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Currículo vital

Ele é o cartão de visitas do candidato frente ao empregador em potencial, mas muitos profissionais ainda cometem erros básicos ao elaborá-lo. Saiba como evitar as gafes mais comuns e preparar um CV vencedor

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postado em 08/09/2014 10:18 / atualizado em 08/09/2014 11:39

Para não ter problemas, Geraldo Malvar procurou a ajuda de um profissional na hora de elaborar um currículo (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press ) 
Para não ter problemas, Geraldo Malvar procurou a ajuda de um profissional na hora de elaborar um currículo


Elaborar um currículo bem estruturado é um desafio para quem está em busca de uma vaga. Considerado pelos recrutadores como a “propaganda do profissional”, o documento deve apresentar as informações essenciais sobre o indivíduo e tem como objetivo a conquista de uma entrevista presencial. Apesar disso, várias falhas ainda são cometidas na hora de preparar essa carta de apresentação do candidato a futuro funcionário. “Em relação à estrutura do currículo, acredito que apenas um em cada 10 recebidos está bem escrito. Em geral, os candidatos apresentam currículos muito extensos ou com erros de português, o que torna o material desinteressante”, avalia a vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), Elaine Saad.

Segundo pesquisa feita pela consultoria Robert Half, nos Estados Unidos, a maioria dos recrutadores têm pouca tolerância com erros de digitação no currículo. Para 46% dos entrevistados, dois erros bastam para que o candidato seja desconsiderado, enquanto 27% toleram até três erros e 17% relevam apenas um. “Se apresentar erros de digitação constantes, muitas vezes o candidato nem é chamado para a entrevista”, ressalta o gerente de divisão da Robert Half, Lucas Nogueira. “Redigir o texto com calma, em um lugar fora do ambiente de trabalho e sem pressa é uma boa maneira de evitar os erros. Pedir para alguém revisar o currículo antes de inseri-lo no mercado é outra alternativa”, completou.

Entre os principais equívocos cometidos pelos candidatos, ainda estão contar vantagem ao descrever as atividades que realizou na empresa, além de problemas na estruturação das informações. “Esse é um erro grave que é facilmente percebido na entrevista. Currículos muito longos e genéricos, nos quais o indivíduo quer colocar tudo o que fez na vida, são cansativos para o recrutador. A apresentação deve ser objetiva e focada na vaga pretendida”, explica a consultora de RH Emmily Mathias.

Recrutadores também condenam currículos sem objetivos ou com fotografias pouco profissionais. “Na maioria das situações, a foto é dispensável. Quando solicitada, a imagem escolhida deve ser coerente com a finalidade profissional”, ressalta. “Muitas vezes, o candidato também acrescenta ao currículo objetivos profissionais muito amplos, como ‘quero mostrar meu valor dentro da empresa’. É importante ser específico. Colocações desse tipo passam a impressão de que ele não sabe realmente o que quer”, alerta.

No caminho certo
Para não cair no erro, o estudante do penúltimo semestre de engenharia civil Geraldo Malvar, 22 anos, procurou a consultoria de um especialista no momento de elaborar o CV para candidatar-se a uma vaga de estágio. “Todas as empresas que visitei me pediam para apresentar um currículo, e eu nunca tinha precisado criar um. Na hora, tive muitas dúvidas em relação ao conteúdo e à estrutura”, conta. Ainda sem experiência profissional na área na época, ele ressalta que acrescentou ao currículo outros conhecimentos e vivências pessoais que foram importantes para passar para a fase da entrevista. “Incluí alguns cursos e experiências que tive como um intercâmbio no Canadá, além da fluência em dois idiomas: inglês e espanhol. No momento da entrevista, os avaliadores consideraram essas competências um diferencial para a vaga”, percebe Geraldo. “Depois que concluir o curso, vai ficar mais fácil fazer um novo currículo. Agora só preciso atualizar as informações e experiências.”

Divulgação
Outra atividade que deve ser levada em conta é o momento de distribuir o currículo para as empresas. “Eu costumo dizer que é igual a jogar sementes: você nunca sabe quais vão brotar. Semeando no asfalto, dificilmente dará certo. É importante analisar a empresa e candidatar-se para vagas que estão de acordo com seu perfil”, explica Marcelo Abrileri, diretor da Curriculum — organização que oferece serviços on-line para quem busca recolocação profissional. “Se você tem um profissional que diz que faz tudo, a impressão que dá é que ele não faz nada direito. Se a pessoa é específica em relação a funções e vagas que procura, as chances de obter sucesso são maiores”, completa Abrileri.

Experiência traduzida


O consultor Marcos Guimarães, 27 anos, precisou traduzir o currículo para concorrer a uma vaga de emprego em uma empresa britânica. “O cargo era para atuar durante a Copa do Mundo, e precisavam de alguém fluente”, explica. Ele consultou alguns modelos de currículos estrangeiros na internet para saber quais informações deveria priorizar. “Como tenho domínio suficiente do idioma, eu mesmo fiz a tradução. Depois, pedi para alguns amigos revisarem”, conta.

Para empresas multinacionais ou com sede no exterior, é comum adotar a apresentação do currículo em inglês. Segundo Ho Mien Mien, diretora da Outliers Professional Language School — empresa que oferece serviços de tradução do currículo —, a apresentação do currículo em inglês costuma ser solicitada quando a utilização do idioma é fundamental para desempenhar o cargo ou quando o recrutador é estrangeiro. “Como o conhecimento em inglês é cada vez mais básico para vagas estratégicas, várias companhias passaram a adotar a prática.”

 
Para a diretora, um dos principais equívocos na elaboração do currículo em inglês é o mesmo problema apresentado nos currículos em português: pouca revisão e falta de objetividade. “Se a pessoa tiver inglês fluente e confiança na escrita, pode fazer a tradução do currículo sozinha, mas se tiver alguma dúvida, aconselho que procure um profissional. Os tradutores automáticos podem funcionar para uma palavra ou outra, mas para frases inteiras as chances de dar errado são enormes! Também é difícil acertar termos profissionais específicos”, afirma Ho.

O diretor e superintendente da Fundação Fisk, Elvio Peralta, destaca ainda que é preciso ser minucioso, já que deslizes podem demonstrar pouco domínio do idioma. “É nos detalhes que o candidato denuncia se tem bons conhecimentos da língua ou não”, explica.

 

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