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Ensino precário atrapalha produção

Das pessoas com mais de 25 anos, 49,3% não acabaram o ensino fundamental

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postado em 25/12/2012 18:35 / atualizado em 25/12/2012 18:49

Victor Martins

Sem condições de equacionar os problemas de ensino, o país vive uma crise na educação que tem se refletido fortemente na produtividade dos nossos trabalhadores e ajudou  a jogar a indústria na recessão.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 49,3% da população de
25 anos ou mais não concluíram o ensino fundamental ou não têm qualquer instrução. É uma multidão
que mal sabe ler e escrever, mas que tem de operar computadores e máquinas. Contudo,mesmo tendo estudado pouco, ocupa cargos de chefia. Esses números explicam por que são necessários
cinco brasileiros para produzir o que apenas um norte-americanofaz no chão da fábrica.

Os dados apresentados pelo IBGE fazem parte do Censo 2010 e foram divulgados em 19 de dezembro. A pesquisa mostra ainda que o baixo nível de educação está enraizado em quase todos os ramos de atividade. Entre os diretores e gerentes que estão à frente de empresas, 15,03% não terminaram o ensino fundamental. Entre os trabalhadores do agronegócio classificados como qualificados, esse percentual é de 77,2%. Nos serviços domésticos, esse número ficou em 60,80%. O egmento que apresenta o melhor resultado é o das forças armadas, policiais e bombeiros militares: 5,21%.

Indústria
Na indústria de transformação, que tem sofrido com a concorrência imposta sobretudo pelos asiáticos, a fatia dos que não têm fundamental é de 34,07%. Mesmo no ramo da educação, existem profissionais com baixa escolaridade: 9,8% com pouca ou quase nenhuma instrução. Em cidades e povoados no interior do país, é  comum pessoas da própria região, que nunca frequentaram uma faculdade, ensinem matemática, biologia e, até mesmo sem saber a língua, ensinando inglês.

“Isso impacta na nossa produtividade. Educação é um ponto decisivo. Não se pode ser um país rico com nível educacional baixo”, alertou Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Ainda segundo o professor, se for levado em conta o volume de recursos que o Brasil aplica na educação—algo ao redor de 5% do produto InternoBruto (PIB)—, o país tem o pior desempenho do mundo em ciências e matemática.

“Nós estamos aproximadamente na metade do caminho, do ponto de vista educacional, de um país como a Coreia”, avalia Silber. “A escolaridade média de um coreano é 15 anos, a nossa é metade disso.O brasileiro tem um nível de conhecimento apenas básico, que vai de leitura e passa por ciência, mas que eu chamaria, pelo padrão internacional, de elementar”, argumentou.

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