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Atletas do mercado de trabalho

O Brasil vai concorrer em 37 categorias no torneio de educação profissional WorldSkills

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postado em 24/06/2013 08:00 / atualizado em 23/06/2013 16:25

Gustavo Aguiar

Marcelo Ferreira
 
Marcelo Ferreira

Sem descanso para os 41 competidores que vão representar o Brasil na 42ª WorldSkills Competition em Leipzig, na Alemanha. Às vésperas do maior torneio do mundo de educação profissional, o ritmo de vida dos jovens integrantes da delegação verde e amarela é de verdadeiros atletas. Mas, em vez de encarar as piscinas ou os gramados, eles precisam provar para o mundo que são bons de trabalho quando a competição começar, em 2 de julho. A pressão é ainda maior para a equipe, já que um dos palestrantes do evento será o ex-presidente Lula. Ele vai falar sobre a importância da formação técnica para o desenvolvimento da indústria mundial.

“Todos os olhos estarão voltados para a delegação brasileira”, lembra José Luiz Leitão, delegado técnico da WorldSkills no Brasil. Isso porque a próxima edição da competição, em 2015, será sediada em São Paulo, uma das razões que explicam a participação de Lula durante o campeonato. Os jovens desembarcam no país europeu em 29 de junho com o objetivo de superar as colocações alcançadas nos campeonatos anteriores. “Estão todos muito curiosos para saber como nós nos sairemos, mas a equipe está preparada para ganhar”, avisa.
A delegação brasileira é formada por alunos dos cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Eles foram selecionados após, pelo menos, dois anos de preparação e de uma série de competições regionais e nacionais ao longo dos últimos seis meses, que selecionaram os melhores do país. Uma das principais etapas foi a Olimpíada do Conhecimento, promovida em novembro de 2012 com mais de 600 estudantes que passaram por cursos de aprendizagem ou qualificação industrial e ainda por formação técnica de nível médio.

Dois deles representam o Distrito Federal no mundial. Geovani da Silva, 20 anos, dedica os últimos dias antes de viajar para a Alemanha para adquirir agilidade como aplicador de revestimento cerâmico. “Eu treino pelo menos 12 horas por dia, incluindo os fins de semana. Espero que essa dedicação valha a pena”, torce. O baiano mudou-se para Brasília há dois anos para aprender uma profissão e agora representa a capital na equipe brasileira.
“Não tinha muitas perspectivas de futuro. Cheguei aqui e descobri que posso ser não simplesmente bom em uma tarefa, mas o melhor do país e do mundo.” Para ele, a medalha de ouro vai servir de estímulo para jovens que ainda não sabem o que querem fazer com o futuro profissional. “O melhor jeito de descobrir é trabalhando duro. Deu certo comigo, pode funcionar para os outros também”, espera.

Enquanto a segunda representante do DF, Jéssyca Pacheco, 20 anos, treina em Minas Gerais para melhorar os conhecimentos como técnica em enfermagem, quem veio à cidade para estudar mais sobre sistemas de transporte de informação foi o mineiro Jader Santos, de 20 anos. “Ser selecionado para a viagem já me abriu muitas portas. Estou dando o melhor de mim para representar bem o Brasil. Sei que alguns países têm treinamentos mais rigorosos que os nossos, mas temos a criatividade como vantagem, e, para qualquer profissional, em competição ou no mercado de trabalho, isso é fundamental.”

Missão árdua

Fabricar produtos que serão produzidos em larga escala, criar e monitorar redes de comunicação virtual, desenvolver sites na internet e até mostrar que dominam as técnicas de corte e coloração de cabelos são algumas de suas missões na Alemanha. Durante a WorldSkills, a corrida deles é contra o tempo, e o maior prêmio, visibilidade internacional no mundo profissional.
“Temos participado da competição desde 1983, mas, no início, não tínhamos grande destaque. Atualmente, estamos entre os cinco melhores países que disputam, e queremos voltar ao Brasil com a medalha de primeiro lugar”, explica Leitão. Para alcançar o objetivo pretendido, os jovens competidores precisam desafiar os participantes de outros 67 países na hora de cumprir os desafios propostos na competição. É esperado que eles atinjam nos resultados padrões internacionais de qualidade.

As tarefas simulam missões e ambientes reais de trabalho para os técnicos de cada uma das 45 modalidades, que estão divididas nas categorias de tecnologia da informação e da comunicação, artes criativas e moda e serviços sociais e pessoais. Os concorrentes têm 20 horas, divididas em quatro dias de competição, para executar tarefas como planejar e construir um móvel, instalar um sistema de compartilhamento de informações entre computadores ou revestir uma parede com cerâmica.

Top 5
Na edição de 2011, sediada em Londres, o país conquistou o segundo lugar, com 25 competidores. Na ocasião, o Brasil ficou atrás apenas da Coreia do Sul e à frente de países como Japão, Suíça e Cingapura.

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