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Os extremos brilham

Jovens e idosos foram os mais bem-sucedidos na luta por uma vaga no mercado de trabalho, diz pesquisa

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postado em 08/10/2012 10:10 / atualizado em 08/10/2012 10:13

Gustavo Moreno
De um lado, toda a experiência de quem trabalhou uma vida inteira. Do outro, a vontade de aprender de quem está no começo da carreira. No ano passado, jovens e idosos foram justamente os privilegiados na luta para se conseguir um emprego, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Os primeiros conquistaram 14,48% mais empregos, enquanto os profissionais com mais de 65 anos de idade obtiveram um aumento de 11,45% nas vagas preenchidas. Outra boa notícia é que as contratações com carteira assinada cresceram 5,09% entre 2010 e 2011.

Para Izabel Almeida, diretora corporativa de uma consultoria especializada em planejamento de carreira, os resultados refletem a configuração etária do país, principalmente no que diz respeito à contratação de idosos. “O Brasil já não é um país tão jovem, a população está envelhecendo e os trabalhadores estão se aposentando com muita lucidez e vitalidade”, explica. Para ela, a carência de mão de obra é um dos principais fatores que levam à reinserção de profissionais que estão aposentados. “As pessoas com mais idade são competitivas porque apresentam, além da experiência, a maturidade que o jovem não tem”, pontua.

O diretor do departamento de emprego e salário do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Rodolfo Torelly, concorda. “Pessoas com mais de 65 anos ainda têm disposição para trabalhar.” Ele também destaca o retorno dos aposentados para o mercado de trabalho como uma maneira de complementar a renda familiar. A tendência, segundo o diretor, é de que o crescimento das ofertas para esses dois públicos permaneça nos próximos anos. “A pirâmide etária brasileira mudou. E, com isso, também muda o perfil da população economicamente ativa”, ressalta.

Izabel Almeida, no entanto, aconselha as empresas a tentar balancear o quadro de funcionários. O ideal é que as contratações estejam equilibradas, de forma que os profissionais mais velhos possam ensinar aos mais novos, e vice-versa.

De volta
João Vieira Cardoso, 65 anos, faz parte do grupo de trabalhadores que não aguenta ficar longe do mercado. Apesar de estar aposentado, ele trabalha numa rede de fast-food desde 2005. Entre suas funções, está a de recepcionar e apresentar as opções de cardápio aos clientes. O senhor de cabelos brancos se gaba de ser conhecido e querido por todos os que passam diariamente por ali. Ele faz pausas esporádicas para descansar — a última foi de oito meses. Mesmo assim, não pensa em parar. “Dentro de casa fico preso, estressado. O trabalho é bom porque a pessoa se diverte, se alegra mais. É uma terapia para a terceira idade,” relata.

O aumento na contratação de  jovens, por outro lado, mostra a preocupação em preparar os futuros profissionais. Rodolfo Torelly explica que esse crescimento pode ser atribuído, em grande parte, aos programas de aprendizagem desenvolvidos por algumas empresas, que facilitam o ingresso no mercado de trabalho.
O interesse em treinar novos trabalhadores também explica a criação de mais de um milhão de postos de trabalho no setor de serviços: de acordo com os dados da Rais, esse foi o ramo que mais empregou em 2011. Segundo a consultora em recursos humanos Adriana Thompson, é justamente nessa área que as pessoas entre 18 e 25 anos são mais admitidas. “Elas procuram esse perfil pela questão da facilidade em passar conhecimento. Preferem uma pessoa que queira aprender e que seja mais fácil de ser moldada”, afirma Adriana.

Expansão
Terceiro no ranking de geração de empregos, com mais de 240 mil oportunidades, o setor de construção civil foi aquele que mais cresceu no país, segundo a Rais. No entanto, também é um dos que mais sofrem com a falta de qualificação. O estudante de engenharia civil Roberio Neves, 22 anos, soube aproveitar bem as oportunidades do momento. Embora não tenha terminado a faculdade, ele acaba de ser contratado pela empresa de construção na qual estagiou por 10 meses para exercer o cargo de auxiliar técnico. Neves elege a determinação em aprender como a principal qualidade que lhe garantiu o emprego. “Quando cheguei lá, não sabia de nada, não entendia de obras. Dei meu máximo e não tive vergonha de perguntar”, conta.

Mapeamento
A Rais é um registro sobre o mercado de trabalho formal feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com dados de estabelecimentos de todo o país.


Saiba mais
Superpoderosas
Além dos idosos e jovens, outro grupo que se destacou nas estatísticas do trabalho formal foi o da mão de obra feminina, que teve um aumento de 5,93%. Entre os homens, o acréscimo foi de 4,49%. Para Rodolfo Torelly, diretor do departamento de emprego e salário do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o percentual reflete o crescimento da participação das mulheres em todos os setores da economia. “Elas estão ganhando cada vez mais espaço. Têm maior escolaridade e estão diminuindo a diferença de remuneração em relação aos homens.”
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