Escola para alunos com deficiências severas sobrevive com poucos recursos

Centro de Ensino Especial 01 de Brasília para alunos com deficiências severas celebra a vida com arte e competência profissional

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postado em 27/09/2017 06:00 / atualizado em 27/09/2017 09:58

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 
Em frente ao espelho de um estúdio de dança improvisado no Centro de Ensino Especial 01 de Brasília (CEE-01), a jovem Júlia Praxedes, de 15 anos, mostra o comprometimento de uma dançarina profissional. Diagnosticada com síndrome de rubinstein-taybi, mal que  traz alterações físicas e diferentes níveis de transtorno mental, ela não tirava o sorriso do rosto durante o último dia de ensaios para a peça em que viverá a sonhadora Alice, do País das Maravilhas.

A mãe, Isabel Praxedes, 50, assiste a tudo com os olhos cheios de lágrimas. Há três anos, a servidora pública chegou desesperada no CEE, após ter que tirar Júlia de uma outra escola pela terceira vez por causa do preconceito das pessoas em relação à condição da filha. Júlia sofria com os diversos episódios de bullying, que a deixavam bastante ansiosa. “Quando pequena, os adultos e crianças a achavam fofa e engraçadinha, mas, com o passar dos anos, eles riam quando a viam falando sozinha. Chamavam minha filha de louca e retardada”, desabafa Isabel.
 
 

Mesmo fazendo parte de grupos de apoio a familiares e amigos de pessoas especiais, Isabel só soube da existência do centro especializado por uma terapeuta em 2013. Até na internet, segundo ela, as informações sobre os CEE são limitadas, nem no próprio site da Secretaria de Educação há uma aba que trate do assunto. No DF, são 12 centros que atendem estudantes que não têm indicação para inclusão em classes regulares, dispondo deficiências severas — mental ou múltipla, cujo o atendimento necessite de um currículo exclusivamente especial.

O formato de ensino é diferente do convencional. Com um currículo funcional que varia a depender do aluno, o objetivo dos CEE não é ensinar matemática, português e ciências para encaminhar as crianças à universidade. Entre as finalidades, está garantir uma vida mais decente. Seja os ensinando a como usar corretamente o banheiro ou dançando uma peça teatral, como a de Alice no País das Maravilhas, que certamente terá uma plateia cheia, durante a apresentação, hoje, às 14h.

Inclusão

O CEE 01 atende alunos a partir de 14 anos, os mais velhos passam dos 50. São mais de 20 mil metros quadrados, divididos em oito setores, onde são realizadas tanto atividades pedagógicas, que podem ensinar os alunos a ler, escrever, usar um computador e aprender geometria, quanto artísticas, mostrando-lhes como dançar, cantar, pintar ou fazer rap. E às vezes, os conhecimentos se cruzam, como na sala de artes da professora Mônica Aviani.
Enquanto um som reproduz músicas eruditas, os alunos pintam quadros com tinta. Usam réguas e compassos e sabem identificar as formas geométricas que usam.

“A sociedade costuma ver a leitura escrita como o único modo de passar conhecimento. Aqui, no centro, entendemos que isso não é primordial. A vida em si é um leque de artes e, por meio da criatividade, descobrimos o caminho de cada aluno. Não vejo o que fazemos aqui como ensino especial, mas sim uma potencialização humana, pois todos aqui já tem o potencial, só precisamos sair do caminho comum para desenvolvê-los”, garante Mônica.

Para os professores e a diretora Adriana Almeida, a maior dificuldade de trabalhar com alunos especiais é ter verba suficiente para isso. “Temos 232 alunos, mais 50 do Centro de Apoio ao Surdo. Nas salas de aula com alunos com deficiência intelectual, podemos ter até 12 alunos. Mas em outras, como as com transtorno global de desenvolvimento, o atendimento tem que ser individual. Para isso, precisamos de uma grande equipe. Hoje temos mais de 110 professores”, conta. Com isso, falta dinheiro para outras atividades.

O projeto Inclusive Danço, que organiza as apresentações teatrais de dança, como a de Alice no País das Maravilhas, enfrenta problemas de verba para sair do papel. As professoras Nádia Pedroso e Ana Rezende explicam que para o espetáculo de hoje sair do papel, a equipe da escola organizou rifas e recebeu doações para comprar figurino. “Alguns pais ajudam, mas tem aluno que vem de família muito humilde. Nosso maior problema é financeiro, porque vontade não falta para nossos bailarinos”, conta Ana.


Saiba mais

Para matricular um novo aluno em um dos Centros de Ensino Especial do DF, os pais ou responsáveis devem procurar um dos CEE ou as Coordenações Regionais de Ensino com laudo/relatório médico e documentos do aluno, para que ele seja avaliado pelo serviço de apoio que possa indicar o encaminhamento da criança para o melhor atendimento especializado. Para apoiar os projetos do CEE 01 de Brasília, entre em contato pelo número 3901-7627.


As escolas

Centro de Ensino Especial 01 de Planaltina

Setor de Educaçâo Lote I

Centro de Ensino Especial 01 de Sobradinho

Qd 14 - Rua 05

Centro de Ensino Especial 01 de Brasília

SGAS I St. de Grandes Áreas Sul 912

Centro de Ensino Especial 02 de Brasília

Módulo D, Sgas 612

Centro de Ensino Especial 01 de Guará

Guará I QE 20

Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga

Taguatinga Norte - Área Especial 12, St. J Norte Qnj 20

Centro de Ensino Especial 01 de Ceilândia

AE EQNP 10/14 - P-Sul

Centro de Ensino Especial 02 de Ceilândia

QNO 12 - Área especial “G” - Setor”O”

Centro de Ensino Especial 01 de Brazlândia

St. Norte QD 2 - Setor Norte Brazlândia

Centro de Ensino Especial 01 de Samambaia

Área Especial QS 303 - Samambaia Norte

Centro de Ensino Especial 01 do Santa Maria

CL 208 AE LT A - Santa Maria

Centro de Ensino Especial 01 do Gama

Sce Eq 55/56, 2 - Gama