os animais poderiam ajudar o ser humano. Nós queríamos fazer o contrário”, diz.


“A gente se sensibilizou por ver que a maior parte dos bichos abandonados é deficiente”, conta. Ela e os colegas contaram com apoio da escola para se desenvolverem. Uma grande ajuda foi o fato de a robótica ser uma disciplina ofertada na grade horária do colégio. Lohane Feitosa, psicóloga do Sesi que acompanha a equipe, explica que todos os estudantes podem participar da competição, mas uma pré-seleção interna (com base em notas, comportamento, entrevistas e dinâmicas de grupo) é usada para formar as equipes. Na prova nacional, o Sesi disputou com três times. “A gente escolhe aqueles com potencial para desenvolver”, observa.


“A gente também ajuda os meninos na preparação emocional, pois existe muita cobrança”, revela. A cerimônia de premiação ocorre no próximo sábado (24). A maior parte da viagem da equipe brasiliense é custeada pelo Sesi; os pais dos alunos arcam com 20% dos gastos. Esta é a segunda experiência internacional da Lego Field. No ano passado, a equipe também foi classificada para o torneio internacional, que ocorreu na Espanha.

 

Versão tupiniquim

O Torneio Nacional de Robótica FLL foi criado em 1998, pela First, organização norte-americana sem fins lucrativos, em parceria com a Lego. No Brasil, o Sesi é o executor da prova desde 2013. Neste ano, a fase nacional ocorreu em março em Taguatinga e contou com 740 competidores de escolas públicas, particulares e do Sesi, além de times de garagem.

 

Talentos do DF 

Conheça os membros a equipe brasiliense

 

Cristiano Costa
 

 

Ana Cláudia Alves Negri, 14 anos, aluna do 9º ano do ensino fundamental
“Com a robótica, adquiri vários conhecimentos, fiz amizades, conheci lugares e me interessei por projetos de variados temas. No futuro, quero ser empresária. Competições como a da Lego League promovem integração  entre diferentes culturas e estimulam as crianças a se interessarem por ciências, por isso são importantes." 

 

Matheus Queiroz de Assis, 15 anos, aluno do 1° ano do ensino médio
“Comecei na robótica em 2013 por curiosidade. Eu me interessei por causa do torneio. Estamos nos preparando desde agosto do ano passado, passamos por várias horas de treinamento. É um trabalho árduo que traz ótimos resultados. Sempre foi o objetivo chegar aonde chegamos, mas é um passo de cada vez.”

Wallesca Mayssa Pessoa Borges, 16 anos, aluna do 3° ano do ensino médio, faz curso técnico em design
“Minha primeira temporada foi a do ano passado e o nível foi bem parecido com o de agora. Este ano, a gente está muito mais preparado para chegar lá e trazer um troféu para casa. As etapas são as mesmas, mas as experiências nunca são iguais.”


Gabriel Álex de Almeida Serejo, 17 anos, aluno do 3º ano do ensino médio, faz curso técnico em segurança do trabalho
“Quero trazer o prêmio para o DF. Meu objetivo não é só participar: quero ir à Inglaterra para ser lembrado. Quando entrei no Sesi e descobri que existia a robótica de competição, vi que tinha chance. No futuro, quero cursar engenharia mecânica.”

Lucas Alves Sampaio, 15 anos, aluno do 1° ano do ensino médio
“Estou muito ansioso, animado e feliz. Esta será a minha primeira vez no exterior. Antes de ter contato com a robótica, eu era muito tímido e consegui vencer isso. Meu objetivo de vida é desenvolver jogos e animação. Essa ideia clareou com a robótica e acabei me apaixonando
por essa área.”

Catharina Farias de Lima, 15 anos, aluna do 1° ano do ensino médio
“Esta será a melhor viagem que já fiz, só estou me preparando para coisas boas. Eu me interessei pela robótica por gostar de pesquisa. As atividades têm me ajudado a desenvolver responsabilidade e me inspirado a pensar no meu futuro profissional. Quero ser técnica de segurança no trabalho ou bióloga marinha.”

 

Isabelle Silva Rocha, 11 anos, aluna do 7º ano do ensino fundamental
“Meu pai já tinha mexido com robô de Lego, eu achava legal e me interessei por isso. Resolvi entrar na competição e me encantei: é um mundo maravilhoso. Eu quero ser neurocirurgiã, e a robótica me ajuda na parte da concentração e no foco. Esta é a minha primeira viagem internacional e estou muito ansiosa.”

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa