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Para evitar desperdício

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postado em 10/06/2013 10:22 / atualizado em 10/06/2013 10:24

Gustavo Aguiar

Melhorar o ensino no país e elevar as oportunidades de acesso à educação profissionalizante, à universidade e ao mercado de trabalho para jovens e adultos são os objetivos de grande parte dos projetos sociais e de políticas públicas voltadas à formação profissional. No entanto, para as empresas que querem investir em comunidades carentes, a dificuldade está em atingir as metas sem desperdício de recursos. Capacitar gestores para lidar com essa situação pode ser a diferença entre prestar um serviço importante para quem realmente precisa e jogar dinheiro fora.

A Fundação Itaú Social tem usado a expertise do banco na área econômica para garantir o sucesso de ações sociais mantidas pela instituição. “A pergunta que todo gestor deve se fazer sobre qualquer tipo de projeto social é: ele funciona?”, salienta Isabel Santana, gerente de avaliação e educação da fundação. Na opinião dela, o segredo para calcular o impacto real dos projetos sociais está no uso de metodologias baseadas na comparação entre grupos atendidos e não atendidos e na matemática financeira. Um seminário sediado em Brasília convidou gestores de projetos de pequeno e grande porte para discutir estratégias de otimização de recursos destinados à área social.

Apesar de parecer um contrassenso aplicar a ideia de obtenção de lucros sobre o capital investido em filantropia, para Gabriel Bragança, que estuda no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mecanismos de financiamento privado na área social,  essa metodologia pode ser importante para melhorar a eficácia e a viabilidade do projeto. “A empresa que mantém uma base de dados clara sobre o impacto social dos investimentos feitos pode decidir deslocar recursos, ampliar ou reduzir o atendimento ou até mesmo redesenhar todo um projeto que não é eficaz”, enumera. Na opinião dele, assim como no mundo dos negócios, a saúde de qualquer projeto social está no equilíbrio da sua relação de custo-benefício.

Na prática
Criar uma base de dados confiáveis garantiram a manutenção e a ampliação do projeto de educação integral Jovens Urbanos, que busca atender jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em execução desde 2004 na cidade de São Paulo, o programa conseguiu demonstrar a elevação estimada de 77% na renda pessoal e de 49% na empregabilidade dos participantes.

“Mas nem sempre foi assim”, lembra Ana Carolina Bruschetta, gestora do programa. “Na pri-meira avaliação de impacto que fizemos, percebemos que os resutados alcançados não tinham durabilidade e nem sustentação.” Depois de estudar os dados das avaliações qualitativa e quantitativa do Jovens Urbanos, foi necessário mudar o público-alvo, redefinir o tempo de duração dos cursos oferecidos, as áreas de interesse de acordo com o perfil dos jovens atendidos e priorizar o investimento em algumas áreas que mostravam melhores resultados em detrimento das que não estavam funcionando. “Deu certo. Não é por acaso que conseguimos levar o trabalho do Jovens Urbanos para outras cidades”, comemora. Atualmente, o programa está presente também em Pouso Alegre (MG) e em Vitória (ES). As mudanças foram responsáveis por um saldo social de 7,9% sobre os custos investidos por ano.

O cálculo feito comparou, primeiro, os dados sociais dos grupos participantes às estatísticas de indivíduos de mesmo perfil socioeconômico cuja única diferença é não ser atendido pela instituição. Em seguida, atribuem-se margens de lucro para cada resultado positivo alcançado unicamente graças aos projetos em vigor. Se, por exemplo, a oferta de oficinas de informática aumentam a empregabilidade e a média salarial do grupo atendido, é possível calcular os proventos reais gerados com o investimento das instituições mantenedoras nessas oficinas.

“É como avaliar uma aplicação na poupança, onde considera-se o valor depositado no banco e o rendimento dessa quantia em determinado espaço de tempo. A diferença é que, num projeto social, os lucros não são de uma só pessoa ou da empresa que financia o programa, mas de toda a sociedade”, compara a economista Betânia Peixoto, que ajuda a capacitar gestores, professores e líderes do setor público e privado para a adoção de práticas que melhorem o desempenho das ações sociais. “Se o investimento é maior do que os rendimentos, alguma coisa precisa ser repensada”, pondera.

Investimento
Com base nos últimos dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a evolução da ação social das empresas privadas e nas projeções de investimentos previstos pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), em 2010 o setor investiu cerca de R$ 10 bilhões em programas sociais. A previsão de pelo menos um terço das companhias filiadas ao Gife para 2013 é de aumentar os recursos destinados à área social em 15% ou mais. Em 2004, entre as que não desenvolviam nenhum tipo de ação social comunitária, 62% apontavam a falta de dinheiro como a principal razão.
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