Inep debate peso de avaliações para a qualidade da educação

Conversa ocorreu durante congresso de jornalismo de educação em São Paulo

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postado em 29/06/2017 18:44 / atualizado em 30/06/2017 09:52

Ana Paula Lisboa
Maria Inês Fini, presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); Chico Soares, o antigo presidente da organização, conselheiro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Ocimar Alaverse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP); debaterem sobre os indicadores da educação básica durante o primeiro Congresso de Jornalismo de Educação. Com mediação de Paulo Saldanha, repórter de Educação da Folha de São Paulo, eles falaram sobre como avaliações, entre elas a Prova Brasil, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Sabe) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), podem ser usadas para melhorar o ensino brasileiro.


Maria Inês Fini salientou que os resultados obtidos permitem analisar não só o ensino, mas também as condições socioeconômicas, o sistema e a estrutura das escolas e dos professores, além da cobertura/acesso por meio do cruzamento de dados. “Para que as políticas públicas possam ser bem desenhadas, não se pode prescindir do diagnóstico”, afirma. A presidente do Inep também defendeu que é por meio de dados que as políticas públicas podem ser formuladas e avaliadas com base na realidade.

“Para garantir educação de qualidade, é preciso olhar resultados. Sem dados, não se identifica como o aluno está indo de fato”, complementou Chico Soares. “Todos têm direito à educação, mas isso não quer dizer só acesso. Direito à educação é direito ao aprendizado num nível que permita ao aluno funcionar como cidadão na sociedade. Antes a criança ficava na escola, não aprendia nada e nada acontecia. Hoje, não”, disse, referindo-se ao fato de pesquisas identificarem deficiências no ensino e, assim, indicarem o caminho a ser seguido para melhorar. “Temos, hoje, um diagnóstico muito melhor do que antes, mas ainda falta melhorar bastante”, admite.

Entre os problemas a serem superados, está a questão de verificar o peso do que é aprendido em sala de aula para a formação do estudante. “Não se vai à escola para aprender qualquer coisa: é preciso que sejam ensinados conteúdos relevantes. E ainda não temos dados dados sobre isso”, lamenta. No que diz respeito à relevância dos conteúdos, ele acredita que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um caminho para garantir isso. Chico Soares defende a necessidade de mais dados e pesquisas. “O problema da educação brasileira é tão grave e estrutural que é preciso ter informação sólida e pesquisa para mudar isso”, conclui.

Ocimar Alaverse, da USP, pondera, no entanto, que qualquer informação não basta. “Os dados não são tão seguros assim. O indicador não é uma taxa ou índice, mas um constructo, que depende do significado que se quer dar a ele. Sucesso ou fracasso é uma ideia”, afirma. “A realidade e o indicador não mudam na mesma proporção e há termômetros com mais ou menos sensibilidade.” O professor acredita que o Ideb, por exemplo, não é tão eficiente para medir a qualidade da educação escolar.

Os parâmetros a serem utilizados são outra problemática. “Leitura e resolução de problemas são competências muito importantes, mas não são as únicas e não podem resumir a escola”, analisa. “Além disso, durante muito tempo, a qualidade era medida pelo acesso, o que valia para um ambiente em que não se tinha escolas. Mas isso ainda é usado no caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou das creches, pois o acesso a elas não é dado”, indica. “Afinal, é possível medir a qualidade da educação? Eu diria que sim. O problema volta para o que definimos como qualidade.”

 

 

 

*A jornalista viajou a convite da Fundação Telefônica