Escola Classe 12 de Taguatinga promove encontro entre escritores e crianças

Psicóloga chama a atenção para benefícios da leitura e promoção do contato dos pequenos com os autores

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postado em 20/09/2017 17:35 / atualizado em 20/09/2017 20:35

 

A Escola Classe 12 de Taguatinga (EC 12), que ensina alunos da educação infantil ao 4º ano do ensino fundamental, promoveu sua primeira feira cultural no último sábado (16) com a presenças de seis autores de livros infantis. As salas das turmas de cada ano estavam ornamentadas com referências das obras dos escritores presentes, que serviram de tema às atividades escolares. Matemática, ciências, geografia, português, dentre outras disciplinas, foram lecionadas a partir da literatura. O evento, que durou toda a manhã, encantou a criançada.


“É a primeira vez que estou vindo em uma feira cultural, que nunca teve aqui na escola, e está muito boa. A gente está estudando os animais, que eu gosto bastante e agora estou tendo oportunidade de conhecer”, comenta a estudante do 3º ano, Sarah Viglioni, de 9 anos.

Apaixonada pela natureza, a menina cobra dos pais uma visita ao Pantanal, no Mato Grosso do Sul, assunto preferido nos livros que ela lê. O pai de Sarah aprova a iniciativa da escola. “É fundamental esse tipo de evento porque incentiva os meninos e meninas a valorizarem a leitura desde pequenos”. Marcelo Viglioni, psicólogo, enxerga avanços no aprendizado da filha, que quer se tornar escritora. “Ela gosta muito da escola e das professoras. Esse incentivo influi muito na escrita e no relacionamento, a comunicação dela tem melhorado muito.”

 

Emoção
No pátio da escola, os alunos foram reunidos para ouvir os autores e fazer perguntas a eles. A mediação ficou por conta de Rosana Costa, que, além de supervisora da escola, é uma das autoras homenageadas. Formada em letras pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), a escritora conta como ficou emocionada com a homenagem preparada pelos alunos, que enfeitaram salas de aula de acordo com a temática das obras e apresentaram produções também inspiradas pelas obras. “Ontem, quando entrei na sala e vi os trabalhos, danei a chorar. É muita emoção. A gente vê quantos frutos o livro pode gerar, inúmeras atividades. E essa era intenção desde a concepção da obra. Oportunizar o encantamento pela leitura é muito gratificante”.

 

Aprender brincando


Os estudantes também criaram jogos e brincadeiras, também inspirados nos textos. Rosana atenta para a importância dessas ações. “Quando a gente traz a ludicidade à sala de aula, as crianças aprendem com prazer. O intuito é fazer da leitura, da literatura e de todo o aprendizado uma grande brincadeira. Dessa forma, aprender brincando”. Além das discussões, os alunos tiveram os próprios exemplares autografados. Para Rosana, é de extrema importância o contato proporcionado com os autores. “Ao encontrar o realizador do livro, elas percebem que se trata de pessoas comuns e que também conseguem chegar ali. Se eu posso escrever, eles podem escrever”, salienta.

“Às vezes, a criança tem contato com a obra, mas não tem ideia de como é feita, quem está por trás, quais as dificuldades. Desse modo, a possibilidade de conversar com o autor, de fazer perguntas diretamente a ele e ainda ganhar um autógrafo é enriquecedora”, explica Adriana Rezende Vargas, coordenadora pedagógica na escola, mestre em educação pela Universidade de Brasília (UnB).

Gênero à parte
Os professores da escola escolheram obras a partir do acervo do Instituto Casa de Autores. Criado há quase 10 anos, o instituo acolhe autores brasilienses, ajudando-os a promover as obras, contatar editoras e acompanhar o processo de publicação. Além disso, promove lançamentos, palestras e oficinas dos autores em feiras literárias, escolas e livrarias, além de cuidar de contratos e direitos autorais.

Além da Escola Classe 12, a presidente do instituto, autora e psicóloga Iris Borges, junto a outros escritores, visita dezenas de escolas anualmente. Para ela, os livros infantojuvenis caracterizam gênero à parte e não é qualquer autor que consegue adaptar a linguagem para o universo infantil. “Há grandes autores para adultos que não conseguem escrever de forma acessível para as crianças. Com isto, não quero dizer que devam ser fáceis, mas que devem ter uma linguagem própria. É necessário linguagem lúdica e discurso direto”, elucida.

A psicóloga debateu dois livros de sua própria autoria — Cartas para meus amores e Quer conhecer o corpo humano? —com os alunos da escola. Ela acredita que há leituras que são mais interessantes e adequadas para enriquecer o aprendizado das crianças. “A interpretação, o aprofundamento e os processos mentais mais elaborados dos alunos se desenvolvem melhor com a literatura”.

Educação financeira
Coautores do livro As sementes da riqueza, Angélica Rodrigues Santos e Rogério Olegário do Carmo são educadores financeiros há 15 anos e decidiram expandir o público. Com a chegada do filho Davi, o casal de autores, que já havia escrito para o público adulto, passou a explorar o universo infantil. Para eles, não foi difícil adaptar a linguagem. “Foi natural, pois se deu no dia a dia com o filho. Depois que Davi nasceu, tentávamos ensinar esses conceitos que ensinamos aos adultos para ele”. Nesse processo, os dois enxergaram oportunidade de prevenir dificuldades financeiras futuras, ao darem ferramentas sobre o assunto a pais e educadores. “A gente recebia as pessoas no escritório já com muitos problemas financeiros. Daí pensamos: ‘O que podemos fazer para que as pessoas não cheguem a esse ponto?'”, relembram. “Assim, passamos a oferecer visão das riquezas de forma mais ampla, pois, para se ter uma boa relação com dinheiro, é preciso ter uma boa relação consigo.”

O casal participou da mostra literária da escola e enxergou com entusiasmo o trabalho das crianças que desenvolveram atividades a partir do livro que escreveram. “A meninada entendeu realmente a nossa intenção, fizeram um trabalho sensacional, que nos emocionou”, completam. Autora de Uma aventura no pantanal, Yana Marull, também se impressionou com a produção dos alunos a partir do livro dela. “Foi fantástico porque eles fizeram um trabalho muito sério e completo, com tudo que envolve os temas meio ambiente e ciência para os estudantes”, relata. Ela, que já foi correspondente internacional para a Agence France-Presse, abriu mão da carreira jornalística para se dedicar à literatura infantil há três anos.

Mãe do Gabriel, 6, Glaucia Lopes é advogada e espera que a escola continue a promover esses encontros entre os pequenos e escritores. “Todos os envolvidos estão de parabéns por oferecer esse tipo de incentivo. É interessante porque desperta o aprendizado, leitura e vivência das crianças, que só ficam no mundo digital e videogames. Assim, se torna um resgate da vontade de ler. Trazer os autores é incentivo a mais, incentiva-os a, quem sabe um dia, escrever um livro no futuro.”

A presidente do Instituto Casa de Autores, Iris Borges, elencou benefícios da leitura. Confira:

A leitura nos ajuda a:

1 - Pensar com mais clareza.

2 - Expressar melhor nossos sentimentos e pensamentos.

3 - Nos conhecer melhor.

4 - Entender mais os enunciados de problemas.

5 - Interpretar a fala dos outros, com mais propriedade.

6 - Sentir prazer estético.

7 - Viajar por outros mundos.

8 - Ter conversas incríveis com outros leitores.

9 - Desfrutar de intimidade ao compartilhar uma leitura instigante.

10 - Aprender sobre tudo.


*Estagiário sob a supervisão de Jairo Macedo