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Bem estar

Pausa para se exercitar

Funcionários e chefes trocam o trabalho pela atividade física durante alguns minutos na empresa. A quebra na rotina estimula a produtividade e proporciona hábitos mais saudáveis

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postado em 01/10/2012 10:04 / atualizado em 01/10/2012 10:06

Sete horas da manhã. No local de trabalho, em vez de terno e gravata, roupas esportivas. O professor coordena sessões de alongamento e, em seguida, uma série de movimentos para trabalhar abdômen e coluna — essenciais para quem permanece o dia inteiro sentado em frente ao computador. Em um escritório de advocacia do Lago Sul, a cena ocorre pelo menos duas vezes por semana. Orientados pelo personal trainer Murilo Uessugue, sócios e funcionários praticam uma hora de exercícios físicos antes de o expediente começar. Afinal, quem disse que é preciso sair da empresa para ir à academia?

Segundo Uessugue, a ginástica no ambiente corporativo é uma tendência crescente no mercado. “A prática auxilia no relacionamento interpessoal, evita doenças ocupacionais e alivia o estresse”, comenta o profissional. Ele também trabalha em outras empresas e afirma que a saúde tem sido uma preocupação constante no ambiente empresarial. Para os interessados, não é difícil dar o pontapé inicial: basta ter comprometimento e incentivar os colegas de trabalho a participarem. “Seja com cinco ou quinhentos funcionários, qualquer empresa pode montar um programa de qualidade de vida”, comenta.

O advogado Jacques Veloso, 37 anos, sentiu o resultado da ginástica laboral. Com presença assídua nos exercícios matinais orientados por Murilo Uessugue, ele perdeu oito quilos, controlou a pressão alta e se livrou de dores nas costas. Agora, tenta praticar exercícios com frequência também fora do trabalho. “A atividade melhora a saúde e a disposição. É um benefício para todo mundo e estimula a mudança de hábitos”, garante.

A colega de Veloso, Tathiana Del Aguila, 35 anos, também percebeu as vantagens de fugir de vez do sedentarismo. Desde que começou a se exercitar, passou a dormir mais cedo e se alimentar melhor. Além disso, a série de exercícios também funciona como uma quebra da rotina. “É a nossa hora de diversão no trabalho.”

Melhor rendimento
Com o intuito de conscientizar empreendedores sobre os benefícios da atividade física dentro do espaço de trabalho, o Serviço Social da Indústria (Sesi) instituiu há dez anos no Distrito Federal o programa Ginástica nas Empresas, que pretende desenvolver, dentro das organizações, uma rotina de exercícios laborais orientada por educadores físicos. No programa são abordadas ações preventivas, para evitar acidentes relacionados ao esforço repetitivo, e dicas de saúde e de alimentação. Atualmente, 17 empresas participam da iniciativa no DF, com adesão de cerca de 17 mil profissionais.

O coordenador de lazer ativo do Sesi no DF, Lúcio Salgado, explica que promover o bem-estar dos funcionários por meio de um programa de exercícios é um investimento importante, uma vez que influencia no rendimento e reduz até mesmo a frequência com que eles apresentam atestado médico. “Ações como essas são importantes para resgatar a qualidade de vida do trabalhador. E se ele estiver mais satisfeito e se sentir mais valorizado, consequentemente, produz mais”, explica Salgado.

Funcionário de uma das indústrias inscritas no programa do Sesi, o analista de gestão de pessoas Clécio Soares, 27 anos, é um aluno aplicado. Ele comparece a todas as sessões de ginástica laboral da semana. “Toda vez que termina, sinto alívio nos braços e nas pernas. Além disso, é um momento de descontração, relaxa bastante”, conta. Ivaldo Barreto, 43 anos, é supervisor de produção de uma metalúrgica e garante que a prática gera resultados positivos na produção e também na saúde dos empregados. A iniciativa chegou a erradicar as dores de coluna de muitos trabalhadores. Para Barreto, a pausa garante uma injeção de ânimo no profissional. “Quem não faz a ginástica, não tem o mesmo ritmo para trabalhar.”

A interação entre os funcionários na hora do exercício físico, segundo o médico do trabalho Ailton da Fonseca, é um ganho tanto para a empresa quanto para os funcionários. Outro aspecto importante, de acordo com o médico, é a pausa no ritmo automático do trabalho. “A atividade promove um descanso, uma compensação mecânica, que evita o estresse muscular”, diz. No entanto, Fonseca alerta as empresas a procurarem profissionais especializados para coordenar as atividades e evitar lesões.


Saiba mais


Questão de bom-senso

Não existe uma lei que obrigue as empresas a oferecerem a ginástica laboral, mas a prática é incentivada como uma forma de prevenção de doenças ocupacionais do trabalhador. O período dedicado aos exercícios, no entanto, deve estar incluído na jornada de trabalho. Em maio deste ano, a funcionária de uma indústria do Paraná conseguiu no Tribunal Superior do Trabalho (TST) o direito de ganhar horas extras, uma vez que era obrigada a fazer os exercícios antes de começar a trabalhar. A advogada que conduziu o processo, Libiamar de Souza, explica que a ginástica deve ser feita após o funcionário registrar sua entrada. “No caso da minha cliente, ela tinha que chegar mais cedo e dispor de seus momentos de lazer”, conta.

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