Desafio em todo país

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postado em 31/07/2017 21:14 / atualizado em 31/07/2017 21:15

A alfabetização da população ainda é um grande desafio em todo o país. O Brasil tem cerca de 12,9 milhões de pessoas analfabetas, de acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 8% da população acima de 15 anos. Embora o dado seja expressivo, ele representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação a 2014, quando 13,7 milhões de pessoas no país viviam nesse contexto. A região Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo, com 16,2%. Os menores índices continuaram a ser os das regiões Sul (4,1%) e Sudeste (4,3%). No Norte, o percentual cresceu de 9% para 9,1%, sendo a única região em que houve aumento desde 2014. O Centro-Oeste registrou uma proporção de 5,7%.


O especialista na área de educação Afonso Galvão aponta as consequências geradas por esse cenário. “O indivíduo analfabeto tende a reproduzir sua condição menos favorecida. Por causa da privação social, as chances que os filhos deles têm de estarem inseridos em uma realidade de desigualdade social são grandes”, argumenta.

Rosângela Borges Cruz, atualmente em situação de rua, não sabe ao certo quantos anos tem. Analfabeta, pede para alguém olhar na identidade e tenta gravar. Ela trabalha vendendo balinhas pelas ruas da capital. Mãe de sete filhos, a baiana veio de Uruçuca, na esperança de uma vida melhor. “Minha infância foi muito difícil, não gosto nem de me lembrar. Na minha casa, eram 12 irmãos, e eu era adotada. Nunca pisei em uma escola. Agora, eu estou na luta do dia a dia”, conta.

Para o professor da Faculdade de Educação da UnB Remi Castioni, atualmente a leitura é um aspecto de divisão social. “Vivemos na sociedade da informação, que se caracteriza pela tecnologia, a conectividade e a qualidade do trabalho. Quem não sabe ler, nem escrever tende a ser excluído socialmente, marginalizado. Não se beneficia dos processos de informação, nem participa de instâncias técnicas, como inserção no mercado de trabalho”.

Outro problema grave é o analfabetismo funcional. A taxa passou de 17,6%, em 2014, para 17,1%, em 2015. É o caso de Zaqueu Santos, 55 anos, que só pôde ir à escola até os 10 anos. O ex-ajudante de pedreiro passava fome quando criança. Hoje, assinar o próprio nome é uma conquista, já que teve de parar de estudar para ter o que comer. “Desde novinho, eu trabalhava em feiras, carregando frutas. Mas sempre tive vontade de estudar. Depois que cheguei aqui, em 2012, comecei a estudar sozinho”, diz. Aos poucos, ele começa a ter mais intimidade com a caneta e o papel. “Todos os dias, eu faço alguma lição. Já consigo juntar um monte de letras que conheço”, comemora, com um sorriso orgulhoso.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Oportunidade
A Universidade Católica de Brasília (UCB) promove o projeto Alfabetização Cidadã, iniciativa que atende jovens e adultos do DF não alfabetizados. A formação é gratuita e ocorre em diversas regiões administrativas, para pessoas em condição de vulnerabilidade social. As aulas são ministradas durante a tarde e à noite. As inscrições são feitas presencialmente, no câmpus I da UCB, Bloco L, Sala 19. Endereço: Qs 7 lote 1 EPCT, (Pistão Sul) Águas Claras/DF. Informações: alfabetizaçãocidada@ucb.br ou 35569162.
 
Tecnologia em prol do ensino
 
Um grupo de pesquisadores do DF criou um projeto que promete ajudar adultos e adolescentes a ler e escrever. Chamado de Edu, o aplicativo para celulares e tablets é baseado em uma metodologia de ensino desenvolvida especialmente para a alfabetização com uso de dispositivos móveis. A iniciativa, selecionada no edital do Fundo de Apoio à Pesquisa, está entre as startups brasilienses que receberam incentivo financeiro para desenvolverem projetos considerados relevantes.

“Estamos no momento de pesquisa. Com o desenvolvimento da metodologia, que vai ser baseada em fonemas, o método tem se mostrado mais eficiente até agora, e, claro, com muitas imagens e vídeos. Um boneco 3D será uma espécie de mestre de cerimônias da plataforma”, comenta um dos cofundadores, Hugo Barros. Segundo ele, a previsão é de que o lançamento do projeto ocorra em um ano. Os idealizadores estão buscando colaboradores para a equipe de professores ou pedagogos com experiência em alfabetização de adultos. Interessados em participar podem entrar em contato pelo e-mail hugobarros.edu@gmail. com.