O desafio de elaborar e interpretar estudos estatísticos sobre educação

Pesquisadores abordaram o assunto durante congresso de jornalismo de educação em São Paulo

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postado em 29/06/2017 11:29 / atualizado em 29/06/2017 19:23

Youtube/Reprodução

Durante o primeiro Congresso de Jornalismo de Educação, em São Paulo, Nihan Koseleci Blanchy, pesquisadora do Relatório Global de Monitoramento de Educação (Gemr Report), e Alejandro Vera, que integra o time de estatística da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), falaram sobre indicadores, dados e relatórios internacionais com relação ao ensino. Afinal, a comparação internacional serve como parâmetro de qualidade para orientar ações internas. Além do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), existem outros indicadores que podem ser levados em conta.



Alejandro Vera trabalha no Instituto Estatístico da Unesco (UIS), organização que produz as informações oficiais da Unesco sobre educação. “Para produzir essas estatísticas, é preciso ter dados oficiais e que sejam comparáveis internacionalmente. Os dados primários são enviados pelos estados-membro”, explica. Estabelecer uma classificação comum para avaliar sistemas educionais diferentes é um pré-requisito: normalmente é usada a Classificação Internacional Normalizada da Educação (Cine). O UIS também se baseia em dados secundários de instituições como o Banco Mundial.

A educação é o Marco 4 da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável da Unesco. A partir disso, os dirigentes dos estados-membros assinaram a agenda Educação 2030 do tema. Monitorar as metas estabelecidas por esse objetivo gera um conjunto de indicadores, reconhecendo também o contexto, que podem ser acessos pelo site.

Segundo Nihan, indicadores e relatórios, como o Relatório Global de Monitoramento de Educação, podem ser usados como ferramenta de lobby. O GMR produziu 12 relatórios sobre educação entre 2000 e 2015 focados em seis objetivos (a maioria deles visando garantir a presença de crianças na escola, além de uma meta global de qualidade), disponíveis no link. Uma das metas da agenda Educação 2030 é educar as crianças para serem cidadãos globais.

“Mas o que quer dizer ser um cidadão global e como monitorar o que os estados estão fazendo para alcançar isso? É um desafio muito grande. É algo problemático. Além disso, precisamos comparar países desenvolvidos e em desenvolvimento no mesmo relatório”, comenta Nihan. Inserir a preocupação com o meio ambiente na formação estudantil é outra meta difícil de ser medida. A solução prática que Nihan encontrou para a questão foi fazer uma análise dos conteúdos programáticos previstos. “Apenas 40% dos currículos menciona mudanças climáticas. Mas apenas mencionar não quer dizer que isso está sendo aplicado na vida real, então é outra questão”, diz.

Assim como é complexo elaborar levantamentos e estudos estatísticos sobre educação, a interpretação dos dados por parte do público e da mídia também pode ser problemática. “Às vezes, a publicação de uma informação incompleta ou fora do contexto gera um entendimento errado da situação”, analisa a pesquisadora do Relatório Global de Monitoramento de Educação.

*A jornalista viajou a convite da Fundação Telefônica