SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Talento industrial

As profissões técnicas para ingressar no ramo fabril vão além do trabalho pesado, como mostra nova cartilha do Senai

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/08/2014 08:00 / atualizado em 25/08/2014 11:38

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Quem pensa na indústria logo se lembra de atividades ligadas a máquinas pesadas. No entanto, o cardápio de profissões técnicas para trabalhar no ramo é extenso e tem crescido com a demanda por profissionais especializados em novas áreas. Pensando nisso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lança a cartilha Escolha Profissões da Indústria, um guia de cursos de capacitação para 48 funções. A publicação é voltada para quem vai escolher a carreira ou se especializar.
As profissões contemplam os setores de tecnologias de manufatura e engenharias, construção e edificações, transporte e logística, moda e criatividade, tecnologias da informação e comunicação e serviços (veja quadro). Para cada função, há descrições sobre atividades, conhecimentos exigidos e locais de trabalho. Segundo Lucchesi, as vantagens do ensino técnico são o ingresso rápido no mercado e a oferta salarial. “O aluno sai do curso com uma profissão. Na indústria, a média salarial é de R$ 2 mil em início de carreira e de R$ 6 mil com 10 anos de atuação.”
Vinicius Rodrigues, 20 anos, é aluno do curso técnico de jardinagem e paisagismo no Senai de Taguatinga e optou por esse tipo de formação para adquirir conhecimentos em construção civil antes de fazer faculdade na área. “O curso aborda hidráulica, alvenaria, elétrica, pavimentação e engloba todas as experiências que eu procurava”, conta. Ele teve oportunidade de fazer trabalhos particulares com paisagismo, mas percebeu que grandes construtoras estão à procura de profissionais. “Uma vez, fui atrás de uma empresa da área apenas para conhecer, e reclamaram da falta de mão de obra e até me ofereceram um emprego.”

Admissão garantida
O rápido ingresso do profissional técnico no mercado de trabalho se deve à estrutura do curso, que tem por objetivo qualificar o aluno para exercer uma profissão. É o que explica Gilmar Rocha, coordenador da Escola Técnica de Brasília. Apesar de a contratação não ser problema, Rocha adverte quanto à importância da especialização para melhor inserção profissional. “O curso técnico é generalista. É importante que o aluno busque aperfeiçoamento”, recomenda.
A técnica em vestuário pelo Instituto Federal de Brasília Samanta de Lourdes Farias, 20 anos, foi aprovada em duas universidades federais nas áreas de arte e moda, mas optou por seguir na área técnica. “As aulas do curso técnico passam uma visão de chão de fábrica. Não sou responsável apenas pela criação, mas por todas as etapas até o acabamento da peça. A graduação é voltada para o design, enquanto o curso técnico é voltado para a indústria.”

 

Antonio Cunha/CB/D.A Press

Faltam profissionais
A carência de mão de obra qualificada, motivada pela falta de interesse e pela oferta insuficiente de cursos, afeta muitas áreas no Brasil. Entre as 48 carreiras descritas na cartilha do Senai, há cursos disponíveis para cerca de 30 profissões no DF. Para joalheiro, contudo, não há mais formação técnica disponível. O Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) chegou a oferecer uma formação de técnico em design de joias no ano passado, mas a turma foi fechada. Segundo a artesã Claudia Theolier, 50 anos, esse é um mercado carente. “Os profissionais em atuação são velhinhos donos do próprio ateliê. Joalherias deixaram de ter criadores de joias porque sai caro e porque não há pessoas bem treinadas. A preferência é por importar peças feitas em larga escala. Por outro lado, estão voltando à moda joias e relógios feitos a mão. Isso deve estimular cursos”, prevê.
Há oito anos, Claudia e o marido, Guillermo Theolier, 53 anos, oferecem curso de qualificação em joalheiro e designer de joias no Espaço Theolier (105 Norte). “Não há apoio governamental. Aqui, os cursos são dados por ourives que herdaram a profissão da família”, afirma. Segundo Claudia, uma formação na área não funciona dentro de grandes turmas. “Trabalha-se com diamante e peças pequenas e com máquinas que, se não forem bem manuseadas, podem arrancar a mão de uma pessoa. Como você controla essa situação numa sala com muita gente?”, questiona. Claudia acredita que o problema das áreas técnicas no Brasil é a desvalorização. “O brasileiro não se acha profissional se não for formado em faculdade”, critica.

Participe
Exposição de Práticas Profissionalizantes dos Cursos Técnicos (Expotec)
Entre segunda (25) e sexta-feira (29), das 8h às 22h, no câmpus Edson Machado (613/614 Sul) do Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb). Informações: www.iesb.br

 

Tags:

publicidade

publicidade