Escola em Pelotas gera polêmica com conteúdo cobrado em provas do 5º ano

Pai de aluna chegou a fazer post em rede social condenando as questões. Escola afirma que o exame não fere as diretrizes do MEC

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postado em 28/06/2017 20:49 / atualizado em 29/06/2017 15:12

Arquivo Pesoal

 

Questões de uma avaliação aplicada para estudantes do quinto ano em escola particular de Pelotas, no Rio Grande do Sul, deram início a discussões sobre conteúdo ideológico direcionado para crianças. Os pais de uma aluna postaram print da prova em uma rede social. O exame de história apresentava questões sobre a consolidação das leis do trabalho, desigualdade salarial e sobre as reformas previdenciária e trabalhista. Alunos tinham que responder perguntas interpretando charges.


Uma ilustração mostrava trabalhadores com uma bandeira em haste com a escrita “A greve é a nossa arma”. Em outra imagem, um diálogo questiona a distribuição de renda entre empregador e empregado. Os alunos deveriam interpretar a charge e responder as perguntas “Por que a greve é a arma do trabalhador?” e  “Qual a função dos sindicatos?”.

Janaína Mesquita, 34 anos, agente administrativo e mãe de uma das alunas que fizeram a avaliação, diz que os principais problemas das questões são a temática inapropriada para crianças de 9 a 10 anos e o explícito viés ideológico empregado nelas. “Esperava algum conteúdo de história e não charges políticas. Uma e outra, tudo bem, mas achei tudo muito escancarado”, conta. "Marquei uma reunião com a escola. Disseram que o conteúdo da prova estava de acordo com o dos livros que são distribuídos pelo Ministério da Educação (MEC)", relembra. Segundo Janaína, o colégio se comprometeu a levar as críticas dela a reuniões com representantes do MEC e ao Sistema Positivo de Ensino, instituição que produz os livros utilizados na escola.

Marido de Janaína, Carlos Floor, chegou a postar no Facebook as questões e se mostrou indignado pela abordagem empregada.

 

A professora de sociologia de nível médio da escola Sesi Isadora Torres discorda que as questões tinham um viés político, e, segundo ela, a escola nunca se posicionou de maneira partidária. “A prova me pareceu mais interpretativa, com questões ligadas à charges”. Isadora não questionou conteúdo cobrado, pois o aluno tem que se informar sobre assuntos desse segmento. “Se parar para analisar no contexto atual, isso é história, existe história contemporânea ali.”

Posicionamento do colégio

A Escola Santa Mônica, por meio da assessoria de comunicação, afirma que abordar os temas questionados pelos pais dos estudantes é natural. Segundo a instituição, o conteúdo é adequado e os alunos têm capacidade de analisá-lo. Segundo a escola,97% dos estudantes que fizeram a prova foram aprovados. Em nota, o estabelecimento ressalta que a escola é um espaço democrático que incentiva os alunos a serem cidadãos críticos e participativos desde cedo. A escola afirma que está aberta para informar pais sobre conteúdos utilizados na instituição e se dispõe a esclarecer eventuais dúvidas.

 

Em nota, o MEC informou que não existe nenhuma diretriz feita por eles para elaboração dos livros das escolas particulares ou sobre quais livros essas instituições devem usar. "Cabem aos conselhos estaduais de Educação a fiscalização, supervisão e avaliação dos estabelecimentos particulares. No âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), somente são atendidas as escolas públicas." 



Confira trecho da nota:

“O conteúdo de 5º ano do ensino fundamental trabalhado na avaliação foi elaborado por um grupo de especialistas em que a escola confia. Além disso, conhecemos a capacidade de análise e também do seu alcance para abordar assuntos dessa complexidade, respeitando as limitações da sua faixa etária”, confira a versão completa.

 

 

 

 

* Estagiário sob supervisão de Ana Sá