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Futuro incerto

Falta de experiência e de qualificação dificulta a colocação de jovens no mercado, mas eles são a mão de obra de que o país precisa para garantir o desenvolvimento nas próximas décadas

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postado em 08/09/2013 13:00 / atualizado em 08/09/2013 16:25

Mariana Niederauer

Viola Junior
A taxa elevada de desemprego entre a população jovem surge como consequência da falta de qualificação. Enquanto o índice de desocupação total ficou em 5,8% no mês de junho, entre os jovens de 18 a 24 anos o número sobre para 14,1%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O quadro não é muito diferente em outros países, inclusive nas nações desenvolvidas. A inexperiência dessa faixa da população compromete a empregabilidade no início da carreira, principalmente na hora de encontrar o primeiro emprego. Porém, diante da necessidade de se ter mão de obra qualificada para sustentar o crescimento brasileiro, esses jovens surgem como a principal esperança.

Renato Gurgel, 21 anos, percebeu a dificuldade em entrar no mercado de trabalho assim que terminou o ensino médio. A busca por um emprego foi frustrada e ele só conseguiu a contratação depois de ter sido indicado para uma vaga na área de informática. Mesmo assim, ficou insatisfeito com as funções que podia exercer com a pouca qualificação que tinha. Hoje, Renato faz o curso de técnico em informática na Escola Técnica de Ceilândia e o de tecnólogo em redes em uma faculdade particular. “Comecei porque gostava de trabalhar na área, mas não ganhava bem, e decidi melhorar o currículo”, conta.

Mudança

“Nós temos no Brasil um contingente significativo de jovens que não estudam nem trabalham. Não estamos dando perspectiva para esses jovens”, comenta o diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael Lucchesi. “Precisamos ter um modelo educacional que dialogue melhor com a juventude e que corrija a nossa matriz educacional”, completa. Ele lembra que o país passa por uma veloz mudança demográfica. A taxa de natalidade tem caído rapidamente, o que gera o envelhecimento da população.

Essa semana, o ministro-chefe interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, também mostrou preocupação com a questão. Ele acredita que a população jovem brasileira, de 15 a 29 anos, que hoje soma 51 milhões, será a maior da história do país. Esse bônus demográfico, como é chamado, deve durar até 2022, quando o número de jovens começará a diminuir gradativamente. Por isso, especialistas destacam a importância de aproveitar a onda jovem e qualificar essa parcela da população para que ajude a aumentar a produtividade do país. “O Brasil não pode se dar ao luxo de perder sucessivas gerações porque o sistema educacional não prepara a população”, atesta Lucchesi, da CNI.

Para Josbertini Virginio Clementino, diretor do Departamento de Políticas de Trabalho e Emprego para Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), é importante que a qualificação oferecida esteja em concordância com áreas estratégicas, para que a mão de obra não seja desperdiçada. Clementino lembra que o jovem que está fora da escola e do mundo trabalho tende a ir para a criminalidade. De acordo com o Ipea, o país perde R$ 79 bilhões ao ano por causa da morte de jovens. “Tem que se enxergar o jovem como um grande sócio do desenvolvimento que se busca para o país, porque, se você não investe na juventude, ela passa a ser um elemento impeditivo do crescimento.”

A diretora de Juventude da ONG Ação Educativa, Maria Virgínia, destaca que a educação para o mundo trabalho é fundamental para que os jovens tenham uma inserção de maior qualidade no mercado. Porém, ela critica o fato de a oferta desse tipo de qualificação ter se concentrado em cursos profissionalizantes, de curta duração. “A educação para o trabalho deve permitir aos jovens uma compreensão mais ampla do trabalho em nossa sociedade: acerca de sua organização, dos processos em transformação, das desigualdades que o caracterizam e dos diversos tipos de formação profissional existentes, por exemplo”, explica. Ela critica ainda a posição de empresários, que não estariam dispostos a arcar com o custo de uma formação profissional, e defende que o peso de sustentar o crescimento do país não deve ficar apenas com os jovens. “Não creio que a saída esteja nas mãos dos jovens, pois não se trata de um problema individual. Esse é um problema social, que tem de ser enfrentado enquanto tal, com políticas adequadas.”
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