Brincando de matemática

Professores de cálculo 1 tentam desmistificar as dificuldades em torno da disciplina e criam uma competição pra lá de lúdica e divertida

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postado em 20/06/2017 11:55

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

A aula de cálculo 1 dos alunos de engenharia da Universidade de Brasília (UnB) foi diferente na manhã de ontem. As carteiras deram lugar às cadeiras de cinema e as roupas comuns se transformaram em fantasias. No lugar da calculadora, o item de uso obrigatório era o chapéu. As equações, antes escritas no quadro-negro, foram apresentadas de forma criativa em vídeos de até dois minutos, com direito à encenação de familiares e recados de atrizes globais — como Adriana Prado e Valentina Bulc.



Essa foi a 12ª edição do Summaê de Integrais, evento matemático interativo de perguntas e respostas, que contou com mais de 90 inscritos. Nesta edição, dez professores das universidades de Goiás, Santa Catarina e São Paulo participaram do evento com fantasias relacionadas ao universo de Harry Potter.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Idealizado pelo professor Ricardo Fragelli, do Departamento de Engenharia do Câmpus do Gama, o evento ocorre uma vez por semestre, há seis anos. Summae vem do latim e significa soma em português. O lema de cada uma das aulas é “Todos unidos pela educação”. “Mas unidos com estilo — por isso, o chapéu”, brinca Ricardo. “Para trabalhar mais ainda com a criatividade, começamos a escolher temas. Este foi Harry Potter. No ano passado, todos estavam fantasiados com roupas do Star wars”, completou o professor, que estava caracterizado como o personagem Dumbledore.

As aulas temáticas têm a função de divertir os alunos e tirar a seriedade da sala de aula. “Queremos que eles sejam protagonistas do encontro, que tragam questões e trabalhem a criatividade. O projeto é feito no país todo, de crianças a doutores, sempre seguindo a dinâmica de jogos interativos”, explicou.

Durante toda a manhã, os professores se revezaram para concluir os cálculos e ajudar os alunos a propor novas soluções para os problemas. Até uma partida de quadribol — o esporte mais popular do mundo bruxo — foi disputada dentro da sala de cinema, enquanto um professor com PhD e outro aluno da graduação competiam para ver quem terminava a equação mais rápido.
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


Estudante do segundo semestre de engenharia aeroespacial, Kelvin Ribeiro, 19 anos, demorou horas para se fantasiar de Voldemort. Para ele, que participa pela segunda vez, agora como ajudante de Ricardo, o Summaê ajuda a tirar a tensão comum das aulas de cálculo. “Aprendemos a matéria nos divertindo. Ela é uma das que mais reprovam e, aqui, não temos cadeiras ou quadros. Em eventos como esse, nós nos empenhamos para nos sairmos bem e, com isso, aprendemos.”

 

Legado
A ideia desenvolvida pelo professor da UnB já chegou ao Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), em Rio do Sul, Santa Catarina. A mestra Emanuela Valério Jorge ajudou a promover pelo menos 12 Summaês em diversos cursos. “Eu trabalho com várias disciplinas voltadas para a área matemática. Desde a primeira edição, vimos alunos procurando o evento. Eles já chegam perguntando se terá o Summaê na turma.”

Antes da implementação do projeto, o índice de evasão dos alunos de cálculo ao fim do semestre era de 60%. “Com o passar do tempo, os estudantes se engajaram e esse número diminuiu bastante, sem falar no ganho metodológico para eles”, ressaltou Ronni Amorim, professor do Departamento de Engenharia da UnB.

A mudança no desempenho dos alunos se comprovou com o sucesso de Cláudio Luiz Lima Correa Júnior, 22, na matéria. O estudante do 4º semestre de engenharia aeroespacial acredita que passou em cálculo 1 graças à dinâmica. “Na primeira vez, vim sem saber muito do conteúdo e não conseguia resolver nenhuma questão. Não é mito que cálculo é uma das que mais reprovam, e essa aula nos ajuda muito nas próximas matérias de exatas”, frisou.

A aula terminou com a competição entre os alunos em três categorias: melhor chapéu, melhor vídeo e maior pontuação nas questões de cálculo. O grande campeão da 12ª edição foi Matheus André Araújo Soares, 17, estudante de engenharia automotiva. “Foi emocionante, esperamos o semestre todo por essa competição. Chegamos nesse projeto sem saber nada, e aqui aprendemos muita coisa. Isso nos incentiva. Semestre que vem, com certeza, serei monitor na matéria e estarei aqui ajudando os próximos alunos”, comemorou.

 

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press