Escola pública

Gestores educacionais relatam dificuldades diárias em escolas públicas

Discussão ocorre em seminário promovido pelo Unibanco. Mulheres de destaque na área contam experiências de sucesso

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postado em 28/09/2017 18:50 / atualizado em 29/09/2017 21:04

 

Começou nessa quarta-feira (27) o seminário internacional Caminhos para a Qualidade da Educação Pública. Com o intuito de entender quais são os dilemas profissionais das equipes de direção das escolas públicas, foram convidadas cinco mulheres gestoras de destaque, vindas de diferentes partes do país, para compartilhar os resultados e experiências delas. Conheça um pouco de cada uma:



Não existe um super-herói

“Nossa voz não chega porque estamos muito distantes”, relata Elba Alves da Silva, coordenadora pedagógica da 9 ° diretoria regional do Rio Grande do Norte (RN). Para ela, falta preparo para os gestores exercerem melhor a função. “A gente se depara com uma prática que não vemos na licenciatura”, diz. Ela, que é responsável por ter conseguido melhorar os índices de reprovação e abandono escolar em cinco anos como gestora, afirma: “Não existe um herói na escola, existe uma equipe.”

Olhar para o todo

Rozimar Morais é diretora da escola Estadual de Educação Profissional Irmã Ana Zélia da Fonseca, em Milagres (CE). Desde 2008, a instituição conseguiu alcançar taxa zero de abandono escolar e 98% de aprovação dos alunos. “Se o estudante não vem, a gente vai atrás dele. Chegamos até o Ministério Público, se for preciso”, garante. Na escola dela, a maior parte dos estudantes vivem em área rural e dependem do benefício do programa Bolsa Família. Diariamente, eles caminham cerca de 20 quilômetros para chegar à escola. “Nosso maior desafio é olhar para o todo, desde o porteiro até o professor. O trabalho de diretor é prazeroso, mas também é de presença permanente”, diz.

 

 

 

 

O desafio de ser tudo em um

Ireni da Mota, diretora do colégio estadual Dona Genoveva R. Carneiro de Itaguari (GO), diz que o maior desafio, para ela, é conseguir exercer as inúmeras funções acumuladas no cargo. A escola localiza-se em um município pequeno e tem apenas 200 alunos. Por isso, não tem direito a equipe gestora. “Eu e meu marido limpamos a escola todo domingo e a nossa horta é cuidada por um professor.”

Apesar disso, ela diz que aprendeu a sempre tentar de tudo para garantir o aprendizado do aluno. “Estamos conseguindo fazer a diferença. Oferecemos até churrasco no lanche da sexta para poder atrair os alunos.”

Ferramentas em favor da educação

“Sempre fui apaixonada por educação”, revela Verbena Gonçalves, coordenadora do Centro de Ensino Médio Moacir Madeira Campos, de Teresina (PI). Para ela, um dos grandes problemas é que os alunos vem com defasagem do ensino fundamental. “Hoje, temos um programa, Mobieduca-me, da Secretaria de Educação, que traz informação sobre os alunos. Isso facilita muito porque identificamos a turma que precisa de uma intervenção e proporcionamos o nivelamento escolar”, diz.

Experiência


Claudete Radaelli, superintendente em gestão da Secretaria de Educação do Espírito Santo, conta com 23 anos de experiência como diretora. Na direção da escola Clóvis Borges Miguel, enfrentou uma situação muito complicada. “Essa é uma escola que fica de frente ao cemitério, com acessos a becos que servem de pontos para usuários de drogas e está em uma área que se destaca pelo alto índice de criminalidade. Então, eu passei a dialogar com a comunidade que não acreditava na escola. Criei muitas ações, como a Rádio Escola, que foi um dos divisores de água porque eles podiam apresentar as criações deles nas ondas do rádio”, relata.

 


*Estagiária sob supervisão de Jairo Macedo.