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Trabalho

300 mil oportunidades temporárias no varejo

Pesquisa mostra que índice de efetivações chega a 68%. Empresários preferem candidatos de até 34 anos, com formação de ensino médio, proativos, dinâmicos e comprometidos

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postado em 24/11/2012 08:00 / atualizado em 23/11/2012 12:29


A vendedora Fernanda Rocha Silva acredita que com um bom desempenho no fim do ano pode ser efetivada (Gustavo Moreno/CB/D.A Press) 
A vendedora Fernanda Rocha Silva acredita que com um bom desempenho no fim do ano pode ser efetivada
 

Quem está desempregado tem nos trabalhos de fim de ano uma boa oportunidade para ingressar no mercado. A previsão de órgãos ligados ao comércio varejista é de que até 300 mil vagas para temporários sejam abertas entre novembro e dezembro, em todo o país, superando em, pelo menos, 1,3% o número do ano passado, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Uma pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 28% dos 609 empresários entrevistados pretendem contratar reforços para as equipes até dezembro.

Segundo o levantamento, a expectativa é de que 205 mil temporários — 68% — sejam efetivados em janeiro. “Esta é a época em que o varejo aproveita para selecionar novos profissionais e trocar o pessoal, deixando a equipe mais eficiente”, afirma o economista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Nelson Barrizzelli. Entre as lojas com intenção de aumentar o quadro de funcionários, quase metade (46%) é de grande porte, ou seja, conta com mais de 100 colaboradores e tem faturamento anual superior a R$ 360 mil.

A economista da CNC, Marianne Hanson, no entanto, acredita que os empresários devem agir com cautela na hora de traçar a estratégia. “No ano passado, os comerciantes contrataram e acabaram enfrentando um Natal aquém do esperado. Portanto, o número de efetivações este ano deve ser menor que em 2011, mesmo com o cenário positivo de vendas no varejo”, diz.

A vendedora temporária Fernanda Rocha Silva, 24 anos, conta com o otimismo do comércio para garantir a assinatura da Carteira de Trabalho na loja de sapatos onde está como reforço.
“O comércio é uma área concorrida. Mesmo com experiência de um ano em vendas, não consegui um contrato fixo. Acredito que o emprego temporário seja a forma mais fácil de ingressar no mercado se você for competente e mostrar bom desempenho”, diz. Gerente da loja há dois anos, Marcos Antônio afirma que “os melhores sempre ficam” e espera contratar, em janeiro, pelo menos 50% dos 22 temporários.

Interinas em uma loja de perfumes e produtos de higiene pessoal há menos de uma semana, Aline Santos, 18, e Wylkya Lopes de Jesus, 27, também optaram pelo posto de fim de ano depois de meses procurando um emprego fixo. “Estava desde julho tentando trabalhar na área e vi aqui uma possibilidade de efetivação”, conta Wylkya. “No fim do ano, é possível mostrar melhor o trabalho, já que o movimento é grande e eles exigem muita agilidade do vendedor”, completa Aline.

Perfil
Entre os varejistas, a preferência de 95% dos respondentes é por pessoas entre 18 e 34 anos, com ensino médio completo (68%) geralmente para as funções de vendedor, caixa e estoquista. “A exigência de ensino médio é uma excelente novidade para o setor. Isso mostra que ele está se profissionalizando. O vendedor agora deve levar ao cliente informações melhores ou iguais às que o consumidor já traz de casa, por meio de pesquisas pela internet”, afirma Barrizzelli.

Os pré-requisitos impostos pelos comerciantes, de acordo com a CNDL, são comprometimento, dinamismo e proatividade. E iniciativa é com Matheus Ferreira, 18, que já estava de olho nas vagas temporárias havia dois meses. Ele está em treinamento em uma grande loja de roupas há uma semana. “Entreguei meu currículo em setembro e me chamaram mesmo sem ter experiência na área”, conta.

O setor de vestuário e calçados comporta a maior parte das vagas: 46,4% dos cargos temporários são para a área. Em dezembro, o número de vendas no varejo supera em 123,7% a média de todos os meses do ano, segundo dados da CNC. Lojas de perfumaria, cosméticos, artigos de uso pessoal e doméstico e supermercados também estão na lista dos que mais pretendem contratar neste fim de ano. “Essas áreas exigem menos treinamento e menor conhecimento específico do produto do que, por exemplo, a de eletroeletrônicos”, completa o Barrizzelli.


Vendas em crescimento
Segundo os empresários ouvidos pela CNDL, a expectativa para 2012 é de que as vendas superem 2011. Para 84% dos varejistas, o movimento deve crescer, sobretudo, em razão do crédito disponível, da queda no desemprego e dos juros baixos. A estimativa de Barrizzelli é de que, ao fim de janeiro, as vendas tenham expandido entre 8% e 9% em relação ao ano passado.

 

Maior nível de emprego


 

O desemprego brasileiro voltou a recuar em outubro, chegando à menor taxa histórica para o 10º mês do ano, ao mesmo tempo em que a renda da população acelerou ligeiramente, indicando que o mercado de trabalho deve continuar a incentivar o consumo no país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, o desemprego caiu para 5,3% no mês passado, ante 5,4% em setembro, atingindo o menor nível para outubro desde o início da série histórica, em 2002.

Com o resultado, a taxa de desemprego permanece perto do recorde de 4,7% registrado em dezembro do ano passado. “De maneira nenhuma pode-se dizer que o mercado de trabalho está parado. Ele é um reflexo da economia: quando está aquecida, contrata mais e, quando não, menos”, afirmou o coordenador do levantamento do IBGE, Cimar Azeredo. A redução na taxa de desemprego em outubro foi ancorada por São Paulo, região de maior peso na pesquisa. A taxa paulista baixou de 6,5% para 5,9% no período.

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada subiu 0,3% no mês passado ante setembro, e cresceu 4,6% sobre outubro de 2011, atingindo R$ 1.787,70. Em setembro, a variação mensal havia sido positiva em 0,1%. Na média do ano, o rendimento do trabalhador ocupado cresceu 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre outubro e setembro, o setor que mais contratou foi o da construção civil, com crescimento de 4,5%.

 

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