Boas-vindas ao mundo dos quadrinhos

Almanaque Histórias em Quadrinhos de A a Z propõe mergulho de crianças e adultos nos clássicos e contemporâneos das HQs

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 26/12/2017 19:39 / atualizado em 26/12/2017 20:09

Um mergulho no fantástico mundo da cultura pop e uma introdução à linguagem das narrativas gráficas. O Almanaque Histórias em Quadrinhos de A a Z, escrito por Aurea Gil e Juliana Rodrigues Kaiser, funciona como via de mão dupla para a criança — e o adulto, por que não? — que o lê: introduz os conceitos básicos do que é composta uma HQ e, de quebra, convida o jovem leitor, com texto e imagem recheados de referências, a viajar na linha do tempo dessas histórias. Trata-se do primeiro lançamento editorial da série Mundinho Geek, criada após o sucesso do evento homônimo, criado no Rio de Janeiro em 2016, no intuito de reunir pais e filhos em torno da paixão por esse universo.

“Assim como muitas crianças, aprendi a ler com as histórias em quadrinhos — mais especificamente os gibis da Turma da Mônica, quando eu tinha cerca de cinco anos. Os quadrinhos de Maurício de Sousa me acompanharam por toda a infância. Na adolescência, troquei os quadrinhos por livros pois não me interessava pelas revistas de super-heróis que encontrava nas bancas”, conta a autora Aurea Gil, curadora do Mundinho Geek e autointitulada “jornalista, mãe e fã incondicional de cultura pop e nerd”.
 
Equívoco desfeito, conta ela, apenas mais tarde, quando ingressou na faculdade. A riqueza da linguagem gráfica que os gibis apresentam são, comumente, postas de lado com o “amadurecimento” das pessoas. Não é bem assim. O almanaque criado pela autora é prova viva disso: ele traz quadro de dicas para começar a ler histórias em quadrinhos, detalhes sobre cada etapa e característica de uma narrativa (roteiro, desenho, letras, cores, arte-final, edição, distribuição e elementos como balões e onomatopeias) e verbetes, de A a Z, para vários clássicos das HQs. Dos heróis norte-americanos, como Batman e Homem de Ferro, ao francês Asterix, passando pelos mangás japoneses e os infantis — mas amplamente apreciados pelos adultos — Calvin e Haroldo, Charlie Brown, Luluzinha e Mafalda.   
 
Divulgação
 
 
“Apenas mais tarde, comecei a descobrir outros tipos de quadrinhos, que voltaram a despertar meu interesse - como o selo Vertigo e quadrinhos alternativos como Estranhos no Paraíso”, afirma Aurea, referindo-se, respectivamente, ao selo criado pela DC Comics, nos anos 1990, para abarcar produções mais adultas, e a série criada pelo norte-americano Terry Moore e protagonizada por jovens comuns, cujos dilemas estão longe das façanhas épicas de super-heróis.
 
São muitas as experiências possíveis, portanto. Após ter o primeiro filho, a autora passou a trilhar o caminho inverso, ensaiando retorno aos infantis. “Quando ele nasceu, voltei a ler as revistas da Turma da Mônica junto com ele e percebi que era uma experiência incrível compartilhar com algo de que gostava tanto”, afirma Aurea. “Tem espaço para todos. A ideia do livro é mostrar para as crianças, desde cedo, que cada pessoa pode gostar do que quiser e ser quem quiser.”


Só para meninas?

Um dos capítulos de Almanaque Histórias em Quadrinhos – de A a Z diz respeito à inclusão das mulheres nesse universo, cuja força e intempestividade dos super-heróis deixou, historicamente, as meninas um pouco de lado. O livro da editora Ciranda Cultural trata de desfazer esse mito da “testosterona infinita”, ressaltando o crescimento do público feminino consumidor de HQs no Brasil e no mundo. 

Mais do que isso, apresenta às crianças dezenas de autoras de histórias em quadrinhos. Entre elas, as brasileiras Lu Cafaggi (autora de releituras da Turma da Mônica e da HQ independente Quando tudo começou) e Bianca Pinheiro (roteirista e ilustradora, autora de Bear), e as estrangeiras Alison Bechdel (conhecida por Fun Home e autora de teste que avalia representação feminina no cinema) e Marjane Satrapi (iraniana autora de Persépolis, sobre a vida das mulheres na região). 
 
 
 
“As mulheres ainda estão em menor número nesse mercado, mas acredito que, aos poucos, isso vai mudando. Há cada vez mais mulheres quadrinistas e leitoras, e as personagens femininas estão aí para provar que existe espaço para todos”, diz Aurea Gil.

Ao incluir a questão no almanaque, esclarece a autora, a intenção é fazer com que as meninas não se sintam desestimuladas a ler quadrinhos por conta dessa aparente falta de representatividade. “Hoje percebo que é muito mais fácil se identificar com uma obra quando você se sente representada ali de alguma forma, se enxerga naquele contexto. Por isso também, o livro mostra a diversidade de personagens nos quadrinhos.” Desde 2013, Aurea Gil é uma das autoras do site Pac Mãe, que busca da cultura pop a partir do ponto de vista de mulheres e mães.
 

Convite à experimentação 

Ao fim, fica o convite para que os leitores criem suas próprias histórias. O livro apresenta dicas sobre papel, lápis, nanquim e uso de cores, bem como os principais pontos a serem observados na criação de personagens.  
 
Almanaque Histórias em Quadrinhos de A a Z
Autores: Juliana Rodrigues Kaiser e Aurea Gil
Editora: Ciranda Cultural
Págs: 128
Preço: R$ 24,90