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Ouro na educação profissional

Morador de Brazlândia fica em primeiro lugar na categoria refrigeração na 3ª edição do WorldSkills Americas, torneio que atraiu 186 jovens de todo o mundo. Equipe brasileira teve o melhor desempenho

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postado em 14/04/2014 11:49 / atualizado em 14/04/2014 16:00

Ana Paula Lisboa

Lula Lopes

O brasiliense Gabriel Cardoso, 20 anos, conquistou a medalha de ouro na 3ª edição do WorldSkills Americas, um torneio de educação profissional que teve a participação de 186 jovens de todo o mundo e ocorreu em Bogotá, na Colômbia, entre 2 e 5 de abril. O único representante do Distrito Federal no evento competiu na categoria refrigeração e ajudou a delegação brasileira a se classificar em 1º lugar no quadro de medalhas, desbancando equipes de outros 16 países.

O Brasil tinha representantes de 14 unidades da Federação, com 34 profissionais qualificados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ou pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac). A equipe brasileira concorreu em 31 categorias diferentes e levou para casa 25 medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze.

“Eu realmente não esperava esse resultado. Foi uma surpresa. Acho que isso vai ajudar a educação profissional a ser mais valorizada no Brasil e fazer com que mais jovens conheçam as oportunidades que ela pode gerar”, disse Gabriel, sobre a medalha de ouro que carrega com orgulho. Durante os quatro dias de evento, ele teve que desenvolver três provas, que consistiam na montagem de um equipamento de troca de calor, na instalação de um ar-condicionado split e na montagem de uma câmara fria. Para se sair bem, era preciso ter muito conhecimento técnico, raciocínio lógico e resistência para carregar equipamentos.

Em outubro de 2013, Gabriel conquistou a medalha de bronze no campeonato nacional e garantiu a vaga na WorldSkills Americas. Para conseguir um resultado tão positivo em Bogotá e derrotar competidores da Colômbia, do Paraguai, do Panamá e da Guatemala, Gabriel fez do Senai de Taguatinga sua segunda casa. Entre janeiro e março deste ano, últimos meses antes da competição, os treinos chegavam a durar 10 horas por dia.

Morador de uma área rural de Brazlândia, o jovem enfrentava uma longa jornada de ônibus, além de percorrer pelo menos 3km a pé, para se preparar. O segundo de cinco filhos de um policial militar e de uma dona de casa buscou o ensino profissionalizante antes mesmo de concluir a educação básica, seguindo os passos do irmão mais velho, que fez curso técnico em eletrônica e também participou de torneios WorldSkills.

Novas portas

Gabriel cursa o 1º ano do ensino médio em um supletivo. Ele começou a ganhar o próprio dinheiro depois de ter feito dois cursos profissionalizantes (em refrigeração e em elétrica, com duração de 2 meses e meio cada um, no Senai). No currículo, ele conta com um período de trabalho como técnico de um hotel em Brasília. Com a conquista na WorldSkills Americas, novas portas foram abertas e ele ganhou uma proposta de emprego no Senai, onde vai começar, em breve, a treinar outros jovens para participarem de competições. Ele já sabe o que quer no futuro. “Depois de terminar o ensino médio, quero fazer um curso técnico, em elétrica. Depois, penso em fazer faculdade de engenharia elétrica ou mecânica.”

Sinônimo de dedicação, Gabriel teve que enfrentar uma barreira extra na competição, e foi com muito controle emocional e profissionalismo que ele deu conta do recado. “Eu quase desisti da competição porque, próximo da data da viagem, minha mãe teve um derrame. Um dia antes, fui visitá-la no hospital. Ela acordou do coma e disse que queria que eu fosse”, conta. Durante as provas, não foi fácil deixar de pensar na mãe que, atualmente, continua internada. “Ele é muito batalhador, gostamos muito desse perfil, por isso, investimos no treinamento dele e agora ele vai até começar a trabalhar aqui”, explica o consultor técnico Joaquim Venâncio, 47 anos, um dos preparadores de Gabriel. Willian Grassioti, 23, completa a dupla de instrutores que acompanhou Gabriel na viagem ao exterior.

O instrutor Willian é um veterano em competições WorldSkills e conquistou diversas medalhas de ouro. Ele acredita que a deficiência do Brasil em equipamentos técnicos acaba estimulando a capacidade de improvisação dos nossos competidores. “Aqui, não temos todas as ferramentas que existem lá fora. Temos que confeccionar muitas delas, coisa que os competidores de fora não precisam fazer. Isso dá um caráter de malícia e de criatividade aos brasileiros, que acaba sendo importante. Mas é claro que o raciocínio lógico e o conhecimento também contam muito”, esclarece. Willian cursa uma faculdade de engenharia e buscou o ensino técnico pelo mesmo motivo que Gabriel. “Fiz cursos do Senai ainda no ensino médio, para, assim, ganhar dinheiro de forma mais rápida.”

Para saber mais

Intercâmbio de conhecimento

A WorldSkills Americas é uma competição internacional de formação profissional para os países das américas do Sul, Central e do Norte e com categorias de provas em áreas como design gráfico, mecatrônica, marcenaria e confecção de roupas. A 3ª edição foi sediada em Bogotá, na Colômbia. No Brasil, os torneios nacionais e estaduais recebem o nome de Olimpíada do Conhecimento. A próxima etapa nacional acontecerá em Belo Horizonte, entre 31 de agosto e 7 de setembro. A 43ª edição mundial da WorldSkills será em São Paulo, entre 11 e 16 de agosto de 2015. São esperados pelo menos mil competidores de 60 países e 200 mil visitantes. As competições de formação profissional WorldSkills existem desde 1950 e têm o objetivo de promover o intercâmbio de conhecimento entre jovens profissionais de até 21 anos de diversas regiões.

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