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Brasília recebe a menina do Vale

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postado em 01/10/2012 10:06 / atualizado em 01/10/2012 10:08

Mariana Niederauer

Bel Pesce é mesmo uma menina. Os 24 anos de idade, porém, foram suficientes para que a jovem adquirisse a experiência necessária para se tornar uma empreendedora de sucesso. Seis anos atrás, ela partiu para os Estados Unidos depois de ser aceita em uma das mais renomadas universidades do mundo, o Massachusetts Institute of Technology (MIT). Acabou ficando por lá e teve a oportunidade de trabalhar nas gigantes da área tecnológica Microsoft e Google. A chegada ao Vale do Silício, na Califórnia, berço das startups — empresas conhecidas por gerarem inovações tecnológicas em um espaço curto de tempo —, fez com que o espírito empreendedor de Bel despertasse. Em parceria com outros dois latino-americanos ela abriu a Lemon e lançou um aplicativo para smartphones que foi baixado por mais de 1 milhão de usuários em três meses.

Sem se contentar com o sucesso alcançado nos negócios, Bel resolveu compartilhar todo o conhecimento que adquiriu fora do país com os brasileiros. Reuniu anotações que fazia todos os dias com as coisas que havia aprendido e montou um livro digital com download gratuito, que foi baixado 1 milhão de vezes. Com o sucesso, Bel partiu para um projeto mais ambicioso e preparou uma versão impressa da publicação (A menina do Vale; Casa da Palavra; 160 páginas; R$ 19,90), que teve uma tiragem total de 45 mil exemplares. Em passagem rápida pela capital para divulgar a obra, a paulistana conversou com o Correio sobre as lições que aprendeu e como outros brasileiros podem colocá-las em prática. “Espero que, um dia, tudo isso se reverta em inovações e em novos projetos e empresas”, afirma ela.

De acordo com Bel, para se tornar empreendedor é preciso levar em consideração ensinamentos que, apesar de simples, são extremamente importantes. “A primeira coisa para a qual eu quis chamar muito a atenção é a ideia de que equipe é tudo. Muitas vezes, as pessoas escutam que alguém faz determinado projeto sozinho. Isso não existe, tem sempre uma estrutura gigante por trás”, relata. O segundo ponto que a jovem destaca é o fato de que ter uma ideia inovadora e colocá-la em prática não é tão fácil quanto possa parecer. “Empreender é difícil. Às vezes, as pessoas escutam histórias de sucesso e pensam que elas ocorreram da noite para o dia, mas não é assim. Não existe glamour em empreender, existe suor, ralação e muita dedicação. Para cada história que deu certo tem outras milhares que deram errado.”

A mensagem que Bel quer deixar é de que todo mundo pode empreender e de que é preciso estar preparado para errar e aprender com o próprio erro. Ela também encontrou pelo caminho mentores que foram essenciais para ajudá-la a chegar onde está hoje. Com eles veio grande parte do aprendizado que a jovem repassa a outros potenciais empreendedores. “No dia em que eu escrevi pela primeira vez sobre a importância de ter um mentor, parecia que eu tinha descoberto a América. Era genial, era mágico.”

Três perguntas para


Bel Pesce, empreendedora brasileira que alcançou o sucesso no vale do silício

Você acha que se estivesse ficado no Brasil, feito uma universidade brasileira, teria tido as mesmas oportunidades?

Sem dúvida alguma foi maravilhoso trabalhar lá fora, mas se teve uma coisa que eu aprendi é que, na verdade, não é a faculdade que faz a pessoa, é o aluno que faz a faculdade. Determinação, iniciativa e perseverança estão muito acima do carimbo de uma universidade. De maneira alguma a mensagem que a gente deveria passar é de que é preciso estudar no MIT e trabalhar no Vale do Silício para dar certo. Se eu tivesse ficado no Brasil, acho que eu teria essas oportunidades também, por causa da minha atitude. Inclusive, o país está em um momento tão interessante que, às vezes, é mais fácil ter oportunidades aqui do que lá.

Está sendo construída a Cidade Digital em Brasília e o governo federal também lançou o programa TI Maior, para incentivar o desenvolvimento de softwares no país. Acha importante esse incentivo?
Eu não vejo diferença entre empreender lá fora ou aqui, apesar de ter mais experiência no exterior. Os principais problemas são a aversão ao risco e não ter tantas histórias disponíveis de empreendedores que deram certo no país. O jovem não cresce imaginando que empreender é uma opção de carreira. Ele acha que empreender é uma coisa mágica, que, talvez, depois que ele fizer a carreira dele, poderá tentar abrir um negócio. Então, eu acho que iniciativas como essas abrem os olhos das pessoas: você pode começar cedo e, se você não começou cedo, pode começar agora. Empreender é para todo mundo. Também é preciso entender que empreender é muito difícil, provavelmente vai dar errado no começo, mas o erro faz parte do aprendizado.

E você, pretende desenvolver projetos aqui?

Eu tenho vários projetos para o Brasil, mas é difícil manter o foco em muitas coisas. No momento, minha prioridade é a Lemon e eu aprendo muito com equipe de lá, que é maravilhosa. Mas tem várias coisas que não param de passar pela minha cabeça e que envolvem o Brasil, muitas delas relacionadas à educação, área que eu gosto muito, e quero tentar trazer isso para cá.


Dicas todos os dias
Bel Pesce criou uma versão on-line de seu caderninho de anotações. Diariamente ela posta vídeos no You Tube compartilhando com os internautas o que ela aprendeu. Eles estão disponíveis em www.youtube.com/user/caderninhodabel. Também vale a pena conferir os vídeos que a jovem faz com os outros brasileiros que trabalham no Vale do Silício: www.youtube.com/user/brasileirosnovale. Além disso, o download gratuito da versão digital do livro A menina do Vale pode ser feito no endereço www.ameninadovale.com.
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