Trilhas da Educação

Estudantes do ensino médio desenvolvem carro solar no sertão de Pernambuco

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/06/2017 19:50

 

Quatro estudantes do ensino médio aceitaram o desafio lançado durante a feira de ciências da Escola de Referência em Ensino Médio Regina Pacis, em Santa Cruz da Baixa Verde, Agreste de Pernambuco, e desenvolveram um projeto ousado.

 

Com materiais oriundos principalmente do lixão, os jovens criaram um carro movido a energia solar. O trabalho concorre a prêmio no 2º Torneio Virtual de Ciências, promovido pelo Espaço Ciência, museu interativo vinculado ao governo pernambucano, em parceria com o Jornal do Commercio.

 

A história conjunta de Alex de Souza, Gustavo Ramos, Carlos Daniel da Silva e Pedro Henrique Diniz começou há um ano, quando a professora de geografia Kilma Ramos propôs a criação de uma máquina sustentável. Ela conta que os meninos tiveram dificuldade no início, especialmente para coletar o material necessário. Ainda assim, não desistiram da ideia.

 

A solução foi pedir doação de materiais, de objetos que virariam lixo. “Eles começaram a pegar material nas oficinas; a placa foi emprestada e os outros materiais, os meninos saíram pegando. Foram ao lixão pegar pneu para colocar no carrinho”, lembra a professora.

 

A Escola Regina Pacis atende sete turmas de ensino médio e tem cerca de 250 alunos em regime semi-integral. Gustavo Ramos é um dos idealizadores do projeto e afirma que nem ele, nem os colegas tinham conhecimentos prévios de mecânica, mas que isso não foi empecilho.

 

“A gente fez o chassi, colocou as rodas e a caixa de direção. Foi feito por mim mesmo, de forma artesanal. A caixa de direção não era de carro mesmo, era tudo coisa criada, e na hora. O carrinho funcionava, mas com muita dificuldade”, diz Gustavo, ao explicar que, para participar do concurso, o grupo precisou fazer melhorias no carro. “Neste mês agora, o melhorei mais, porque a mecânica era muito ‘grosseira’. A gente ajeitou para o motor ter mais força e andar melhor”.

 

Para elaborar o projeto do carro totalmente movido a energia solar, os estudantes usaram um motor de 50 cilindradas, que permite que o carro alcance velocidade entre 5 e 7 quilômetros por hora. Na visão de Gustavo, ainda é preciso melhorar a autonomia e a potência. “Precisamos colocar um motor maior, com mais potência e com muito mais modernidade. Esse que temos é motor pequeno. O que queremos colocar é para rodar 24 horas ligado; não dá problema, não esquenta e não queima”, ressalta.

 

Existem carros híbridos movidos a gasolina e a energia elétrica, simultaneamente. Mas o veículo criado pelos estudantes anda apenas com energia solar, mesmo em dias nublados. Isso faz com que não dependa de gasolina, nem de bateria. “É só a energia do sol. Mesmo nublado, com quase ‘zero’ de luz, ele ainda carrega, porque a nossa placa solar é fotovoltaica profissional. Ela dá até 25 volts em pico de sol, por volta de meio-dia, e depois disso vai caindo. O mínimo dela é de 11 volts e, mesmo assim, ainda carrega a bateria”, elucida Gustavo.

 

O jovem, que pretende cursar engenharia mecatrônica, conta que o projeto é de baixo custo, viável e totalmente sustentável. “Não é caro, daria para ser feito por grandes empresas e funciona como um carro normal, se fizer uma mecânica bem profissional. Hoje em dia, a gasolina está muito cara, e esse é um carrinho que não polui”, conclui.

 

Desde a primeira vez que foi exposto, o projeto despertou a curiosidade da comunidade escolar da cidade. Kilma Diniz conta que muitos estudantes acharam “inacreditável” e queriam dar uma volta no veículo. “Até alunos de outras escolas quiseram vir para ver o carro deles”, lembra a professora.