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Músico oferece aulas de diversos instrumentos no quintal de casa

Pessoas de 2 a 70 anos podem participar; classes são na Vila Telebrasília

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postado em 17/10/2017 19:48 / atualizado em 17/10/2017 19:56

O cavaquinho, instrumento da família dos cordofones originário do Minho, região norte de Portugal, chegou ao Brasil pelas mãos dos colonizadores lusitanos. Em meados do século 19  passou a ser tocado nos quintais do subúrbio do Rio de Janeiro — lado a lado com o violão e a flauta — , pelas formações originais do choro, considerado a primeira música urbana tipicamente brasileira.

 

Giovanna Guiotti/Divulgação
 

 

Quem o popularizou nacionalmente foi Waldir Azevedo, seu maior solista, detentor do título de “rei do cavaquinho”, autor do clássico Brasileirinho, que morou em Brasília na década de 1970. Ele foi o principal responsável por difundir esse gênero musical na cidade, onde criou um conjunto regional, fez incontáveis apresentações e lançou discos.

Fundamental para qualquer grupo de choro e samba, o cavaquinho é ouvido, como instrumento base, e por vezes solo, em shows e rodas que ocorrem nos mais diversos pontos da capital —do Clube do Choro, no Eixo Monumental, ao Outro Calaf, no Setor Bancário Sul. Mas, há um lugar onde ele é o grande protagonista: a Vila Telebrasília. Ali, por iniciativa do músico e professor Dudu Oliveira, foi criada em 2010 a Orquestra de Cavaquinhos de Brasília, atração de hoje do projeto Prata da Casa, no Espaço Cultural do Choro.

A orquestra surgiu paralelamente a algo maior, o Projeto Sócio-Cultural Waldir Azevedo que, gratuitamente, oferece aulas de cavaquinho, violão, percussão, canto coral, musicalização infantil, arte circense, capoeira e reforço escolar, para pessoas com idade de 2 a 70 anos. É importante destacar que esses ensinamentos não são transmitidos em salas de aula convencionais, mas sim no quintal de Dudu Oliveira, com direto a lanche preparado e servido pela mulher dele, Thais Tosi, brasiliense a quem conheceu em Búzios.

Referência

Na criação do Waldir Azevedo, Dudu teve como referência Apanhei-te cavaquinho (nome de um choro do Ernesto Nazaré), projeto de características semelhantes, existente na Favela do Lixo, em Cabo Frio (RJ), onde o músico nasceu. “Eu me integrei àquele projeto, dirigido pelo mestre Ângelo Bodega, e voltado para crianças e adolescentes, aos 11 anos de idade. Cinco anos depois  havia me tornado monitor”, lembra.

Durante os anos de 2003 a 2009, Dudu viveu entre Cabo Frio e o Rio. Já com uma boa formação musical, passou a tocar em grupos e rodas de samba em bares da Lapa, como Carioca da Gema, Semente, Rio Scenarium  e na Praça XX, na região portuária. “No clube São Cristovão (Zona Norte), certa vez acompanhei, num show, o grande Bezerra da Silva”, conta.

A Brasília, Dudu e Taís chegaram em 2010. Apadrinhado pelo contrabaixista e cantor Daniel Júnior, passou a tocar no circuito noturno da cidade. Isso faz até hoje, pois sem patrocínio é responsável direto pela manutenção da orquestra e do projeto Waldir Azevedo. “Vivemos em constante sobressalto para levar o nosso sonho adiante, pois os recursos são escassos. No primeiro semestre tivemos a colaboração da Oi, já encerrada. Continuo tocando na noite e dando aulas em escolas particulares para manter os projetos. Agradecemos muito o apoio voluntário dos professores, que nada recebem como pagamento pelas aulas”.

Para ajudar a saldar as despesas, Thaís vende cachorro quente num carrinho, na Vila Telebrasília, e, aos domingos, promove feijoada com roda de samba em seu quintal, servida ao preço de R$ 20. “Temos que nos virar para que as coisas aconteçam, para que possamos atender, principalmente, às crianças e jovens daqui mesmo da Vila e vindos de algumas cidades-satélites e até do entorno da capital, em busca de conhecimento”, ressalta Dudu.

Orquestra de Cavaquinhos de Brasília
Show hoje, às 21h, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.

Talento do bandolim

Aos 15 anos, Ian Coury é tido um dos maiores talentos da nova geração do choro  da música instrumental brasiliense. Com alguma regularidade, ele tem participado das atividades da Orquestra de Cavaquinhos de Brasília, na Vila Telebrasília. Hoje ele é o convidado especial do grupo, que o tem como referência.

 

Rejane D'Musis/Divulgação
 

 

“Para mim vai ser um prazer enorme poder dividir o palco com a Orquestra de Cavaquinhos, que conheço bem e busco dar apoio”, diz Ian. “O trabalho realizado pelo professor Dudu Oliveira é de importância fundamental, tanto sob o aspecto artístico quanto social. Com pouquíssimos recursos ele mantém, com uma garra impressionante, o Projeto Waldir Azevedo e a orquestra”, acrescenta.

O jovem bandolinista que iniciou a trajetória musical aos 8 anos, na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, já passou pela Berklee Colege Of Music, em Boston, nos Estados Unidos, e fez uma turnê por aquele país, em janeiro deste ano. Atualmente, estuda teoria musical e guitarra com o professor Marcelo Ramos, na Escola de Música de Brasília; e desenvolve trabalho com o contrabaixista Ebinho Cardoso, com quem, em breve, lança um EP, que traz releituras e temas autorais.

Rumo a Berlim
À convite da embaixada do Brasil na Alemanha, a Orquestra de Cavaquinhos de Brasília embarca em abril do próximo ano para Berlim, onde faz seis apresentações. Uma delas é no dia 23 daquele mês, em comemoração ao Dia Internacional do Choro. O grupo aproveita a estada na Europa para tocar também num festival em Amsterdã, na Holanda.