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Trabalho

Inexperiência atrapalha jovens

Embora haja uma oferta de 1,2 mil postos no Distrito Federal, 42,5% dos que buscam inserção no mercado formal têm entre 16 e 24 anos. Eles enfrentam dificuldades porque nunca exerceram uma atividade produtiva. Postos provisórios são caminhos para o emprego

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postado em 24/01/2013 08:00 / atualizado em 23/01/2013 12:48

Larissa Garcia

 
"São raras as vagas que não exigem experiência. Mandei currículos para lojas, restaurantes e até para a construção civil, mas não consegui nada" Sheilla Norberto, 23 anos, desempregada

A experiência é item primordial na hora de encontrar emprego. Diante dessa exigência, os jovens sofrem para ingressar no mercado de trabalho. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Distrito Federal (PED-DF), 42,5% dos desempregados têm entre 16 e 24 anos. A faixa etária de 25 a 39 anos responde por 36,9% dos desocupados. Ainda assim, há 1,2 mil vagas disponíveis na capital do país apenas na Agência do Trabalhador. Profissões ligadas a comércio, serviços, construção civil, tecnologia, meio ambiente e turismo ganharam destaque neste início de ano (veja o quadro).

De acordo com o subsecretário de Atendimento ao Trabalhador e ao Empregador do DF, José Eduardo Corrêa, no ano passado, 11.446 pessoas passaram a exercer uma função pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine). “No DF, os principais geradores de emprego são comércio e serviços e construção civil. A principal dificuldade para preencher essas vagas são os salários. Além disso, os jovens têm adiado o ingresso no mercado de trabalho. Aqueles que têm suporte dos pais preferem se qualificar para depois procurar emprego, por conta do rendimento mensal”, explicou.

Além disso, 48% das vagas se encontram no Plano Piloto. “Em contrapartida, apenas 8% da população do DF vive na região, dificultando o deslocamento do trabalhador, o que conta na hora de ter a carteira assinada”, disse o subsecretário. Segundo ele, a experiência é importante, mas outros fatores também pesam na contratação do jovem. “Se não teve outros empregos na área, é fundamental mostrar que tem vontade de aprender. A segurança na hora da entrevista e a pontualidade são requisitos essenciais.”

 
"Sempre trabalhei no comércio porque é o meio mais fácil de ter a carteira assinada sem ter experiência e, hoje, só tenho o setor no currículo" Saulo Miranda, 25 anos, morador de Valparaíso (GO)

A boa formação está entre os principais requisitos que ajudam o jovem a conquistar um posto de trabalho. “Mas, é claro, há alguns picos de oferta para alguns setores. Agora, por exemplo, o turismo está em alta por conta das copas da Confederação e do Mundo, principalmente no setor de hotelaria. Há poucos profissionais bilíngues”, disse o professor Jorge Fernando Pinto, da Universidade de Brasília e especialista em recursos humanos. “Também existem algumas profissões que não são tão pontuais. Na área de saúde, por exemplo, sempre há carência. Vemos casos de técnicos em enfermagem assumindo papel de enfermeiro”, completou.

Conforme o especialista, existe menor oferta de trabalhadores na área das ciências exatas. “Formam-se menos alunos nesse setor do que em humanas, principalmente professores.” Para ele, ocupações ligadas ao meio ambiente e à tecnologia são as profissões do futuro. “Podemos dizer isso sem medo. Engenheiros ambientais serão cada vez mais procurados, por conta da preocupação em conservar a natureza, uma questão em debate atualmente. Comércio e serviços, em Brasília, também empregam muito.”

Expectativa
Saulo Miranda, 25 anos, morador de Valparaíso (GO), participou de uma entrevista de emprego ontem, em uma loja de shopping, e ficou confiante. “Espero que dê tudo certo. Sempre trabalhei no comércio porque é o meio mais fácil de ter a carteira assinada sem ter experiência, e, hoje, só tenho o setor no currículo. Pretendo fazer educação física e é impossível trabalhar na minha área sem formação. Anda assim, sempre procuro funções em estabelecimentos que têm a ver com o que eu gosto. Agora, por exemplo, tentei uma vaga em uma loja especializada em artigos esportivos”, contou.

Desempregada há quatro meses, Sheilla Norberto, 23 anos, tentou de todas as formas se recolocar no mercado de trabalho. “Aceito qualquer coisa. Já trabalhei de empregada doméstica, mas nunca tive a carteira assinada, então, este é praticamente o meu primeiro emprego. São raras as vagas que não exigem experiência. Mandei currículos para lojas, restaurantes e até para a construção civil, mas não consegui nada.” Ela também acredita que enfrenta preconceito de gênero e idade. “Por ser jovem e mulher, as coisas são mais difíceis para mim.”

Escolaridade

A valorização do profissional é expressa também na remuneração oferecida pelo empregador. O trabalhador especializado, em qualquer área, vale ouro no mercado. Dados Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, mostram que os salários médios de pessoas com o nível superior completo são os maiores. Empregados com diploma ganham R$ 8.721,39. Para aqueles que ingressaram em uma faculdade, mas não concluíram o curso, a média cai para
R$ 3.100,35, diferença de 181,30%. A variação chega a 749,02% se a comparação for feita com analfabetos, que têm R$ 1.027,23 na conta todos os meses.
Chance para temporários

O sonho do primeiro emprego pode surgir de uma vaga temporária, que, geralmente, não exige experiência. No fim de 2012, cerca de 10 mil pessoas foram contratadas com prazo limitado pelo comércio. Conforme projeção do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), 20% delas devem ser efetivadas. O setor emprega 230 mil profissionais espalhados por 28 mil estabelecimentos.

O presidente do Sindivarejista-DF, Antônio Augusto de Moraes, explicou que a entidade só terá os números sobre a expansão do emprego no fim de fevereiro. “Muitos destes temporários assinam contratos de até 90 dias. Por isso, é preciso esperar que o prazo termine para fazer o levantamento. Mas esperamos chegar aos 2 mil contratados.”

Passadas as festas de fim de ano, os lojistas aproveitam a temporada para selecionar empregados efetivos. “Sem dúvida, quem agarrou a oportunidade teve mais chances do que outra pessoa que quer uma vaga no comércio. O funcionário que mostra interesse na função, tem um bom relacionamento em equipe e é pontual provavelmente é contratado, pois o setor tem grande rotatividade”, destacou. Mesmo que não seja efetivado imediatamente, em datas como os dias das Mães e dos Namorados, as lojas costumam reforçar o quadro. “As empresas acabam chamando aqueles que trabalharam no fim do ano”, diz Moraes.

Em relação à experiência, o presidente do Sindivarejista lembrou que muitas lojas até preferem aqueles que nunca trabalharam na área. “Depende do perfil do estabelecimento. Muitos gerentes não gostam de funcionários com vícios e contratam pessoas sem currículo. Mas, na minha visão, pessoas que exerceram outras ocupações têm o seu valor e fazem diferença, sim, para o empregador. O mais importante é o candidato mostrar segurança”, completou. Em todo o Brasil, 35% das empresas pretendem contratar os temporários.

 
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