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Escolas de ensino técnico estão otimistas com Sisutec

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postado em 08/08/2013 10:03 / atualizado em 08/08/2013 10:04

As escolas de ensino técnico estão otimistas com o Sistema de Seleção da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Para elas, usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ajudar a aumentar a entrada no ensino técnico do estudante que deixou a escola recentemente, além de valorizar sua formação. Quem atua no mercado está investindo nesta etapa do ensino, observam esses estabelecimentos.

Até o ano que vem, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) investirá no ensino técnico R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1,5 bilhão provenientes de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atualmente, existem 797 unidades operacionais do Senai espalhadas pelo país, oferecendo cursos presenciais e a distância.

Pelo Sisutec, o Senai disponibilizará 11.116 vagas em 34 cursos no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). "Ampliar a oferta de cursos técnicos é o nosso objetivo. O Sisutec é voltado para quem concluiu o ensino médio. Acreditamos que [o sistema] vai chamar para o ensino técnico muitos dos jovens que integrariam a chamada geração 'nem nem', que nem trabalha, nem estuda", disse o gerente de Educação Profissional e de Tecnologia do Senai, Felipe Morgado.

De acordo com Morgado, está ocorrendo no Brasil uma mudança, ainda em fase inicial, que valoriza o ensino técnico. Para ele, isso se deve principalmente ao Pronatec, criado em 2011 com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica.

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 72% dos ex-alunos de cursos técnicos conseguem trabalho no primeiro ano após a formatura e têm renda média de 2,6 salários mínimos. Além disso, 73% estão ocupados em atividades relacionadas à área de formação. Conforme o estudo, trabalhadores com formação técnica ganham 24% a mais que os que têm apenas o ensino básico. Os dados são referentes ao período de 2010 a 2012 e foram divulgados neste ano.

A valorização da etapa e o investimento do governo tornam o mercado atrativo. "O Iesb já tinha um programa de escola técnica em funcionamento desde 2012. Quando surgiu a possibilidade de aderir ao Sisutec, mudamos todos os nossos rumos para atender à demanda do programa", informou o coordenador de Cursos Técnicos da instituição, Murilo Pereira. Ele explicou que a criação de cursos foi, então, direcionada para o atendimento da demanda do novo sistema de seleção.

O Iesb vai oferecer 4.480 vagas das 8.232 disponíveis em todo o Distrito Federal. A instituição aguarda a confirmação do preenchimento das vagas para fechar o investimento que será necessário. Grande parte da estrutura de graduação será usada também pelos 23 cursos técnicos que serão oferecidos nas três unidades do instituto.

Pereira ressaltou que o ensino técnico pode ser uma boa opção para os estudantes que buscam formação rápida – um curso técnico dura em média um ano e meio – e voltada para o mercado de trabalho. O estudo da CNI mostra que alunos formados por determinados cursos técnicos têm salário inicial maior que o dos que concluem certas modalidades de graduação.

O técnico em informática Eduardo Dias confirma a diferença. Em 2007, há sete anos no mercado de trabalho, ele decidiu conciliar sua ocupação com uma formação técnica. "O curso foi muito bom, aprendi muito e pude ter um documento comprovando o que aprendi". Apesar de já trabalhar na área de informática, Dias enfrentava dificuldades quando queria mudar de emprego porque não tinha nenhum certificado.

Até as 19h de hoje (7), segundo dia de inscrições, o Sisutec teve 176.038 inscritos. Como cada candidato pode fazer duas opções, o sistema recebeu 337.601 inscrições. 

Os candidatos inscritos serão selecionados para 239.792 vagas de cursos técnicos. São 117 cursos com duração de um a dois anos. A seleção será feita com base na nota do estudante no Enem do ano passado. Os que fizeram todo o ensino médio na rede pública ou em instituições particulares, na condição de bolsistas integrais, terão prioridade na ocupação de 85% das vagas oferecidas, todas gratuitas.

Fazem parte do Sisutec 586 instituições, entre estabelecimentos de educação superior e escolas técnicas particulares, institutos federais de educação, ciência e tecnologia, escolas técnicas vinculadas a universidades federais, escolas estaduais e municipais e entidades do Sistema S.

O Ministério da Educação ainda não informou quanto será gasto na manutenção das bolsas ofertadas pelo Sisutec. No lançamento do sistema, o ministro Aloizio Mercadante disse que o valor por estudante será semelhante ao do Pronatec, ficando em torno de R$ 10 a hora-aluno. Os recursos serão repassados às instituições participantes.

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