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Celeiro de ideias

Incubadoras de empresas ligadas a universidades ajudam estudantes a tirar projetos inovadores do papel e contribuem para o cenário empreendedor do Distrito Federal, que tem 28 negócios nesses centros

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postado em 20/04/2014 12:05 / atualizado em 20/04/2014 12:08

Aproximar o conhecimento acadêmico da realidade de mercado, desenvolver a mentalidade empreendedora entre os estudantes e contribuir economicamente para o desenvolvimento social são os objetivos de incubadoras de empresas ligadas a universidades. O serviço oferece infraestrutura, suporte gerencial e formação complementar para a criação de pequenas e microempresas. No Distrito Federal, quem pretende colocar um projeto inovador para funcionar encontra três centros vinculados a instituições de ensino para propor a ideia.

É nesse contexto de estimular o desenvolvimento no DF e incentivar os estudantes a montarem o próprio negócio que a Agência de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Católica de Brasília (UCB) se insere. Lançada em 27 de fevereiro, a iniciativa pretende, por meio da extensão tecnológica, gerenciar as atividades e o diálogo entre o mundo acadêmico e as economias locais. “Tínhamos setores dentro da universidade que poderiam ajudar nesses casos, como os de tecnologia, jurídico e gestão, mas que precisavam de algo para organizar as competências. A agência foi criada para cuidar da incubação, de patentes de pesquisa e do diálogo entre academia, população e investidores”, esclarece o reitor da UCB, professor Afonso Celso Galvão.

Segundo o reitor, a agência será o primeiro passo para a criação do parque tecnológico da universidade, planejado desde 1999. Ele afirma que há procura e expectativas tanto de estudantes quanto do mercado local, interessados no desenvolvimento de empresas articuladas a outras áreas no Brasil e no exterior. “O objetivo é gerar negócios grandes, com oferta de emprego, e colocar em prática o papel universitário de difundir melhorias para a população”, explica.

A UCB já contava com a Incubadora Tecnológica de Empresas (Itec) e o serviço ficará mais completo com a chegada da agência, que vai gerenciar os serviços de incubadoras e outras atividades, como registro de patentes e captação de investimentos. Willem Willy Barbosa, 30 anos, e Gilson Eneas, 38, são exemplos de empreendedores que aproveitaram os benefícios do acesso ao conhecimento e recursos das universidades. Alunos egressos da UCB, a dupla é fundadora da Ecomapa, empresa de engenharia ambiental. Eles contam que a busca por apoio junto à Itec foi essencial para o desenvolvimento do negócio. “Começamos como autônomos. Em 2009, apresentamos um plano de negócios e fomos aceitos na incubação. Foi um passo importante, principalmente para nos guiar em aspectos como marketing, contabilidade e assessoria jurídica”, conta Gilson.

Willem esclarece que o apoio do espaço universitário e de investidores ligados ao centro ajuda na hora dos negócios. “Isso passa uma certa segurança para os clientes, não só em relação à estrutura física, mas a experiências também”, diz. Hoje, os empresários optaram por não se graduarem ainda devido às futuras possibilidades que a agência pode oferecer. “Decidimos tentar mais um ano de incubação para absorver essas mudanças”, afirma Willem.

Crescimento

As incubadoras ajudaram a reduzir a taxa de mortalidade de novos negócios no Brasil. Segundo relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o trabalho junto a essa iniciativa reduziu de 49% para menos de 20% o fim prematuro de projetos inovadores. No DF, a primeira empreitada no ramo foi com a multincubadora do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB), em 1989. Na avaliação da coordenadora do projeto, Jurema Barreto, o objetivo de aproximar a área de pesquisa da universidade ao ramo empresarial rendeu bons frutos. “Conseguimos desenvolver noções necessárias de mercado em quem tem vontade de competir, mas ainda precisa de um certo conhecimento técnico de gestão”, diz. Para a coordenadora, o aumento na procura pelas incubadoras e os investimentos públicos e privados nesse setor demonstram o interesse geral de se apostar em atividades inovadoras.

A vontade de entregar mais uma chance de crescimento profissional aos estudantes foi o conceito motivador para a criação da Incubadora de Empresas do UniCeub, a Casulo, fundada em 2003. A gestora do programa, professora Érika Lisboa, conta que inicialmente o foco era apoiar projetos da comunidade interna do centro de ensino. Entretanto, com o aumento da demanda, a incubadora decidiu abrir as portas também para o público externo. “Percebemos que havia produção de ideias em salas de aula que acabavam se perdendo. Com a Casulo, procuramos apoiar a criação de negócios inovadores que podem ser estendidos para toda a sociedade”, esclarece.

Sheila Oliveira Pires, superintendente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), afirma que o fato de as incubadoras estarem vinculadas aos centros de ensino superior no DF — exemplo que se repete em outras partes do Brasil — é um diferencial para difundir a produção de conhecimento acadêmico na sociedade, assim como a promoção de uma mentalidade voltada para o mercado entre os estudantes. Além disso, ajuda a modificar o perfil e os serviços das instituições. “Normalmente se cita o exemplo da UnB devido ao fator histórico, mas a Casulo e a Itec também demonstraram êxito na prática. Esses três centros também oferecem oportunidades em setores diferentes, como o polo de tecnologias, desenvolvimento social e empreendimento solidário”, analisa.

Próximo passo

Em um âmbito mundial, Sheila destaca que o Brasil não fica atrás de outras potências quando o assunto é incubação de empresas. “Somos referência na geração de postos de trabalho e, em alguns casos, apresentamos média maior que a de outros países no número e na maturidade do acompanhamento oferecido”, exemplifica. Segundo levantamento feito pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o país conta com 384 incubadoras, que abrigam um total de 2.640 empresas instaladas e geram 29.205 postos de trabalho (veja o quadro).

Embora o contexto seja favorável para empreendedores, ainda existem desafios a serem travados. Para Jurema Barreto, da multincubadora da UnB, o próximo passo é oferecer um serviço direcionado para cada tipo de projeto. “O trabalho feito em uma empresa de tecnologia da informação, que requer resultados rápidos, é diferente daquele em uma empresa de nano ou biotecnologia, que requer um tempo maior de produção, e isso é algo a ser levado em conta”, esclarece. Érika Lisboa, da Casulo, acredita que o desafio a ser superado é alinhar o serviço às necessidades atuais de mercado. “Hoje em dia, os modelos de negócios são de empresas que têm o intuito de faturar milhões com abordagem mais arriscada, bem diferente daquela de empreendimentos tradicionais e mais contidos. Muitas incubadoras parecem ter parado no tempo e não se atentaram a essas mudanças”, opina.

Palavra de especialista
Elo mantido

Cada vez mais surgem incubadoras fora das universidades também, mas, quando elas se encontram dentro dos centros de ensino superior, há a possibilidade de fechar a lacuna que existe entre aquilo que aprendemos durante a graduação e as demandas do mundo. Se a gente consegue completar esse vácuo entre os dois meios ainda na faculdade, fica mais fácil compreender que o conhecimento transmitido foi realmente útil. Infelizmente, ainda há muita gente que se gradua sem se dar conta da função real daquilo que aprendeu em todos aqueles anos. Entretanto, é bom lembrar que existem também incubadoras que não possuem ligações com a universidade e outras que aceitam tanto estudantes quanto a população externa. Acredito que essa diversidade de mundos seja algo muito bom para quem quer inovar e fazer a diferença, pois diversidade é fundamental para empreender.


Bel Pesce, empreendedora e autora do livro A menina do Vale (Casa da Palavra; 160 páginas; R$ 19,90)

“O objetivo (da agência de inovação) é gerar negócios grandes, com oferta de emprego, e colocar em prática o papel universitário de difundir melhorias para a população”
Afonso Celso Galvão, reitor da UCB

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