Torneio de robótica com legos apresenta soluções para desperdício de água

Sensor que ajuda a monitorar o fluxo de água via internet, válvula que interrompe gastos desnecessários e solvente estão entre as propostas que agitam a etapa que ocorre neste fim de semana

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postado em 24/11/2017 20:17 / atualizado em 27/11/2017 13:10

 

Nesta sexta (24) e neste sábado (25), Brasília sedia, pela primeira vez, a etapa regional do Torneio de Robótica da First Lego League. A competição ocorre no Sesi (Serviço Social da Indústria) de Taguatinga e traz como tema a hidrodinâmica. As 15 equipes, oriundas de Distrito Federal, Goiás e Espírito Santo, têm a missão de apresentar soluções para escassez, gerenciamento, captação e transporte de água.


A disputa por uma das três vagas na etapa nacional em Curitiba em 2018 estimulou os times, formados por integrantes de 9 a 16 anos, a inovarem nas propostas de melhoria. Coincidentemente, a abordagem escolhida em nível mundial trata da problemática da água e, pensando nisso, os alunos mergulharam de cabeça nas possibilidades de resoluções. “A maioria desses estudantes foi à Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) e à Adasa (Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal), a fim de pesquisar e saber dos problemas e buscar soluções”, afirma Atos Reis, coordenador de robótica do Sesi e responsável pelo evento em Brasília.

O torneio é dividido em quatro categorias: projeto de pesquisa, desafio do robô, core values e design do robô. Atos explica a metodologia da competição: “É feita uma avaliação de tudo, do robô, do projeto, das equipes; são duas salas com psicólogos, em que os membros fazem uma dinâmica de grupo, respondem a perguntas e são avaliados como equipe".

 

As criações participam do desafio do robô, que é muito mais que uma brincadeira de lego. “É uma representação em forma de lego dos problemas que a sociedade enfrenta na realidade. Trata-se de um robô com funções que a gente desempenha, em uma amostra reduzida.”

 

Cristiano Costa/Sistema Fibra
 

 

Que tal controlar o fluxo de água pela internet?
Foi a partir de pesquisas que a equipe Albatroid identificou um problema: o desperdício de água nas residências, as quais recebem 80% de todo volume de água disponibilizado pela Caesb. Para conscientizar e, de quebra, economizar, os membros do time tiveram uma ideia. “Criamos um sensor de fluxo que será implementado na saída de água, uma torneira, chuveiro, onde a pessoa quiser colocar, com uma porta Wi-Fi, que disponibilizará um IP e uma senha de login. Você conecta seu aparelho celular ou tablet e entra em um site, o CK (Controlador Específico de Consumo de Água). Ao ligar a torneira, você vai ver o quanto gasta de água em tempo real em litros por minuto”, detalha Tiago Emanuel Marques, 11 anos, participante da equipe.

 

Segundo ele, implementar o produto na saída de água é viável economicamente e, após uma produção em escala industrial, o protótipo, cujo valor está estipulado entre R$ 63 e R$ 65, pode diminuir consideravelmente. O benefício poderá ser sentido de muitas maneiras. “Há um gráfico de consumo com os litros que se pode gastar para que a pessoa veja se ultrapassou ou está certinho, para ver se gastou direitinho e criar uma consciência e diminuir os seus gastos”, diz.

Vice-campeões mundiais voltam ainda mais firmes
A equipe Legofield, da unidade do Sesi no Gama, foi vice-campeã mundial do torneio em 2016 no Reino Unido, quando propôs a construção de próteses para animais deficientes. Diante da proposta hídrica desta temporada, eles apostaram em medida radical para conscientizar e resolver melhor o problema do desperdício de água. “Propomos a criação de um sistema de registro eletrônico que, quando o consumidor atinge 50% do limite preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de 110 litros por pessoa, executa uma redução da pressão. Caso ele extrapole esse limite, haverá interrupção desse fluxo que voltará no dia seguinte”, conta Matheus Queiroz, 15, que estava na equipe do ano passado.

 

O sistema, estruturado com sensor e válvula que pode interromper o fluxo em caso de extrapolamento, é uma medida mais justa do que o racionamento pouco eficiente, na visão do competidor. “O racionamento não atende as necessidades individuais de cada pessoa e acaba sendo abusivo. Se você é um cidadão que economiza, por que deve lidar com o racionamento?”, questiona. Assim como em edições anteriores, os projetos são apoiados por universidades federais, visando a implementação em larga escala.


Solvente que diminui gasto no banheiro

Engana-se quem pensa que as soluções de destaque no torneio são apenas engenhocas ou dispositivos sofisticados. Produtos caseiros podem resolver o desperdício de água. Ao descobrir que 60% do gasto domiciliar de água se localiza no banheiro, a equipe Megazord apresentou uma fórmula poderosa. “Desenvolvemos um solvente caseiro com o intuito de neutralizar o odor e mudar a coloração da água. Dessa forma, dá para reduzir o número de descargas dadas. Afinal, se você não sente o cheiro desagradável nem vê a coloração da urina, não teria por que dar descarga”, conta Maria Eduarda, 12. O mecanismo, via sensor ou acionado de modo mecânico, tem como vantagens o fato de ser biodegradável, não interferir no tratamento de esgoto, ser de baixo custo, ajudar na redução da conta e promover economia de água. O torneio se encerra amanhã (25), às 16h30, com a premiação dos vendedores.


*Estagiário sob supervisão de Ana Sá